Som antigo e contemporâneo deve marcar Primeira Semana do Cravo da UFMG

Evento tem objetivo principal de avançar na criação do curso de cravo na Universidade. Hoje as referências na área acadêmica estão em São Paulo e no Rio de Janeiro

por Ailton Magioli 05/05/2014 10:20

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UFMG/Divulgação
Felipe Silvestre vai tocar peças barrocas e de autores modernos (foto: UFMG/Divulgação)
A realização, a partir desta segunda-feira, na Escola de Música e no Conservatório UFMG, da Primeira Semana do Cravo da UFMG promete trazer à tona não apenas a importância do instrumento na cena musical barroca mineira, mas também a sua relevância para as novas gerações. Como ressaltam os próprios cravistas, por mais que o instrumento esteja associado à música antiga, o repertório contemporâneo do cravo é expressivo, como vai mostrar o evento. Em pauta, também, estudos e publicações sobre o repertório ibérico barroco e clássico para tecla e suas conexões com a música colonial brasileira, além de aspectos ligados à construção, manutenção e reparo do instrumento.


Para o cravista e professor Eduardo Ribeiro, coordenador-geral da Semana do Cravo, o conteúdo da programa equivalerá a um semestre letivo de estudos do instrumento. “Tudo com a participação de instrumentistas de renome e com custo praticamente zero para os estudantes.” Além de master classes e concertos, os participantes poderão acompanhar o Simpósio do Cravo na Atualidade.

O coordenador diz que o objetivo do evento é avançar na criação de um curso de cravo na UFMG. De acordo com Eduardo, apesar de a Escola de Música ter o instrumento, ele só é usado em concertos. “O cravo é muito utilizado por aqui, mas não há curso específico para o instrumento na escola.” Ele lembra que os interessados em se aprofundar no estudo do cravo têm de se deslocar para Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, onde há cursos especializados, além do exterior.

No Brasil, o grande nome do instrumento, na avaliação do coordenador, é o carioca Roberto de Regina, de 87 anos. Responsável pela construção do primeiro cravo no país, ele também foi autor da gravação dos dois primeiros discos de cravo e música antiga no Brasil, além de criar o primeiro grupo para o instrumento no país. Em Belo Horizonte, uma das maiores autoridades do instrumento, que fará concerto na programação da semana, é Felipe Nabuco Silvestre, responsável pela criação e direção do Ensemble Barroco Europeu, integrado por jovens músicos portugueses, alemães, italianos, franceses, austríacos e ingleses.

FUTURO Olhar para o passado é bom, mas há que se apontar para o futuro, adverte o professor Edmundo Hora, da Unicamp, que vai fazer a palestra inaugural do Simpósio do Cravo na Atualidade, quinta-feira, às 10h, no Conservatório UFMG. Especialista em música barroca e instrumentos de teclado do século 18, Edmundo tem-se mostrado preocupado com a abordagem tradicionalista do cravo, diante da própria natureza do instrumento. O primeiro curso de graduação em cravo do país data da década de 1980, na Unicamp, período em que a música popular passaria a influenciar a música erudita, inclusive no instrumento. “Com isso, houve não só um crescente número de cursos, como também na produção de obras para o cravo”, informa Edmundo Hora.

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