Toninho Ferragutti e o Neymar Dias se juntam em 'Festa na roça'

O acordeonista , em que reinventam verdadeiras pérolas do repertório sertanejo

por Eduardo Tristão Girão 13/06/2014 08:11

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Laura del Rey/Divulgação
Toninho Ferragutti e Neymar Dias recriam composições de autores como o mestre Tião Carreiro (foto: Laura del Rey/Divulgação)
Instrumentos geralmente associados a formações de música regional brasileira, o acordeom e a viola caipira foram combinados de maneira fora do habitual em Festa na roça, disco do violeiro Neymar Dias e o sanfoneiro Toninho Ferragutti. Os dois providenciaram versões instrumentais e bem-arranjadas de 13 composições conhecidas do cancioneiro caipira, como Rio de lágrimas, Menino da porteira e Moreninha linda.

“O casamento dos timbres é perfeito. Não tem como não ser arremessado para esse fundão do Brasil. A viola, apesar de trazida pelos portugueses, quando chegou ao Brasil se misturou a outros gêneros musicais e o responsável maior por isso foi o mestre Tião Carreiro. Ele teve a ideia genial de pegar a batida do samba, por exemplo, e tocar na viola, criando assim um estilo muito importante na música caipira que é o batido do pagode”, afirma Dias.

De Carreiro escolheram apenas uma música, Amargurado (com Dino Franco). O repertório do álbum conta também com as peças Boiadeiro errante (Teddy Vieira), Cavalo preto (Anacleto Rosas Jr.), Tristeza do jeca (Angelino de Oliveira), Chico Mineiro (Tonico e Francisco Ribeiro) e Saudades da minha terra (Goiá e Belmonte). Uma única composição autoral foi pinçada para integrar o disco, Olímpico, escrita por Ferragutti.

Ao optar por fazer versões de músicas tão conhecidas, eles trilharam caminho que envolve certo risco. “Muitos que regravam esses clássicos caipiras não respeitam sua verdadeira estrutura. Tivemos o cuidado de não mexer em melodias que estão no inconsciente do brasileiro. Não rearmonizamos nada. Tocamos as músicas com propriedade, respeitando integralmente as características das canções. Acrescentamos algumas dinâmicas, mas mais no sentido da interpretação. Como mexer em Tristeza do jeca?”, diz.

Consciente Neymar Dias conta que, inicialmente, a ideia era fazer o disco também com baixo e percussão. Entretanto, não demorou para que resolvessem limitar a instrumentação a viola caipira e acordeom: “Assim que acabamos a primeira música, decidimos que seria assim. Apesar da nossa formação eclética, esse repertório sempre esteve em nosso consciente. Crescemos ouvindo música sertaneja de raiz. Fazer um disco resgatando esses clássicos caipiras já rondava nossas cabeças fazia um tempo”.

Ele e Ferragutti já se conheciam há tempos e, apesar de terem trabalhado juntos em shows um do outro e em discos de terceiros, Festa na roça registra o primeiro disco que fizeram em parceria. “Gostamos tanto do projeto e é tão bom fazer música com Toninho que já temos vontade de lançar um volume dois. Se fôssemos fazer um disco de todas as músicas caipiras que a gente gosta e respeita, daria um de 180 músicas. Então, vamos fazendo aos poucos”, anima-se o violeiro.

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