Músicas embalam a Seleção Brasileira em campo; confira os destaques

O posto de hit está disputadíssimo nesta edição do Mundial, ao contrário de 2010, sem memórias sonoras

por Luiza Maia 09/06/2014 12:11

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Editoria de Arte/Diário de Pernambuco
(foto: Editoria de Arte/Diário de Pernambuco)
O pagodeiro Thiaguinho apostou em uma jogada de mestre. O clipe de Caraca, muleke!, lançado nesta semana, traz ninguém menos que Neymar, além de David Brazil e Dani Bananinha. A música é uma das concorrentes a hit extraoficial da Seleção Brasileira na Copa do Mundo - especialmente porque We are one, tema da Fifa, com Claudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull, não pegou.

O camisa 10 ajudou a emplacar várias canções e reforçar a tabelinha entre futebol e música. Ele deu aquela forcinha a Eu quero tchu, eu quero tcha, Passinho do volante, Ai se eu te pego, Liga da Justiça e Lepo lepo, escolhida para uma comemoração de gol com Daniel Alves, e participa até do clipe de La la la (Brazil), de Shakira.

O posto de hit está disputadíssimo nesta edição do Mundial, ao contrário de 2010, sem memórias sonoras, que contou com o fenômeno mundial 'Waka Waka' mas não movimentou composições entre os músicos brasileiros. Tá escrito, do grupo Revelação, é a preferida das concentrações da equipe do técnico Luiz Felipe Scolari. O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira confessou torcida por Guerreiro, da dupla sertaneja Victor e Leo. Thiaguinho tem ainda outra canção no páreo, Força, raça e fé. Naldo deixa clara a intenção logo no título de Gol, faz a massa delirar. Gaby Amarantos investe em Todo mundo. Seu Jorge fechou o ano passado com o clipe de Arena brasileira.

Neymar impulsiona ainda País do futebol, do MC Guimê, tema de abertura da novela Geração Brasil. Com ele e Emicida no clipe oficial - o recordista de visualizações no YouTube entre os candidatos, com mais de 25 milhões -, o funk pode ser o primeiro do gênero escolhido pelos jogadores brasileiros. O cantor paraibano Yegor Gomez, ex-vocalista da banda Capim Cubano, também ganhou pontos. Para comemorar gol no amistoso contra o Panamá, o atacante Hulk esboçou a coreografia da música O gostosão do momento.

A adoção de músicas pelos jogadores ou pela torcida brasileira é frequente desde 1958, quando o Brasil conquistou o primeiro troféu, na Suécia. A taça do mundo é nossa persiste no imaginário brasuca junto a outras criadas para o campeonato ou adotadas pelos jogadores e torcedores, que o Viver relembra (ouça as canções no site). E, quem sabe, poderá ser entoada novamente no dia 13 de julho, na comemoração do inédito hexa, em partida no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Hits marcantes

Melancolia anunciada

A melancólica 'Epitáfio', dos Titãs, foi o fundo musical escolhido pelo técnico Carlos Alberto Parreira para os vídeos exibidos aos jogadores na Copa da Alemanha (2006). O rock virou piada com a eliminação nas quartas de final, contra a França. Ivete Sangalo tentou o posto de hit, com Vamos n’exa, além de Gilberto Gil, com Balé de Berlim, e Jairzinho Oliveira, com Mais uma estrela.

Bola dividida
O penta, na Coreia do Sul e no Japão (2002), teve duas trilhas. Festa, de Ivete, e Deixa a vida me levar, de Zeca Pagodinho, viraram febre entre os jogadores liderados por Felipão e torcedores. O disco de Zeca ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Samba.

Todos na disputa
A música marcante de 1998 é sobra do torneio anterior, Coração verde e amarelo, mas muitos artistas manifestaram apoio. Gilberto Gil, com Balé de bola. Neguinho da Beija-Flor, com Merci, Brésil. O Grupo Só Pra Contrariar, com Apita logo, seu juiz.

Taça na raça
Coração verde e amarelo (“Eu sei que vou”), readaptada anualmente pela Rede Globo, é a música de fundo para as lembranças da conquista do tetra, em 1994, sob comando do técnico Parreira, e do quase penta, em 1998, quando o Brasil foi vencido pela França na final, por 3 a 0.

Canção da espera
Compositor de sucessos para Xuxa e Roberto Carlos, Michael Sullivan criou, em parceria com Paulo Massadas, Papa essa, Brasil, tema da Copa de 1990, disputada na Itália. Mas as frases “Vamos pro penta, quem espera sempre alcança” não deram sorte. Foram mais quatro anos no aguardo.

Voz dos jogadores
O elenco da Copa de 1986, realizada no México, gravou um disco inteiro, O mundo é verde-amarelo, cujo destaque era a música-título. Mas a canção que fez sucesso foi Mexe, coração, apresentada pelo mascote Araken, o Showman. Gal Costa correu pela lateral, com 70 neles, em alusão ao tri.

Do gramado
O hit da Copa de 1982, na Espanha, veio de dentro das quatros linhas. O jogador Júnior lançou o samba Povo feliz (“Voa, Canarinho, voa”), em parceria com o cavaquinista Alceu Maia. Sangue, suingue e cintura foi a aposta do flamenguista Moraes Moreira, autor de várias dedicadas ao futebol.

Homenagem maldita
Como a Copa do Mundo de futebol era na casa dos vizinhos argentinos, o tema Corrente 78, gravado pelo Coral do Jacob, prestava tributo ao tango. Os primeiros versos foram inspirados em A media luz (“Corrientes tres, cuatro, ocho”), de Carlos Gardel. Deu azar. Os hermanos levaram o título.

Jogada política
Pra frente, Brasil briga com A taça do mundo é nossa pelo hino extraoficial mais famoso. As estrofes de Miguel Gustavo caíram como luva para fortalecer o clima ufanista forjado pela ditadura militar. Em 1970, os jogadores ingleses gravaram o álbum Back home, com o qual atingiram o topo das paradas.

Frevo profético
No ano do segundo título, em 1962, no Chile, a expectativa era grande. Pouco antes da abertura, o paraibano Jackson do Pandeiro lançou Frevo do bi, de Brás Marques e Diógenes Bezerra, em homenagem ao trio Didi, Mané Garrincha e Pelé. Os proféticos versos embalaram a conquista da taça.

Primeira taça
O primeiro título mundial, na Suécia, em 1958, rendeu o primeiro hit. A taça do mundo é nossa, do quarteto Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô, é uma das mais lembradas até hoje. O grupo humorístico Casseta e Planeta lançou, em 2006, uma comédia com o título da música.

Goleada esquecida
A marchinha Touradas de Madri, de João de Barro e Alberto Ribeiro, poderia ter ficado para a história, após ser entoada, em 1950, pelo público do Maracanã, na vitória sobre a Espanha por 6 a 1 na semifinal. A inesquecível derrota para o Uruguai na final fez o momento cair no ostracismo.

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