Clube do Balanço investe em canções autorais em seu quarto álbum

Em 'Menina da janela', grupo mostra que o samba-rock não deixa ninguém parado na pista. Disco mescla canções com temas instrumentais

por Mariana Peixoto 01/07/2014 10:27

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Augusto Bartoloni/Divulgação
Menina da janela chega para referendar a trajetória de sucesso do Clube do Balanço, há 15 anos na estrada (foto: Augusto Bartoloni/Divulgação)
O combo paulistano Clube do Balanço foi criado no fim de década de 1990, produto do revival do samba-rock, que começava a dominar as pistas. Criação do vocalista e guitarrista Marco Mattoli, ganhou seu primeiro álbum em 2001. Swing e samba-rock resgatava, com o sotaque do clube, nomes que estiveram na ativa – e que protagonizaram o gênero – entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1970: Orlandivo, Bebeto, Ed Lincoln e Marku Ribas entre eles. O boom passou ao longo da década seguinte, mas o Clube do Balanço se manteve na ativa. Menina da janela é seu quarto álbum.

 
A despeito do disco de estreia, que primava por versões, os posteriores foram autorais. O novo trabalho apresenta 10 faixas, gravadas pelo octeto depois de uma série de ensaios abertos que ocorreram na Vila Madalena entre maio e dezembro de 2013. Em shows semanais no Centro Cultural Rio Verde, a banda tocava suas músicas em meio a dançarinos de samba-rock – em vez do palco, tocavam numa roda ao lado da plateia. Produzido por Jesus Sanchez (que tem trajetória no underground de São Paulo, atuando em trabalhos de Los Piratas, Pélico e Bárbara Eugênia), Menina da janela não busca reinventar a roda, apenas referendar uma trajetória que soma 15 anos.

Aberto com a instrumental La nave va, do trombonista Tiquinho, o disco vai ganhando diferentes nuances ao longo de sua execução. Time contra (Mattoli/Magnu Sousa/Nei Lopes) tem uma malemolência carioca, com acento mais samba do que rock, com uma letra que mistura futebol e favela. Já Vício perfeito tem levada voltada para a soul music, enfatizada por um trio de metais convidado para o registro. A faixa-título é a melhor tradução da essência do samba-rock, com uma guitarra cheia de swing. Baby não mora mais lá tem uma levada quase jazzística, ainda que feita para dançar em qualquer pista.

O instrumental do Clube do Balanço é seu grande trunfo. Mesmo com uma banda grande, não faltaram participações, como dos percussionistas Wilson Fumaça e Sérgio Barba (Originais do Samba), que estiveram presentes em várias faixas. Assim como a de abertura, a música que fecha o álbum é também instrumental, Don Bocato, homenagem a um dos maiores trombonistas brasileiros. Menina da janela tem uma boa pitada de anacronismo. Mas isso não o impede de ser deliciosamente dançante para uma noite descompromissada.

 

Ouça a faixa 'Menina na janela':

 

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