Consagrada no cavaquinho, Luciana Rabello solta a voz no disco 'Candeia branca'

Instrumentista apresenta dons vocais e revela que a madrinha Elizeth Cardoso foi uma das incentivadoras

por Ailton Magioli 18/05/2014 12:11

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O cavaquinho de Luciana Rabello é velho conhecido do público – das performances solo àquelas em companhia de gente como Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Nana Caymmi, Nara Leão e Dominguinhos, entre outros com quem ela fez shows e gravou. A voz, no entanto, era privilégio de poucos. Em lançamento da Acari Records, 'Candeia branca', o segundo CD solo da instrumentista, revela não apenas o timbre de voz grave e agradável, mas também a compositora, não por acaso em parceria com o marido, o poeta e letrista Paulo César Pinheiro.

“Demorou”, reconhece Luciana. “Elizeth Cardoso me cobrava, dizia que eu não podia esconder minha voz”, orgulha-se, ao se referir à convivência com a mestra. “Acontece que sou muito envolvida com o choro, ele acabou tomando uma proporção grande demais na minha vida”, justifica a instrumentista, compositora e cantora, há 14 anos à frente da carioca Escola Portátil de Música ao lado de Maurício Carrilho e Pedro Aragão. “Assim como o choro é coletivo, meu espírito também é”, explica Luciana, que também divide com Carrilho o comando da gravadora Acari Records.

Sandra Santos/Divulgação
Luciana Rabello se revela cantora e compositora em 'Candeia branca' (foto: Sandra Santos/Divulgação)
Em 14 anos, a Acari lançou cerca de 60 títulos, entre eles apenas dois de Luciana Rabello: um instrumental e o recente, de canções. “Se somar quem gravei só na Acari, passa de mil fonogramas. Desses, apenas 26 são meus”, contabiliza, referindo-se aos 12 do primeiro disco e aos 14 do novo CD. O número não é significativo, admite. “Não acho que sou a coisa mais interessante do mundo”, desconversa ela sobre a carreira como cantora.

Marido
Luciana revela que só decidiu gravar 'Candeia branca' para registrar a parceria com o marido. Afinal, repara, são 29 anos de casamento. “Seria uma desconsideração não gravar essas canções”, justifica. À exceção de 'Teu amor', que assina sozinha, ela divide com Paulo César as outras faixas: 'De onde veio o samba', 'Seu Catirino', 'Canto guerreiro', 'Em cada mágoa existe um samba', 'Luz fria', 'Sem pedir licença', 'Flor d’água', 'Candeia branca', 'Estigma', 'Um triste olhar', 'De bem com o amor', 'Martelo da justiça' e 'Queda de braço'.

Do samba afro ao tipicamente carioca, passando por samba-canção, valsa, maculelê e baião, a intérprete exercita o canto em companhia dos instrumentistas Celsinho Silva (pandeiro e percussão), Maurício Carrilho (violão), Cristovão Bastos (piano e arranjo) e João Lyra (arranjos, violão e viola), entre outros. Dori Caymmi (voz, violão e arranjo) faz participação especial na valsa Flor d’água.

O coral do vovô
Irmã do violonista Rafael Rabello e da cantora Amélia Rabello, Luciana Rabello afirma que o canto está presente em sua vida desde a infância. “Meu avô me ensinou a tocar violão dos 5 para os 6 anos. Como ele era regente de coro, acabou criando um coral com os netos. Eu era a mais nova”, diverte-se. Na opinião dela, tocar não difere de cantar. “São técnicas diferentes, mas tudo é música”, afirma Luciana, que prefere se autointitular como “compositora que canta”. E avisa: “Amélia é a cantora da família”. Toda a prole de nove irmãos (seis mulheres) participava do coral criado pelo avô.

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