Coletivo 'A.N.A.' lança primeiro disco no Teatro Bradesco

Grupo reúne oito cantoras e compositoras mineiras. 'A.N.A.' é um acrônimo para 'Amostra Nua de Autoras'

por Eduardo Tristão Girão 05/06/2014 08:36

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Henrique Bocelli/Divulgação
As cantautoras do A. N. A.: Irene Bertachini, Luiza Brina e Laura Lopes (em pé), Leonora Weissmann, Luana Aires e Deh Mussulini (no meio) e Leopoldina e Michelle Andreazzi (à frente) (foto: Henrique Bocelli/Divulgação)
São oito mulheres, todas jovens cantoras e compositoras atuantes em Belo Horizonte, reunidas num coletivo chamado A.N.A. – Amostra Nua de Autoras. Se juntar todas para fazer um espetáculo como o de hoje à noite no Teatro Bradesco, em Belo Horizonte, não foi tarefa das mais fáceis, gravar um bom disco como o que motiva esse show de lançamento, Ana, foi ainda mais desafiador. As formações vocais variam de faixa para faixa, sempre com pelo menos quatro vozes em harmonia. Já os arranjos para organizá-las, assinados por músicos de diferentes perfis, nem sempre passam pelos caminhos mais óbvios.

O coletivo foi idealizado por Deh Mussulini e Irene Bertachini em 2011 e a ele aderiram Laura Lopes, Leonora Weissmann, Leopoldina, Luana Aires, Luiza Brina e Michelle Andreazzi. Os shows que já fizeram pela cidade de lá para cá foram sempre com formações reduzidas (duplas), de maneira que a apresentação de hoje será a primeira com todas as oito cantoras ao mesmo tempo no palco. A banda é quase a mesma do disco, formada por Rodrigo Lana e Luísa Mitre (piano), Analu e Natália Mitre (percussão e marimba), Leandro César (violão) e Camila Rocha (baixo) – Deh e Luiza também tocam violão e Irene, flauta.

“Reunimo-nos por afinidade estética e fomos nos encontrando regularmente para compor de forma coletiva e pensar em aspectos mais amplos de linguagem e processo de criação, sempre com o olhar direcionado para o feminino. Não somos um coletivo feminista, tanto que vários homens participam do projeto. Apenas valorizamos um olhar mais sensível. As músicas tratam de assuntos como espiritualidade, o ato artístico, maternidade, crianças”, conta Irene.

No total, são 11 músicas, sendo que apenas as duas versões da faixa-título (uma abre, outra fecha o disco) não contam com letra – nelas, as cantoras fazem vocalises. A maioria das letras é assinada por duplas e outras cantautoras da capital mineira foram convocadas para colaborar, a exemplo de Déa Trancoso, Jennifer Souza e Brisa Marques. A propósito, Déa, que fez a canção Uroboro com Irene, fará participação especial no show de hoje.

Contraponto “Na maioria das vezes, os grupos exploram as vozes como uma cama harmônica, e nós procuramos fazer isso de maneira diferente, testando timbres, formações e contrapontos melódicos. A música norte-americana usa muito isso, apesar deste disco ser bem brasileiro. A instrumentação também é bem diferente, já que usamos marimba de porcelanato e as faixas não têm aquela base de baixo e bateria”, explica Irene. Isso fica claro em composições como Canção para mim, Inteira e Filho.

Músicos mineiros e cariocas se revezaram nos arranjos, a cargo de Joana Queiroz, Luiza Brina, Thaís Montanari, João Antunes, Aline Gonçalves, Felipe José, Rafael Martini, Rafael Macedo e Leandro César. Irene responde pela direção artística e Martini, pela musical. As sessões de gravação foram realizadas entre março e abril deste ano no estúdio Engenho, na capital mineira. Na ocasião, houve apenas uma participação especial, da cantora paulistana Ná Ozzetti, em Uroboro.

Irene garante que o público ouvirá no show resultado musical muito próximo do que foi conseguido no disco. O repertório do trabalho será repassado integralmente, as formações vocais de cada faixa serão mantidas e uma das alterações principais será a adição de baixo a todas elas. “A linguagem que nos une é a da música popular brasileira e, principalmente nas letras, a da música mineira. A gente dá mais volta, tem discurso poético mais subjetivo”, analisa ela.

A partir de amanhã, o coletivo volta a se desmembrar em duplas para os próximos shows (25/9, 20/10 e 11/12), todos no Teatro de Bolso Júlio Mackenzie do Sesc Palladium, na capital mineira. No momento, as cantoras tentam viabilizar apresentações para divulgação do disco também no Rio de Janeiro e em São Paulo. Circular fora da capital mineira é uma necessidade, conta Irene, que se alegra pelo fato de o A.N.A. ter inspirado o surgimento de coletivo feminino semelhante na capital fluminense. Enquanto isso, as oito mineiras seguem se encontrando para compor e outro disco deverá ser gravado ano que vem.


Ambiente criativo

Paralelamente ao calendário de atividades do A.N.A., cada cantora trata de tocar seus projetos individuais, invariavelmente influenciadas pela experiência de criação do coletivo. Deh Mussulini, por exemplo, está em estúdio e programa para outubro o lançamento de seu primeiro trabalho solo, intitulado Varanda aberta. “Fiquei encantada com a forma como usamos juntas a voz nesse projeto. Cada uma de nós tem influências diferentes e, quando vai ver, está usando esses elementos na sua própria música”, diz Deh.

Já Michelle Andreazzi havia trabalhado anteriormente com corais, mas também se surpreendeu com a complexidade dos arranjos vocais. Além disso, a vivência com as sete colegas lhe despertou um sentimento essencial. “Quando entrei para o A.N.A., comecei a afirmar para mim mesma que era compositora. Até então, não me apresentava assim, mas apenas como cantora, embora sempre tivesse composto. Passei a escrever mais e estar num ambiente criativo como esse me estimulou mais.” Além disso, a agrada mais a ideia de um conjunto de cantoras que a de uma diva ou estrela única no palco.

Ana
Show de lançamento do disco do Coletivo A.N.A. Hoje, às 20h30, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingresso: R$ 20, à venda na bilheteria do teatro ou pelo site www.ingressorapido.com. Informações: (31) 3516-1360.



• Quem é quem

» Deh Mussulini é uma das idealizadoras do A.N.A., participa do grupo Nem Secos e, atualmente, prepara-se para gravar seu primeiro CD solo.

» Irene Bertachini é coordenadora do projeto ao lado de Deh e produtora do festival Palavra Som. Já lançou o disco 'À Beira do dia' com o grupo Urucum na Cara e 'Irene preta, Irene boa' (seu primeiro solo).

» Laura Lopes lançou recentemente o disco 'Abaporu', classificado entre os 100 melhores álbuns brasileiros de 2012 pelo site Embrulhador.

» Leonora Weissmann é artista plástica e já lançou discos com os grupos Quebrapedra e Misturada Orquestra; também prepara seu primeiro álbum solo.

» Leopoldina já possui dois CDs lançados, 'Leopoldina-Dudu Nicácio' (com o cantor e compositor mineiro) e 'Leopoldina', sua estreia solo.

» Luana Aires é artista visual e participa do Projeto Saravá de Música Brasileira, pelo qual lançou o EP autoral 'Geraizêro do arraiá'.

» Luiza Brina é multi-instrumentista e lançou seu primeiro trabalho solo, 'A toada vem é pelo vento', em 2011.

» Michelle Andreazzi foi indicada ao 24º Prêmio da Música Brasileira pelo disco 'Semba', gravado com o grupo Capim Seco, o qual integra.

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