Celso Sim lança 'Tremor essencial', quinto álbum da carreira

Disco foi produzido de maneira artesanal a partir das canções que levou para o estúdio apenas com voz e violão

por Mariana Peixoto 23/06/2014 08:01

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
GAL OPPIDO/DIVULGAÇÃO
"Quando falo em 'Tremor essencial', as pessoas acham que estou me referindo a sexo. Mas não, é um diagnóstico neurológico" Celso Sim, músico e ator (foto: GAL OPPIDO/DIVULGAÇÃO)
Quando ele tinha 14 anos, a atriz Myriam Muniz se tornou sua tutora. Aos 19, conheceu Jorge Mautner, mudou-se com ele para a Europa e descobriu que poderia ser cantor. Mais tarde, conheceu o Teatro Oficina e começou a trabalhar ao lado de Zé Celso Martinez, ora como ator, ora como compositor de trilha sonora. Anos depois, passou a cantar ao lado de outro Zé, o Miguel Wisnik, com quem permanece até hoje. Este é Celso Sim, paulistano, 45 anos, artista. “Como dizia Hélio Oiticica, minha formação artística é um estado de invenção. Todas as artes me alimentam, então, para mim, seria impossível pensar em gravar um disco sem pensar no roteiro.”


Celso está falando sobre 'Tremor essencial', seu quinto álbum, lançado pelo selo Sem Paredes/Circus. “Queria um disco de violência, de rock and roll, que é um paralelo com o trabalho com o Zé Miguel. As pessoas que me veem no meu show comentam o quanto sou diferente no show dele. O Zé tem a questão da canção pura, da emissão da nota, do mínimo efeito.” Já 'Tremor essencial' não é nada disso. Com produção de Guilherme Kastrup (que já assinou álbuns de Zeca Baleiro, Badi Assad e Márcia Castro), foi gravado e produzido ao vivo, em menos de dez dias.


O próprio Celso explica: “Guilherme criou um jeito de gravar um disco em que os músicos se encontram no estúdio sem que nenhum deles tenha previamente ouvido as músicas. Você fica três, quatro horas tocando uma canção, vai e grava. É uma criação ao vivo”, conta Celso. Ele tinha 10 dias de estúdio para fazer registrar 'Tremor essencial'. Em seis, a maior parte do trabalho já havia sido realizada. Chegou no estúdio com 15 canções na voz e no violão. Saiu de lá com 12 faixas completas, inclusive a título, que foi a única concebida em estúdio (Celso só tinha a letra). O álbum foi feito por Celso, Guilherme e o trio chamado “tupi essencial”: Rodrigo Campos, Ricardo Prado e Pepê Mata Machado.


“Quando falo em 'Tremor essencial', as pessoas acham que estou me referindo a sexo. Mas não, é um diagnóstico neurológico (é o tipo mais simples de tremor), que tanto eu quanto vários amigos temos. No meu caso, ocorre antes de entrar em cena. E como queria um disco de rock com violência, acho que, inconscientemente, esse disco está impregnado de tremores.” O rock de que fala Celso está longe do rock convencional de baixo, guitarra e bateria.


A faixa-título, que abre o trabalho, traz ênfase nas cordas; enquanto 'Um fio 2' tem uma linguagem mais convencional, quase pop, 'Beija na boca' traz um duelo de guitarra e bateria, e 'Tupitech' se destaca por um belo arranjo de trompetes. Prolífico nas parcerias, Celso tem canções com Arnaldo Antunes ('Um fio 2'), Xico Sá ('Tupitech') e Antônio Risério ('Oriki de Jorge'). Gravou ainda uma inédita de Wisnick e Mautner, 'A liberdade é bonita', aqui registrada com Elza Soares. Mas é Evocação moderna, com letra de André Stolarski, que enumera os modernistas, que melhor traduz a relação antropofágica de Celso e a arte.



VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA