João Bosco faz homenagem a Aldir Blanc em Belo Horizonte

Projeto 'Bom de se ouvir, bom de se Aldir' destaca a contribuição do letrista, poeta e cronista para a cultura brasileira

por Ailton Magioli 23/05/2014 09:35

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José Luiz Pederneiras/Divulgação
Parceiro de primeira hora, o mineiro João Bosco mostra algumas pérolas da dupla em show de voz e violão (foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação )
Você pode até não conhecer pessoalmente Aldir Blanc, o letrista e cronista carioca que fez história na MPB com sua parceria com o mineiro João Bosco. Mas, com certeza, já cantou ou assobiou alguns sucessos da dupla, tais como 'O bêbado e a equilibrista' e 'O mestre-sala dos mares'. Homenageado do projeto 'Bom de se ouvir, bom de se Aldir', o letrista vai ser alvo de três shows no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de sábado até 7 de junho, revelando aos fãs outras parcerias, além da mantida com João, que sobrevive inclusive às inevitáveis crises.


Presente apenas em off, já no show 'Compatibilidade de gênios', de João Bosco, Aldir Blanc promete revelar aspectos da rentável parceria com o cantor e compositor mineiro, com o qual fez mais de uma centena de canções, entre elas a que se tornou o “hino da anistia”, ao pregar, em plena ditadura militar, “a volta do irmão do Henfil” –o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, então no exílio. A seguir, o letrista terá outras parcerias cantadas por Zé Renato, no show 'A poesia com muitas notas', dia 31; e por Leila Pinheiro, que vai mostrar o romantismo de suas letras em 'Nas trilhas do coração', em 7 junho.

Enquanto João Bosco faz show acompanhado apenas do violão, Zé Renato e Leila Pinheiro terão a companhia de banda fixa, formada por Itamar Assiere (piano, arranjos e direção musical), Marcelo Bernardes (sopros), Lúcio Vieira (bateria), Alex Rocha (baixo) e Zé Carlos (violão e guitarra), com direito a novos arranjos para todas as músicas. Clássicos como 'Corsário', 'Incompatibilidade de gênios', 'O rancho da goiabada' e, claro, 'O bêbado e a equilibrista', estão no repertório do show de João Boasco, no qual o mineiro acaba sempre improvisando muito, por meio da própria voz e de seu instrumento.

Enquanto João exibirá a rentável parceria dele com Aldir Blanc, Zé Renato vai estender o trabalho do letrista a músicos como Cristóvão Bastos ('Resposta ao tempo'), Guinga ('Chá de panela'), Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro ('Saudades da Guanabara'), além de revelar outras parcerias menos conhecidas, como 'Aquele um' (com Djavan) e 'Amigo é pra essas coisas' (com Sílvio da Silva Júnior), que alguns ainda hoje atribuem a Vinicius de Moraes. Intérprete versátil, o boca livre Zé Renato foi escolhido para o show exatamente para cantar do samba ao choro, passando pelo romantismo de algumas canções de Aldir e parceiros.

Leila Pinheiro também era uma escolha natural. Ela é a cantora que mais gravou e canta Aldir Blanc – depois de Elis Regina – tendo dedicado um álbum inteiro, Catavento e girassol, à parceria de Aldir com Guinga. Além do letrista romântico, de Dois pra lá, dois pra cá, com João Bosco; Causa perdida, com Rosa Passos; e a própria música que batiza Catavento e girassol, a intérprete também promete destacar o Aldir escritor, cujas letras de Bala com bala e Querido diário, da parceria com João Bosco, revelam-se verdadeiras crônicas do cotidiano.

 

Discreto charme do poeta

 

Concebido pela jornalista Gisele Kfouri, filha da cantora Solange Kfouri, 'Bom de se ouvir, bom de se Aldir' é projeto antigo da produtora, que se diz tiete do artista carioca, do qual foi vizinha na época de faculdade. “Tinha o sonho de homenageá-lo como letrista e cronista”, diz a jornalista, lembrando que, em 1983, a própria mãe conseguiu levar para o palco os principais letristas brasileiros, por meio do projeto 'Poeta mostra sua cara'.

“Desde então, Aldir contribui com os nossos projetos, mas não participa pessoalmente dos shows, por não gostar de palco”, relata Gisele Kfouri. Ela lembra que em início de parceria com João Bosco, o letrista chegou a tocar bateria em apresentações. Restrito a BH, por enquanto, o projeto, de acordo com a idealizadora, poderá até ser desmembrado para que os shows cheguem a outras cidades.


TRÊS PERGUNTAS PARA...
Aldir Blanc
Compositor
Você e João Bosco se conheceram em um dos períodos mais férteis da MPB, quando o país vivia uma ditadura. Até que ponto aquela situação, com toda dramaticidade que ela carregava, contribuiu para a obra?
Bom, contribuiu no sentido de que era preciso usar uma espécie de linguagem em códigos para as letras passarem pela censura. Como, por exemplo, em O mestre-sala dos mares, O rancho da goiabada, Caça à raposa, Galos de briga, O ronco da cuíca.

O que faz com que algumas dessas músicas, mesmo feitas no calor da hora, não carreguem o peso de serem datadas?
Sem querer ser pretensioso, acho que o tal ranço não existe porque nós nos esforçávamos para fazer o melhor possível e não meros panfletos. Mesmo assim, aconteceram algumas babaquices gratuitas, com críticos dizendo que éramos obcecados por “violência inexistente”. Que canalhice, né? "Inexistente", porra?!?

A essa altura ainda há a parceria a ser feita? Será que há uma hora de parar?
Há muita coisa que pretendemos fazer. Tanto eu e João Bosco como com outros parceiros. Somos compositores profissionais e nos orgulhamos disso! Como reza a lenda sobre Noel Rosa, pretendo morrer esticando a mão para escrever os últimos versos.

 

 

COMPATIBILIDADE DE GÊNIOS – JOÃO BOSCO & ALDIR BLANC
Sábado e domingo, às 19h, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, 450, Funcionários. Show de
voz e violão de João Bosco. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Informações: (31) 3431-9400.


PRÓXIMAS ATRAÇÕES
>> Dia 31 – A poesia com muitas notas – Aldir Blanc e seus ilustres parceiros
Com Zé Renato e banda

>> 7 de junho – Nas trilhas do coração – A sensibilidade do letrista e escritor
Com Leila Pinheiro e banda

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