Cantor americano Bobby McFerrin começa hoje sua turnê pelo Brasil

Na próxima terça-feira ele faz única apresentação em Belo Horizonte com seu quinteto

por Mariana Peixoto 30/05/2014 08:55

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Masterworks/Divulgação
Mesmo agradecido à canção que lhe deu três de seus 10 Grammys, Bobby McFerrin não vai cantar 'Don't worry, be happy' no Brasil (foto: Masterworks/Divulgação)
Uma única canção é capaz de definir toda uma carreira? Sim, basta perguntar a qualquer pessoa o nome de uma música do cantor americano Bobby McFerrin. A resposta, invariavelmente, será 'Don’t worry, be happy' (1988). Primeira canção à capela a alcançar o topo da parada da Billboard (posto que sustentou por duas semanas), foi gravada unicamente por ele. A polifonia é resultado de um trabalho no estúdio, em que diferentes registros de sua voz foram sobrepostos. Iniciados, no entanto, vão responder à pergunta acima com um sonoro e redondo não, vide a trajetória posterior de McFerrin, muito distante da música que lhe deu três dos 10 Grammy que já recebeu.

Aos 64 anos, o cantor nova-iorquino – um mestre da improvisação, que passeia com leveza entre o erudito e o popular – está mais uma vez no Brasil como atração do BMW Jazz Festival. De hoje a terça-feira coloca sua voz à prova em quatro shows: sexta-feira no Rio, sábado e domingo em São Paulo e terça-feira em Belo Horizonte. Em sua quarta edição, o evento chega a Belo Horizonte, para show no Cine Theatro Brasil. McFerrin se apresenta ao lado de quinteto de multiinstrumentistas formado por Gil Goldstein, David Mansfield, Armand Hirsch, Jeff Carney e Louis Cato. Sua filha, a também cantora Madison McFerrin, vai participar do show. Não custa lembrar que McFerrin é velho conhecido do público jazzista do país. Em 1985, antes de se tornar famoso, participou da primeira edição do saudoso Free Jazz Festival.

O tom da turnê atual é familiar, em mais de um sentido. McFerrin lançou em 2013 o álbum 'Spirityouall', cuja brincadeira no título dá um sentido mais amplo ao chamado spiritual. Uma das bases da música americana, remonta aos escravos, que entoavam canções de forte acento religioso, ora de maneira alegre, ora de forma triste, e com uma conotação política. Para McFerrin, o seu spiritual também foi uma forma de homenagear o pai, o barítono Robert McFerrin, o primeiro homem negro a cantar no palco do Metropolitan Opera. “Disciplina, reverência pela música e fé”, afirma ele sobre os ensinamentos do pai.

Para o repertório, selecionou canções que são standards do cancioneiro de seu país, como Swing low, sweet chariot, Fix me, Jesus e Every time I feel the spirit, estas três também gravadas por seu pai, no final dos anos 1950. Gravou ainda I shall be released, o hino de Bob Dylan que fala sobre um prisioneiro que anseia por liberdade. Das 13 faixas, McFerrin compôs cinco, como Jesus makes it good e Gracious. A interpretação é sempre emocionada, por vezes bem distinta do registro original, evocando palmas e a participação do público.

“Quando estou cantando, sinto o espírito de alegria, o clima de todos os integrantes da minha banda e das pessoas da plateia e de cada um que já tenha cantado uma das músicas”. Como a música de McFerrin pede pelo improviso, ele diz que o repertório está em aberto: “Tentamos ser flexíveis, deixando surpresas para cada palco.” Sempre felizes, sem preocupação, como prega a canção que não será ouvida na próxima terça-feira.

BMW JAZZ FESTIVAL
Com apresentação de Bobby McFerrin na terça-feira, às 21h, no Cine Theatro Brasil, Avenida Amazonas, 315, Centro, (31) 3222-4389. Ingressos: plateias inferior e superior, R$ 120 e R$ 60 (meia); plateia superior (últimas quatro fileiras), R$ 100 e R$ 50 (meia). À venda no local e também pelo 4003-2330 e www.ingresso.com


Jazz de peso

Ainda que seja Bobby McFerrin a estrela maior desta edição do BMW Jazz Festival, o evento, que começou na noite de ontem em São Paulo, traz outros pesos pesados do gênero – estes shows serão nas capitais paulista e fluminense. Há nomes consagrados e veteranos, como o pianista Ahmad Jamal e o contrabaixista Dave Holland, ambos  integraram diferentes formações que acompanharam Miles Davis. Também com uma trajetória entre os grandes do jazz, o saxofonista Kenny Garrett atuou ao lado de Herbie Hancock e Art Blakey. Já o trompetista Chris Botti é hoje o músico instrumental que mais vende discos nos Estados Unidos. Além deles, há outras duas grandes formações: a big band Snarky Puppy, do Brooklyn, estreante no país, e a Spok Frevo Orquestra, única atração brasileira no festival.


Três perguntas para...


Bobby McFerrin
Cantor

Seu instrumento é a voz, um instrumento vivo, que muda com o tempo. Sua voz modificou-se muito se compararmos com o início de sua carreira, mais de 30 anos atrás?
Meu alcance vocal é quase o mesmo, embora as notas mais altas sejam um pouco menos flexíveis. A maior diferença é quanto ao meu gosto. Hoje estou mais interessado em sons mais calmos.

Em 2002, quando o senhor interrompeu sua carreira, chegou a afirmar que havia feito tudo o que poderia como cantor. Depois de voltar à ativa, acredita que existam novos desafios pela frente?
Acho que parte do trabalho da maioria dos artistas é tentar descobrir o que vem em seguida. Momentos de dúvida são normais para todos e acho que ainda há desafios pela frente. E também alegrias.

Don’t worry, be happy é um divisor de águas em sua carreira. O que dizer para as pessoas que compram ingressos para um show do senhor imaginando que vão ouvir a canção?
Sou grato a essa canção e ao quanto ela significa para muitas pessoas. Mas, para mim, não é o auge do meu trabalho. É apenas uma música, com sete linhas vocais, que eu me diverti muito ao compor e gravar, que cantei – e ouvi também – tantas e tantas vezes que prefiro hoje cantar outras coisas. Sou grato às pessoas que vão me ouvir e tento recebê-las com o mesmo senso de alegria e liberdade que tenho quando estou cantando. Quero que eles saiam mais felizes e vivos do que quando chegaram. Quero também que eles componham músicas no café da manhã do dia seguinte. Para mim, esse é o ponto. Se o público sente alegria, eu fiz o meu trabalho.

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