Guitarrista Carlos Santana trabalha com artistas latinos em seu novo disco

Samuel Rosa, do Skanke sua esposa, a baterista Cindy Blackman, estão entre os convidados de 'Corazón'

por Mariana Peixoto 18/06/2014 08:30

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Jonathan Bachman/Reuters
É o espanhol, língua natural domexicano Carlos Santana, que predomina emgrande parte das faixas de 'Corazón' (foto: Jonathan Bachman/Reuters)
Em 1999, Carlos Santana lançou 'Supernatural', álbum que foi responsável por lançar o veterano e respeitado guitarrista para uma geração que não se interessava pelos sons que ainda ecoavam os ares de Woodstock. Em dobradinha com nomes pop como Rob Thomas, Lauryn Hill e Dave Matthews (na época, o único convidado de igual quilate ao de Santana foi Eric Clapton), ele fez de 'Supernatural' um arrasa-quarteirão que vendeu milhões, levou nove prêmios Grammy e colocou seu nome novamente no topo das paradas. Pois ao longo dos últimos 15 anos, Santana, em parceria com Clive Davis, também o produtor que o havia levado para o estrelato no fim dos anos 1960, lançou outros álbuns do mesmo gênero: 'Shaman' (2002) e 'All that I am' (2005), ambos com o mesmo conceito, mas longe da repercussão de 'Supernatural'.


Corazón, novo álbum de Santana, mais uma vez capitaneado por Clive Davis, é o quarto projeto de participações, mas o primeiro disco pela RCA (divisão da Sony Music). É o primeiro destinado ao mercado latino. Aqui, como nos trabalhos anteriores, ele atua ora como maestro, ora como solista e ora, também, como músico de apoio de luxo. 'Saideira', a gravação que ele fez com Samuel Rosa (e abre a edição nacional do álbum), é um bom exemplo. Canção registrada pelo Skank em 1998, não teve mudanças no arranjo, ainda que a assinatura da guitarra de Santana seja o maior atrativo da nova gravação. A versão que abre o disco traz Samuel cantando em português (a mesma que está rodando as rádios), mas há uma faixa-bônus com o registro em espanhol.

É a língua natural de Santana que domina o repertório. Há um elenco de diferentes nacionalidades: o colombiano Juanes; os argentinos Los Fabulosos Cadillacs e Diego Torres; Romeo Santos, nascido nos EUA de mãe porto-riquenha e pai dominicano; a mexicana Lila Downs; a espanhola Niña Pastori e Gloria Estefan, a cubana radicada nos EUA que foi uma das precursoras do pop latino que ganhou o mercado americano. O inglês, mesmo com espaço reduzido, dá as caras, seja com o onipresente Pitbull quanto com Ziggy, o filho mais conhecido de Bob Marley. Mulher de Santana, a baterista Cindy Blackman (que o mundo pop acompanhou na década de 1990, com seu cabelão rastafári atrás das baquetas da banda de Lenny Kravitz) ganhou destaque no disco ao lado do saxofonista Wayne Shorter.

Há nomes de peso também na banda de apoio, como o baterista Dennis Chambers e o percussionista Karl Perazza. Diante desse casting, são muitos bons momentos e outros nem tanto. Oye como va, talvez o clássico maior do repertório de Santana e um dos hinos da geração Woodstock, aparece aqui numa tentativa pífia de atualização – e a participação de Pitbull no Oye 2014 não ajuda em nada. A rumba Besos de lejos, com uma Gloria Estefan fazendo o que sempre fez, não acrescenta muito ao trabalho.

Ziggy Marley pegou emprestado do pai Iron Lion Zion, aqui registrada ao lado dos rappers colombianos Chocquib Town. A participação fez com que o reggae ganhasse um sotaque fusion. É um bom momento, como também La flaca, gravação de Juanes para uma canção da banda espanhola Jarabe de Palo, lançada 20 anos atrás. Em Una noche en Napoles, um folk com levada latina que reuniu as cantoras Lila Downs, Nina Pastori e Soledad, Santana sai de sua zona de conforto para mostrar sua familiaridade com o violão de 12 cordas. Yo soy la luz, única faixa do álbum composta por Santana, cai como uma luva para o sotaque latin-jazz que une o guitarrista, Cindy Blackman e Wayner Shorter num solo impecável. Com sua vocação francamente comercial, Corazón reúne com competência um bom time de latinos. E mostra que os sotaques musicais são tão distintos quanto o número de países que fazem parte do chamado bloco latino.

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