CD Zens, do grupo Zurawski Ensemble, chega ao Brasil

Sexteto mescla músicos brasileiros e europeus e apresenta uma mistura de música de câmera, brasileira e portuguesa

por Kiko Ferreira 11/05/2014 06:00

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Luciana Cristhovam/Divulgação
Zurawski Ensemble faz a ponte entre a música de câmara e a tradição popular de Brasil e Portugal (foto: Luciana Cristhovam/Divulgação)
Quem procura saber o que ocorre com o sotaque, a alma e a forma de fazer música dos brasileiros que vão de mala, cuia e instrumentos para Portugal encontram uma boa pista no CD Zens, do grupo Zurawski Ensemble, que chega ao Brasil dois anos após seu lançamento europeu. Fundado e comandado pelo guitarrista, vocalista, arranjador e diretor musical Sérgio Zurawski, o sexteto mescla músicos brasileiros e europeus e apresenta uma interessante mistura de música de câmera, brasileira e portuguesa.

 Morando em Portugal desde 2001, Ségio nasceu em São Paulo em 1959 e é profissional desde 1977. Tocou  muita gente de estilos diferentes, como Gilberto Gil, Toquinho, Sebastião Tapajós, Raul Seixas, Xangai e Gonzagão. E foi fiel acompanhante de Belchior entre 1987 e 2000, em shows e em 10 discos. Atuou como músico de estúdio, fez trilhas para cinema, teatro, dança e TV em trabalhos de diretores do nível de Gabriel Vilela, Flávio Rangel, Wolf Maia e Fauzzi Arap. Com a banda Radar gravou dois discos, Radar (1988) e Cancioneiro (1992), mais dois discos instrumentais solo, América zen (1998) e Pulsares (2005).

O sexteto atual, fundado em 2006, funde a paixão do fado com a alma brasileira e dá continuidade a um trabalho iniciado no Brasil , na década de 1980, com o grupo Doce Loucura. A base do repertório mescla obras dos brasileiros Branco Assumpção, Estela Flores e Eduardo de Laet com as parcerias do próprio Sérgio com o poeta e letrista português Tiago Torres da Silva.

Formado com Cazé Costa (violoncelo), Manuel Luís Cochofel (flauta), Pedro Zurawski (guitarra elétrica), Kay Limak (guitarra clássica), o Ensemble reflete os trabalhos mais recentes de Zurawski. Ele toca com o excelente grupo português Madredeus (a cantora Carla Santos é a maior semelhança) e com o grupo Couple Coffe, que participa do álbum, além de ter trabalhos ao lado de Filipe Mukenga, Raul Índipwo e André Minga, entre outros. E estabeleceu, em 2011, parceria com a produtora do mineiro Alfredo Piula para trabalhos de trilhas e comerciais.

Com 12 temas originais e duas releituras, o CD apresenta uma sonoridade que remete ao início do trabalho solo de Ney Matogrosso, principalmente o álbum Água do céu – Pássaro. Pode ser apenas coincidência, mas as duas faixas não originais remetem diretamente a Matogrosso. Bodas, de Milton Nascimento e Ruy Guerra, foi interpretada com paixão semelhante pelo cantor. E a outra, Medo mulato (João Ricardo e Paulo Mendonça), veio diretamente do segundo álbum do trio Secos e Molhados. Portanto, numa classificação rápida, o disco ficaria bem numa prateleira entre os álbuns do Madredeus, de Ney e dos Secos e Molhados.

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