Jota Quest e Nação Zumbi tocam em Belo Horizonte neste fim de semana

Após anos sem novos trabalhos, bandas se apresentam na capital após lançamento de novos discos

por Mariana Peixoto 27/06/2014 08:19

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Maurício Nahas/Divulgação
O Jota Quest capricha na produção do show e sobe ao palco do Chevrolet Hall hoje, às 22h, cheio de gás (foto: Maurício Nahas/Divulgação)
Fim de semana como poucos em Belo Horizonte. Único dia sem jogo desde a estreia do Mundial, em 12 de junho, a sexta-feira será de expectativa. O sábado, a massa quer e espera, de celebração. Fan Fest, Savassi, bares em toda Belo Horizonte, a folia tem vários endereços. Mas dá para fugir dos programas para ver dois bons shows na cidade: hoje tem Jota Quest e amanhã, Nação Zumbi, ambos no Chevrolet Hall. Bandas bastante distintas, encontram-se, no entanto, em momentos semelhantes. Ambos há anos sem trabalhos inéditos de estúdio, lançaram recentemente – os mineiros em novembro, os pernambucanos, em maio – álbuns que quebraram o jejum com estilo. O Jota busca as origens com seu 'Funky funky boom boom'; a Nação vai em caminho oposto a sua própria trajetória, com um trabalho melódico e cheia de belas canções. Serão dois grandes shows, inéditos na cidade e num momento de euforia. Faça sua escolha. Ou então, vá aos dois.

 
Não tem peruca, mas tem groove. Este é o Jota Quest 2014, que sobe hoje ao palco do Chevrolet Hall cheio de gás para mostrar que ao longo de quase 20 anos, soube recuperar o que de melhor a banda mineira trazia em seus origens. 'Funky funky Boom boom', seu sétimo álbum de estúdio, é o trabalho que a banda queria fazer (e devia aos fãs) há tempos. Com produção impecável – é só colocar bem alto o primeiro single, 'Mandou bem', para ouvir a potente parede sonora – reúne ainda um nome de bambas na produção.

Responsável por boa dose do swing do Jota, o baixista PJ foi atrás de Jerry Barnes, produtor norte-americano e atual baixista do Chic, para produzir o trabalho. Inicialmente ele iria fazer duas faixas, acabou assinando boa parte do álbum. Trouxe a reboque o guitarrista Nile Rodgers, em alta depois de sua parceria com o Daft Punk.

Os gringos levaram o álbum para outra seara (há três engenheiros também dos EUA e a masterização foi feita em Los Angeles). E por aqui, o Jota ainda reuniu um bom time de coprodutores, Adriano Cintra (ex-CSS) e Pretinho da Serrinha (Seu Jorge), a colaboradores, o percussionista Mauro Refosco (atualmente com o Red Hot Chilli Peppers), China, Seu Jorge e Gabriel Moura.

Além de 'Mandou bem', que não saiu das rádios quando foi lançada, no segundo semestre do ano passado, o disco reúne reggae ('Waiting for you'), samba-rock ('Jota Quest convidou'), balada ('Realinhar'). Mas é no groove que o Jota se dá melhor, seja com 'Imperfeito', 'Entre sem bater' e 'Ela é do Rio'. No repertório desta noite, nem todas as novas estarão presentes.

“Canções antigas ganharam novos arranjos para ficar mais black. 'Encontrar alguém', por exemplo, está com o arranjo que fizemos para o primeiro disco (ainda com o nome de J. Quest, de 1996)”, comenta Rogério Flausino. A assinatura black, que marcou a primeira fase do Jota, ainda é reforçada pela presença de um trio de metais (coisa que a banda não contava há oito anos), mais três backing vocals e um DJ.

Banda que entende show como um momento completo, o Jota ainda reforçou a parte visual. Tirou telões, colocou cortinas e reforçou a iluminação. “Hoje, temos dois jotas (a letra que dá nome ao grupo sempre atuou como um elemento visual nos shows), um em alumínio com lâmpada quente, como sempre, outro em Led, que muda de cor. Dessa maneira, o velho e o novo Jota Quest se encontram, em harmonia.

