Lia Sophia: "música paraense é hoje o que o manguebeat foi anos 1990"

Cantora franco-brasileira, que já teve músicas em programas como 'A grande família', fala sobre a carreira em entrevista

por Pedro Leandro 16/06/2014 10:10

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Naiara Jinknss/Divulgação
Cantora lançou seu mais recente trabalho em 2013 (foto: Naiara Jinknss/Divulgação)
A música paraense mais uma vez se renova. Após o impulso do sucesso de artistas como Gaby Amarantos chega agora a nova geração de artistas da cena, entre eles, está Lia Sophia. A morena de 36 anos chamou a atenção após ter músicas incluídas em trilhas de programas consagrados. 'Amor de promoção', por exemplo, chegou a tocar no humorístico global 'A grande família'.

Lia faz parte de uma nova safra de artistas que une o tradicional carimbó paraense com elementos atuais, incluindo a "guitarrada" do brega e os metais potentes. Mergulhando mais fundo nas influências, nota-se até traços inspirados nas chansons francesas (Lia nasceu na Guiana Francesa).

O mais recente álbum, intitulado 'Lia Sophia', foi lançado em 2013. Sua música exala uma sensualidade típica do ritmo. E a mistura já provou-se eficaz nos mercados do eixo Rio-SP. Lia já chegou a dividir o palco com artistas consagrados como Fafá de Belém e a própria Gaby Amarantos, e tocou por duas vezes no Carnaval do Recife, chegando a participar do famoso e irreverente bloco Quanta Ladeira. Confira a entrevista com a cantora:

Como você localizaria hoje a música paraense no cenário nacional?
Prefiro dizer a música produzida no Pará do que a música paraense. O que se produz musicalmente no Pará, tanto os trabalhos que ficam por lá como os que conseguem alcançar públicos diferentes pelo país, é o que há de mais original no mercado fonográfico brasileiro atualmente. É uma música moderna que não abandona as suas raízes, algo próximo do que artistas como Chico Science e Fred 04 fizeram nos anos 1990 e que até hoje influencia muita gente. E é o que faz a nossa música ser uma novidade para o Brasil e, justamente por isso, também sofre preconceitos e generalizações que não ajudam. Nem tudo aqui é regional ou exótico, é música brasileira. Nem tudo aqui é brega ou calipso, essas são apenas algumas das influências. Mesmo assim, a “novidade” tem alcançado grandes públicos pelo país, tomado conta de trilhas sonoras de novelas e séries de TV, tem influenciado grandes artistas como Caetano Veloso (que lançou um carimbó em seu novo álbum) e assim vamos nos consolidando e deixando a nossa marca na história da música brasileira.

Quais grupos e cantores mais influenciaram sua formação musical?

Na minha infância eu ouvi muita música dançante, meus pais eram muito festeiros, então bregas, boleros, cúmbias, zouks, carimbós, me fizeram dançar muito. Artistas como Alípio Martins, Carlos Santos, Altemar Dutra, Les Aiglons, Kassav, Pinduca... E, claro, Reginaldo Rossi, um pernambucano que eu amo e que eu tive a honra de homenagear no programa da Fátima Bernardes, com participação da viúva dele, Celeide, do Filipe Catto e do Amado Batista, outro ídolo do brega. Na minha adolescência, eu tive o meu primeiro contato com a MPB, então conheci Marisa Monte, João Gilberto, Caetano Veloso, novas referências e estilos que me incentivaram a compor minhas próprias músicas.

Como você vê o mercado brasileiro hoje para cantores de brega?
Sou de uma geração sem preconceitos para a música. Antes, “brega” era um adjetivo que classificava as coisas como cafonas, e muitos artistas sofreram com isso. Acho que a música que eu e tantos outros artistas fazem, deixa claro que isso é um ritmo, uma maneira de tocar uma guitarra, uma forma de dançar. Pelo menos no Pará sempre foi assim. O brega tem seu espaço garantido no gosto popular. Mesmo que com vários apelidos diferentes como arrocha, calipso, tecnobrega, ele permanece
sendo o bom e velho brega e com um mercado consumidor vigoroso. Apesar desses artistas não estarem sempre na grande mídia, mantêm grandes públicos por onde passam.

Como você sente que entrar em trilhas de programas e novelas impulsionou sua carreira?
A visibilidade de uma música em novela é enorme e se você estiver preparado pra dar continuidade a isso, o trabalho segue crescendo. Por conta disso, estive em vários programas de TV, me apresentei ao lado de grandes artistas em shows importantes transmitidos em rede nacional, e tudo isso impulsionou todo o meu trabalho.

Há mais planos para conquistar o mercado do eixo Rio-SP?
Sim. Estou me organizando para passar mais tempo no Rio e em São Paulo. Continuo morando em Belém e acabo passando muito tempo viajando, em hotéis, e às vezes até perco boas oportunidades de divulgação do trabalho por estar fora desse eixo.

Você carrega alguma coisa de herança francesa em sua música?
Sim. É claro que não estou falando da música francesa produzida em Paris, mas sim da música crioula de Caiena – Guiana Francesa, onde eu nasci. Lá o zouk é muito forte, é cantado em crioulo misturado ao francês, e tem uma dança muito sensual. Cresci ouvindo isso! E, claro, está presente na minha música. Nesse meu novo disco, tem uma regravação de Quero você, do Carlos Santos, que fez um estrondoso sucesso no Recife, e eu coloquei um trecho da letra em francês.

Confira clipe de 'Amor de promoção', que entrou na trilha de 'A grande família':


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