O Rappa faz única apresentação neste sábado, em Belo Horizonte

Show que terá antigos sucessos e canções do novo álbum. Banda mantém letras com forte pegada política

por Mariana Peixoto 10/05/2014 06:00

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Gabriel Wickbold/Divulgação
Com 21 anos de carreira, o Rappa, com Falcão nos vocais, marca posição na música pop com discurso crítico e engajado (foto: Gabriel Wickbold/Divulgação)
Montar repertório é algo que parece simples para quem assiste de fora. O público sabe que os sucessos de uma banda ficarão para a parte final do show, que haverá algumas novas no miolo e que no momento das lentas, se a apresentação esfriar, será hora de ir ao banheiro ou entrar na fila da cerveja. Para um grupo com uma trajetória considerável e alguns hits colecionados ao longo dos anos, esse cálculo obedece a alguns critérios. Podem tirar canções há muito esquecidas, rearranjar músicas já batidas e, à medida que a turnê ganha a estrada, fazer os devidos arranjos, pois esse repertório já está definido. Mas com O Rappa é tudo diferente.

Quando Marcelo Falcão (vocal), Xandão (guitarra), Lauro Farias (baixo) e Marcelo Lobato (teclados) subirem nesta noite no palco do Expominas, nada estará definido. Os quatro integrantes da celebrada banda carioca não têm repertório (o famoso set list) predefinido. Decidem o que vão apresentar na hora, dependendo do calor da plateia. Canções ganham novos arranjos no palco, podem ser alongadas ou diminuídas. Com 21 anos de carreira, a banda – que hoje se completa com os músicos de apoio Felipe Boquinha (bateria), Marcos Lobato (teclados) e o DJ Negralha – faz shows disputados, porque eles são únicos.

Duram, em média, três horas. Logicamente há algumas canções que os integrantes sabem que não podem deixar de apresentar. Pescador de ilusões, lá dos primórdios, é uma delas. Homem amarelo também é obrigatória, porém a banda se deu ao luxo de tirar da atual turnê, Nunca tem fim..., Minha alma (A paz que eu não quero), canção-icônica de seu repertório. Lançado em outubro, Nunca tem fim..., primeiro álbum de inéditas em cinco anos, já emplacou algumas canções: Anjos e Auto-reverse são algumas delas, que estarão nesta noite. Mas a que horas e de que maneira, nem mesmo os músicos sabem.

Outra certeza quanto a um show d’O Rappa é a parte visual. Uma das primeiras bandas a investir em projeções, já que se tornam um complemento visual para toda a sua verborragia, agora deu um passo além. Seus shows utilizam o chamado videomapping, que de forma mais simples consiste na projeção de vídeo em superfícies irregulares, geralmente de grande porte.

Hoje as projeções têm profundidade, algo próximo do 3D. Uma evolução e tanto para uma banda que nos primeiros shows utilizava o grafite como principal recurso visual. “Tudo isso nos fez chegar aos 21 anos de carreira com uma vontade tremenda de continuar no palco, um espaço em que temos tanto liberdade para ensaiar quanto para produzir novos arranjos. Isso é muito importante para um músico, pois não dá para se repetir todas as noites”, afirma Xandão em entrevista ao Estado de Minas.

Fala, Xandão!


Protesto – Fico surpreendido que depois de duas décadas (de banda) nossas letras (antigas) são tão atuais. De certa forma é triste, já que a maioria delas fala sobre contexto social. São duas décadas de discurso e tudo, principalmente a falta de educação e saúde, continua na mesma. Vamos ter que continuar. Agora, essa persistência está no DNA do brasileiro. Por outro lado, hoje quem vai nas matinês são os filhos dos nossos amigos, o que mostra que o discurso d’O Rappa é contundente para a nova geração. Não é questão de dizer que o nosso discurso é melhor, mas não vejo hoje bandas novas com discursos tão impactantes. Gostaria de ver mais bandas como O Rappa.

Diferenças –
Nós quatro somos diferentes, até no gosto musical. Eu, por exemplo, não escuto quase nada de hip-hop, coisa que o Falcão ouve demais. Gosto de rock, música clássica, jazz. Já tive banda de música africana, assim como o Lobato. Acho que é por causa dessas diferenças que conseguimos produzir uma música diferenciada. Até para mim é difícil dizer com o que O Rappa se parece. Tenho meu estúdio e um selo (Caroço) em Curitiba. Na primeira conversa que tenho com uma banda nova, pergunto do que os caras gostam. Quando dizem, falo para quebrarem todos os discos e jogar fora. Músico é muito influenciado. Como cada um gosta de uma coisa, n’O Rappa nunca teve isso, tanto que é difícil nos rotular.

Separação –
A banda hoje tem muito mais tempo da segunda formação do que da anterior (com Marcelo Yuka, que durou de 1993 a 2001). Em 20 anos, nunca tiramos férias, então os dois anos em que ficamos parados (2010 e 2011) foram extremamente importantes para nós. Tínhamos abandonado nossas vidas pessoais, o que de certa forma prejudicou também a banda, pois acabamos tendo mais diferenças no trabalho. Ou seja, essa parada foi fundamental até para poder compor Nunca tem fim..., pois conseguimos separadamente, cada um com seu estúdio em casa, trabalhar pela primeira vez dessa forma. Quando entramos no estúdio para gravar, já no final, tivemos uma grata surpresa.

Fé – O novo disco fala de fé, que muita gente confunde com religião. São totalmente diferentes. Fé a gente conquista por meio da persistência, de conquistas. Hoje, a gente vê a quantidade de igrejas existentes, novas religiões, e a única coisa que as une é a fé. Anjos (para quem tem fé) é uma letra que o Falcão escreveu para um caso específico, de uma tia que estava sofrendo de câncer. Mas ela acabou se tornando mais ampla, pois quando a tocamos para um público de 8 mil pessoas, cada um tem a sua própria história. Quando se fala de fé, a gente não pode olhar só para o nosso umbigo, ainda mais num país com tanta dificuldade.

O RAPPA

Show hoje, às 22h, no Expominas, Avenida Amazonas, 6.200, Gameleira. Abertura dos portões: 19h. Ingressos: pista, 4º lote: R$ 140 e R$ 70 (meia); pista premium, 2º lote: R$ 160, 3º lote: R$ 180. Informações: www.centraldos
eventos.com.br

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