 

Por que ver o Jota Quest
» Porque é prata da casa
» Porque os shows da banda são sempre grandes festas
» Porque eles estão com nova cenografia e voltaram às origens 

 
Show nesta sexta, às 22h, no Chevrolet Hall, Avenida
Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi, (31) 4003-5588. Ingressos: Pista/arquibancada: 1º lote – R$ 80 e R$ 40 (meia); 2º lote – R$ 100 e R$ 50 (meia); 3º lote – R$ 120 e R$ 60 (meia); Pista vip –
2º lote – R$ 140; 3º lote – R$ 160 (não há meia entrada para o setor).

 

Nação Zumbi

 

Vitor Salerno/Divulgação
O Nação Zumbi abre o jogo e mostra no mesmo palco, amanhã, sete músicas do novo disco (foto: Vitor Salerno/Divulgação)

 

Guitarrista da Nação Zumbi, Lúcio Maia comenta que a banda só costumava tocar em show uma pequena parte do repertório de cada novo álbum. Isso mudou com 'Nação Zumbi', o 10º disco do grupo, que se tornou uma das bases da sonoridade miscigenada que tomou conta da música pop brasileira a partir da década de 1990. “Estamos tocando sete músicas do novo disco, coisa que não fazíamos desde 'Da lama aos caos' (1994). E naquela época não tinha como ser de outro jeito, pois não tínhamos repertório.”

Sete canções de um universo de 11 é muita coisa. Dessa maneira, serão ouvidas na noite de amanhã o primeiro single, 'Cicatriz', bem como 'Bala perdida', 'Defeito perfeito', 'Um sonho', 'Pegando fogo' (talvez a que mais se aproxime da Nação clássica, de tambores marcados e guitarra lisérgica), entre outras.

Melodioso, lírico e com letras contundentes, o trabalho produzido por Berna Ceppas e Kassin comprova por que deve-se ouvir o combo do Recife sem nostalgia. 'Nação Zumbi', o disco, chega após um hiato de sete anos sem um CD autoral. Mas a banda não ficou parada nesse tempo. No meio do caminho entre Fome de tudo (o de estúdio anterior) e o novo trabalho, o grupo lançou 'Ao vivo no Recife' e o disco dos 'Sebosos Postizos', projeto que relê a obra de Jorge Benjor.

Para Lúcio Maia, a sonoridade diferenciada que o álbum traz – cheio de harmonias e belas melodias – é resultante da maneira como foi produzido. “Diferentemente de todos os outros discos que já fizemos, neste a gente teve outro tempo. Antes era sempre no esquema de contrato com gravadora, compor disco em três meses, depois entrar em estúdio, gravar, masterizar, lançar e cair em turnê. Como não tínhamos mais gravadora (o CD foi lançado pela Natura Musical em parceria com o selo Slap), não havia aquela pilha de fazer nada. Levamos quase três anos para terminá-lo, o que o deixou mais resolvido.”

O guitarrista conta que houve canção que ele gravou e só foi terminar mais de um ano e meio depois. “Sem um relógio de ponto, tudo fica mais bem resolvido.” Mais cru, no sentido em que ele traz menos efeitos e pós-produção, o disco está mais fácil para ser levado ao palco. Mesmo que o show deste fim de semana vá enfatizar o novo álbum, Lúcio Maia não descarta um obrigatório set que remonte às origens da Nação, quando ainda era comandada por Chico Science.

Ainda mais agora, que 'Da lama ao caos' está completando 20 anos. “É um disco que sempre esteve presente no repertório. Somos muito agradecidos ao que ele se tornou, tem tanta importância para nós quanto para os outros. Só que, quando ele fez 10 anos, fizemos uma turnê comemorativa com a Orquestra Manguefônica (projeto que reuniu em 2004 a Nação e o Mundo Livre). Aos 15, houve a turnê de 'Da lama ao caos'. Então, quando chegaram os 20 anos achamos que fazer novamente, apesar de nos cobrarem sempre, ficaria meio over. Mas com certeza tocaremos algumas músicas seguidas daquele disco.”

 

Por que ver a Nação Zumbi
» Porque seus shows são sempre explosivos
» Porque o novo disco é o melhor da banda em anos
» Porque estaremos em festa com o Brasil (assim esperamos)


Show sábado, às 22h. Chevrolet Hall. Ingressos:
1º lote – R$ 60 e R$ 30 (meia); 2º lote – R$ 70 e
R$ 35 (meia); 3º lote – R$ 90 e R$ 45 (meia). 

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