Antonio Villeroy volta ao passado para lembrar a influência do samba em sua música

Cantor lança 'Samboleria', apostando no ritmo tradicional brasileiro e em ritmos latinos

por Ailton Magioli 05/06/2014 09:25

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Leo Aversa/Divulgação
"Eu me identifico com o samba mais cool, mais contido, à la Chet Baker" Antonio Villeroy, cantor e compositor (foto: Leo Aversa/Divulgação )
Entre os blocos que disputavam a atenção da população de São Gabriel (RS) na infância de Antonio Villeroy, ele ficava com os Filhos da Rua. “Que era o mais povão, enquanto o 7 de Setembro reunia os ricos da cidade”, justifica o cantor, compositor e instrumentista gaúcho, que está lançando 'Samboleria', no qual flerta assumidamente com o samba e os ritmos latinos.

“Comecei me localizando quando criança em São Gabriel, na fronteira com Uruguai e Argentina, onde ouvia de João Carreteiro a 'Chega de saudade'. Não sei o que é da minha região. Sinto um afeto recíproco daquelas coisas e daquilo que foi me constituindo", diz o cantor, salientando ter descoberto apenas mais tarde que o samba teria nascido no Recôncavo Baiano e foi para o Rio de Janeiro, onde, na década de 1930, passou a ser a música nacional, graças ao rádio.

“Na minha cidade eu não sabia disso. Só sabia que o samba tava lá misturado com as coisas da terra”, pondera Villeroy, admitindo que, ainda que o samba estivesse dentro dele, até então não tinha equacionado isso em si. “São coisas aparentemente distintas, mas que estão no mapa da América Latina”, avalia o cantor que, depois de 13 anos na capital fluminense, voltou a viver na ponte aérea Rio-Porto Alegre por causa da filha de 11 meses.

Cantautor

Sétimo disco solo da carreira do artista, que se tornou o principal parceiro da mineira Ana Carolina (são de sua autoria mega-hits como Garganta, Rosas, Uma louca tempestade e Pra rua me levar), Samboleria foi gravado com financiamento coletivo e negociado com gravadoras. Trata-se da primeira incursão do cantor e compositor em uma multinacional do disco (Sony Music), com chances de ampliar a divulgação de seu trabalho.

Canções inéditas em português e espanhol estão no repertório de Samboleria, que reúne parcerias de Antonio Villeroy com Moraes Moreira (Ponto com e cem), João Donato (Uni duni tê, em que Donato participa tocando seu inconfundível piano) e o americano Don Grusin (El guión, em que também toca piano), além do cubano Descemer Bueno e do colombiano Jorge Villamizar, entre outros.

Integrante da nova cena tangueira de Buenos Aires, a argentina Dolores Solá divide a interpretação da faixa título com o cantor gaúcho, enquanto Mart’nália canta com ele o samba-bossa canção Germinal do samba. “A bossa nova foi concebida um pouco aqui em Porto Alegre e um pouco em Diamantina”, acredita Antonio Villeroy, recordando que o pai dele conviveu com João Gilberto na capital gaúcha. A convivência do cantor com a bossa portanto é antiga. “Eu me identifico com o samba mais cool, mais contido, à la Chet Baker”, acrescenta o intérprete, cujo canto casa perfeito com o estilo.

Como nem só de samba e bossa é constituído Samboleria, o próprio título do disco, que une samba e bolero, dá conta do alcance da música de Villeroy, que vai desde algo meio cigano do Leste Europeu até o samba, passando pela música étnica (buleria), o candombe uruguaio, ijexá e a música cubana.

“Há no disco um pouco de tudo que eu gosto”, salienta o cantor, cuja parceria com João Donato teve início em 2005, com Música no gravador. “O bolero e a música latino-americana têm de ter Donato no piano”, garante, lembrando que com o pianista americano Don Grusin ele vem trabalhando um disco inteiro, que já conta com seis músicas gravadas. El guión, que lançaram agora em Samboleria, é uma delas. Já a argentina Dolores Solá, Villeroy conhece desde os anos 1990, quando ela criou o grupo La Chicana.

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