Exibição de 'Ganga bruta' encerra mostra dedicada a Humberto Mauro

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais tocará a trilha sonora original de Radamés Gnatalli durante exibição do filme

por Eduardo Tristão Girão 10/06/2014 10:48

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Paulo Lacerda/Divulgação
A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais ensaiou a partitura acompanhando a exibição do filme de Humberto Mauro (foto: Paulo Lacerda/Divulgação)
Considerado um trabalho de transição entre o cinema mudo e o falado na filmografia de Humberto Mauro, Ganga bruta (1933) teve trilha sonora escrita por Radamés Gnatalli especialmente para a obra. Sem serem tocados há cerca de 20 anos, esses 80 minutos de música ganham novo fôlego com as performances de hoje e amanhã da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), que, sob regência de Marcelo Ramos, tocará nota por nota durante a exibição do filme no Grande Teatro do Palácio das Artes.

Essas duas apresentações encerram a mostra Humberto, dedicada ao cineasta mineiro, e fazem parte também do projeto Cinema e Orquestra, cuja primeira edição, ano passado, teve a OSMG interpretando trilha sonora de 'Jardim dos prazeres' (1925), filme de Alfred Hitchcock. O evento também homenageará Cyro Siqueira, crítico, historiador de cinema e jornalista do Estado de Minas.

'Ganga bruta' conta a história de um homem que, enfurecido pela descoberta de que sua mulher lhe havia sido infiel, mata-a na noite de núpcias. Absolvido pela Justiça, ele decide morar no interior, onde enriquece no ramo da construção. Ao se apaixonar por uma jovem, noiva de outro homem, ele entra em conflito consigo mesmo e com seu passado. O elenco tem Durval Bellini, Déa Selva, Lu Marival e Carlos Eugênio, e o roteiro do próprio Humberto Mauro e de Octávio Gabus Mendes.

“O primeiro registro dessa trilha sonora acho que é de uma orquestra nos anos 1940 ou 1950. Muito tempo depois, parte do material relativo à essa obra foi perdido,  e o maestro Leonardo Bruno fez uma transcrição a partir desse áudio e de laudas que haviam restado”, conta Ramos. A última apresentação ao vivo da composição foi em 1996, com o maestro Júlio Medaglia, e as partituras estavam no estúdio Cinédia, fundado por Adhemar Gonzaga em 1930. Foram todas revisadas pelo maestro da OSMG.

VIGOR “Pegamos essa versão de 1996 e copiamos tudo para poder digitalizar, além de fazer revisão para eliminar os erros, que eram muitos. Acho que também por causa disso essa trilha não era muito tocada. Foi um trabalho que deu gosto, uma experiência fantástica. Essa música renasceu com vigor”, analisa Ramos. O trabalho inteiro, incluindo revisão das partituras e ensaios (os dois últimos simultâneos à exibição do filme), levou aproximadamente dois meses.

Na análise do maestro, embora a música escrita para 'Ganga bruta' não seja tão semelhante à que Radamés Gnatalli costumava tocar, apreciá-la não deixa de ser interessante. “O compositor sempre circulou pelo erudito e pelo popular com maleabilidade; foi o nosso Gershwin, de certa forma. Apesar de o filme não ter sido pensado para rir, a música transforma certas cenas em comédia, propositalmente. A música vai de um extremo a outro, mudando radicalmente de gênero, o que surpreende.”

Ganga Bruta
Exibição do filme de Humberto Mauro com trilha sonora ao vivo interpretada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Terça e quarta, às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Preço:
R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3236-7400 e www.fcs.mg.gov.br.

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