Pacífico Mascarenhas se prepara para os 60 anos do Sambacana

Cantor e compositor belo-horizontino se concentra também no lançamento de cinco CDs com o melhor da sua música

por Ailton Magioli 03/06/2014 09:29

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Euler Júnior/EM/D. A PRESS
"Minha música é do tipo que nunca vai fazer sucesso, mas que não deixa de tocar" Pacífico Mascarenhas, cantor e compositor (foto: Euler Júnior/EM/D. A PRESS)
Enquanto prepara as comemorações dos 60 anos do Sambacana, responsável pelo lançamento da carreira artística de Milton Nascimento, Joyce, Toninho Horta, Eumir Deodato e Wagner Tiso, entre outros, Pacífico Mascarenhas, de 78 anos, contabiliza cinco novos discos com repertório de sua autoria. “Minha música é do tipo que nunca vai fazer sucesso, mas que não deixa de tocar, já que o público é pequeno mas fiel”, diz o artista, verdadeira lenda viva da música belo-horizontina, responsável pela introdução da bossa nova na cena musical mineira.

De 'As praias do Pacífico', do Marzano Trio, a 'Bem-vindo ao Rio – Na Copa de 2014', de Miéle & Alberto Chimelli Trio, passando por 'Vem dançar comigo', de Carlos Barbaino, o Carlão; 'Gravado em casa', de Alberto Chimelli Bossa-Jazz; 'Cante comigo' – Americans in bossa nova, de Carla Villar & Alberto Chimelli Trio; e 'Dia sorrindo na Savassi', o cantor, compositor e instrumentista que conheceu João Gilberto na Diamantina dos anos 1950, quando este ainda ensaiava a batida e o canto da bossa nova, manda seu recado com a voz e instrumento de variados artistas.

Só na internet

 

De 1958 a 2014,  Pacífico Mascarenhas conta com o registro de sua música em 35 discos, entre LPs e CDs, enquanto prepara o sétimo lançamento em seis décadas de Sambacana. Responsável pelo primeiro disco independente do qual se tem notícia no Brasil – 'Um passeio musical', de 1958, que antecedeu o 'Feito em casa', de Antonio Adolfo, de 1977 –, Pacífico por pouco não teve uma de suas criações lançadas por João Gilberto. Gravada pelo papa da bossa, de forma artesanal, à base de voz e violão, Pouca duração, do compositor mineiro, acabou não entrando em disco nenhum de João, que chegou a disputar o lançamento da música com a então mulher, Astrud Gilberto.

 “A gravação do João está disponibilizada na internet”, anuncia, orgulhoso, Pacífico, que cuidou pessoalmente de mostrar ao mundo a criação dele na voz e violão do genial João Gilberto. Autor da denominada bossa mineira, de assumidas infuências do jazz norte-americano, há pelo menos 20 anos Pacífico Mascarenhas não encontra o ídolo. “Perdemos o contato”, lamenta, consciente da dificuldade de contato com João Gilberto, que ele pretende convidar para gravar um disco com canções de Milton Nascimento, rearranjadas por Eumir Deoato. “Só falta ligar para o João”, diz, empolgado, atribuindo ao amigo Armando Pitigliani a responsabilidade por agilizar o lançamento do CD, via gravadora.

Dos discos com sua música, que em Belo Horizonte podem ser encontrados em poucas lojas (Discoplay Discos Raros, Acústica Discos e Trem Azul), participam Os Cariocas, Renato Motta, Paula Santoro, Sérgio Santos, Gilberto Mascarenhas, Beto Lopes, Suzana e Bob Tostes, Marilton Borges, Alarme Falso, Affosinho, Cliff Korman Quartet, Luiz Eça Trio, Osmar Milito Trio e Alberto Chimelli Trio, entre outros, além do cantor Carlão, que ele diz ser “um novo” Emílio Santiago, e do showman Miéle.

Nomes falsos

 

Casado com Emília Margarida, pai de três filhos (Francisca Margarida, Carlos e Alexandre), Pacífico começa a vislumbrar o prosseguimento da música em família por meio de Ivon Francisco, um dos quatro netos, que toca piano. Autor de 175 canções, ele também vem fazendo versões de standards da música americana, aos quais já dedicou inclusive álbum duplo (Cante comigo), com direito a livreto com partituras e playbacks.
Testemunha da história da MPB, o compositor, que é diretor social do Minas Tênis Clube há 30 anos, lembra que, na época do primeiro disco gravado com a sua música, todos tiveram que adotar nomes fictícios. O cantor Gilberto Santana, por exemplo, virou Marcos Vinicius, enquanto o pianista Paulo Modesto transformou-se simplesmente em Paulinho – reflexo do preconceito de então com a carreira artística, como faz questão de lembrar Pacífico Mascarenhas.

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