Orquestra Filarmônica de Minas Gerais abre série de concertos em homenagem a Richard Strauss

Apresentação desta noite, no Palácio das Artes, comemora os 150 anos de nascimento do compositor

por Ana Clara Brant 03/07/2014 06:00

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Eugênio Sávio/Divulgação
O maestro Fabio Mechetti volta a dirigir a Filarmônica de Minas Gerais (foto: Eugênio Sávio/Divulgação)
Richard Strauss (1864–1949) é considerado um compositor clássico singular e um dos mais destacados representantes da música entre o fim da Era Romântica e a primeira metade do século 20. Ao completar 150 anos de seu nascimento, o mestre alemão é o homenageado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais neste mês. Serão apresentados três concertos dedicados à sua obra, começando nesta quinta-feira, com a participação do pianista Arnaldo Cohen, interpretando algumas de suas primeiras peças.


Sob a regência do maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular, a Filarmônica dá início ao concerto com a 'Sinfonia n° 2 em fá menor, op. 12', composta entre 1883 e 1884, quando o compositor ainda não contava 20 anos. Talvez não seja uma obra definitiva do ponto de vista histórico, tampouco definidora da sua linguagem, mas trata-se de uma peça bem construída e que prenunciava o grande artista que se revelaria mais tarde em 'Till Eulenspiegel' ou em 'O cavaleiro da rosa'.

Piano Já a segunda obra da noite é a 'Burleske em ré menor, op. 11', para piano, interpretada por Arnaldo Cohen. Obras compostas na juventude e na maturidade de Strauss, não alcançaram a popularidade e o prestígio de seus poemas sinfônicos ou das obras vocais. A 'Burleske', batizada inicialmente 'Scherzo em ré menor', foi composta com forte inspiração em Brahms na época em que o jovem Strauss estudava com Hans von Bülow. Mais tarde, o compositor fez uma ampla revisão da obra e a renomeou 'Burleske', atraindo o interesse de grandes pianistas.

'Burleske' é uma composição concertante que, no entanto, não se baseia na estrutura de um concerto solista. Foi uma obra importante para o jovem compositor, que buscava seu próprio estilo. Em certa medida, resume as técnicas musicais de seu tempo, mas Strauss também já indica os caminhos que o libertariam de seus modelos. Apesar do título, não se trata de uma obra cômica. A partitura concilia a forma de um primeiro movimento de sonata (exposição, desenvolvimento e reexposição temática no final) com a liberdade estilística das rapsódias de Liszt e o espírito das fantasias barrocas. O humor aqui se restringe ao caráter de scherzo, que restou do propósito inicial.

Fechando o programa, 'Don Juan', uma de suas composições mais admiradas. Os poemas sinfônicos do compositor, definidos pelo próprio autor como ilustrações sonoras de enredos poéticos, se inserem de maneira muito pessoal na tradição da música programática desenvolvida por Berlioz e Liszt. Baseada no poema dramático do escritor austríaco Nikolaus Lenau e concluída em 1888, Don Juan demonstra a maturidade atingida por Strauss, que tinha apenas 24 anos à época, dando-lhe lugar de destaque entre os compositores alemães da geração pós-wagneriana.

Estilos “Ao longo desses concertos, vamos mostrar toda a diversidade de estilos de Strauss, que compôs obras vocais, sinfônicas, camerísticas”, explica Fabio Mechetti. “Na primeira noite, vamos focar nas peças do início da carreira e que revelam sua busca pela maturidade. Em boa parte delas, Strauss tinha por volta dos 18, 20 anos de idade e já revelava um incrível talento.”

Para o maestro, o compositor alemão, que morreu aos 85 anos, tendo inclusive vivenciado as duas guerras mundiais, herdou toda a influência do romantismo. “Ao contrário dos demais compositores do século 20, ele sempre se ateve a uma linguagem romântica. Strauss nunca deixou de ser romântico e sempre com muito sucesso, de grande riqueza harmônica e explorando todos os recursos”, destaca.

Mechetti ressalta também a participação de Arnaldo Cohen como solista e sua relação com a Orquestra Filarmônica de Minas. “Cohen tem uma história conosco e foi nosso primeiro solista. Partiu dele a escolha de Burleske, que é uma peça extremamente difícil, ainda mais que Strauss não escreveu muito para piano”, comenta. O mesmo concerto de hoje será apresentado domingo, no Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Festival Richard Strauss

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sob a regência de Fabio Mechetti e solos de Arnaldo Cohen. Hoje, às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos a R$ 70 (plateia I), R$ 54 (plateia II) e R$ 36 (plateia superior). Meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos, mediante comprovação. Informações: (31) 3236-7400

SAIBA MAIS
Richard Strauss

Nascido em Munique, em 11 de junho de 1864, Richard Georg Strauss (foto) é conhecido por suas óperas, sobretudo Der rosenkavalier e Salomé; por suas lieder, especialmente Quatro últimas canções; por seus poemas sinfônicos, como Till eulenspiegels lustige streiche, Also sprach Zarathustra e Morte e transfiguração, Uma sinfonia alpina; e grandes obras orquestrais, como Metamorphosen, geralmente interpretada como uma meditação sobre a bestialidade da guerra. Strauss se notabilizou como regente na Alemanha e na Áustria e, ao lado de Gustav Mahler, é um dos principais representantes do Romantismo alemão tardio, depois de Richard Wagner.

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