Festival Internacional de Acordeom tem segunda edição em BH na semana que vem

Evento, que reúne instrumentistas de vários países, faz homenagem ao músico Sivuca

por Eduardo Tristão Girão 02/05/2014 07:00

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Lucille Reyboz/Divulgação
O acordeonista francês Daniel Mille é uma das atrações do 2º Festival Internacional de Acordeom (foto: Lucille Reyboz/Divulgação)
Mantendo o número de atrações do ano passado e o ecletismo como característica principal da programação, o Festival Internacional de Acordeom (FIA) chega à segunda edição com artistas nacionais e internacionais tocando durante quatro dias em Belo Horizonte, de 8 a 11 deste mês. Brasileiros, argentinos, italianos, franceses e norte-americanos passarão pelo palco do Sesc Palladium, deixando o encerramento para o Parque Municipal, onde grande concerto gratuito reunirá a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e o acordeonista Toninho Ferragutti em torno da obra de Sivuca, o homenageado deste ano.

“Estrangeiros e pessoas de outros estados estão vindo para Belo Horizonte só por causa do festival, incluindo um grupo de eslovenos e o dono da fábrica de acordeom Borsini, da Itália. Muitos têm entrado em contato conosco para saber mais informações. Os músicos que tocaram na edição passada comentaram com colegas quando voltaram daqui e quando estive novamente no festival de acordeom de Castelfidardo, na Itália, percebi que muita gente já conhecia nosso evento”, conta Célio Balona, diretor artístico do FIA.

Ao lado da produtora Rose Pidner, ele responde pela curadoria do festival. Os contatos com artistas começaram a ser feitos em novembro passado, já que alguns passam parte do ano viajando por festivais de vários países. Entre os brasileiros, pinçaram, além de Toninho Ferragutti, o cearense Adelson Vieira (que aposta na sonoridade nordestina), os gaúchos do Quinteto Persch (cinco acordeons tocando música de câmara) e no jovem mineiro Léo Magalhães, que recentemente trocou a cena forrozeira pela instrumental.

De fora virão Renzo Ruggieri (Itália; tocará com mineiros), Cory Pesaturo (Estados Unidos; contará com participação especial da violinista Mari Black), Daniel Mille (França; no palco com o violonista Yamandu Costa e o violinista Nicolas Krassik) e Dino Saluzzi Quinteto (Argentina; o bandoneonista de 79 anos tocará em família). “Esse time que estamos trazendo agora é o crème de la crème do cenário mundial. Estamos fazendo um festival no nível dos que são feitos na Europa”, acrescenta Balona.

Por enquanto, o evento continua praticamente restrito aos shows, sem programação adicional de cursos, oficinas ou palestras – na tarde do dia 9, alunos da rede pública de ensino participarão de ensaio de alguns artistas, quando poderão interagir com eles e ver de perto como funciona o acordeom. Antes da primeira atração de cada dia, sempre das 19h às 20h, músicos locais como Lucas Viotti e Toninho Oito Baixos farão shows no foyer do Sesc Palladium (exceto domingo). No mesmo local será montada banca com discos de acordeonistas, incluindo dos que se apresentarão no festival.

“O acordeom teve fase áurea no Brasil nos anos 1950 e 1960. Antigamente, toda família tinha alguém que tocava o instrumento. Com a bossa nova, ele foi trocado pelo violão. O acordeom perdeu espaço, ficando como coadjuvante, no fundo do palco, relegado a segundo plano. Com músicos como Dominguinhos, Oswaldinho, Orlando Silveira, Sivuca e Toninho Ferragutti ele começou a ser reerguido, inclusive com possibilidade de ser instrumento de ponta na cena instrumental”, analisa Balona, que também é acordeonista.

Fronteiras

“O acordeom cada vez mais se torna um instrumento ‘normal’. Tem qualidades maravilhosas e muitos músicos estão se aprofundando na sua alma, com interesse técnico na junção do seu timbre com vários outros instrumentos e voz. É instrumento de frente de vários gêneros, que se confundem com o próprio país, povo e regiões, como França, o povo cigano e as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, mas ao alcançar os grandes centros ele tende a se universalizar e isso vem ocorrendo bastante”, analisa Ferragutti.

O acordeonista, um dos principais do país, esteve na edição passada do festival e retorna com missão importante: tocar com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais seis peças que o também acordeonista Sivuca escreveu para essa formação, como 'Feira de Mangaio' e 'João e Maria'. “São, em sua maioria, músicas conhecidas do público, mas que ao receber tratamento sinfônico aproximam o público desse universo, agregando imponência e grandeza. É um concerto muito bonito, um pouco raro de se ver”, adianta. O maestro será Osman Gioia, que regeu esse mesmo programa, registrado no disco 'Sivuca sinfônico'.

Outra atração de destaque entre os artistas nacionais é o Quinteto Persch, formado por cinco acordeonistas gaúchos. A proposta é difundir o acordeom por meio da música de câmara. “O instrumento tem uma grande gama de timbres, intensidade, extensão e sonoridade. Além disso, trabalhamos com um instrumento denominado acordeom baixo, que é basicamente utilizado na música de câmara como se fosse um contrabaixo ou violoncelo”, esclarece Adriano Persch, um dos integrantes do grupo. No repertório, obras de Guerra-Peixe, Carlos Gomes, Piazzolla, Khatchaturian e Mussorgsky.

Estéticas

Definir um único estilo para caracterizar o próprio trabalho é tarefa difícil para alguns dos acordeonistas estrangeiros que estarão no festival. “Definiria meu estilo como ‘improvisação’, já que não gosto de tocar apenas um, mas todos os estilos. O que conecta tudo isso é o improviso, quando você realmente entra na música e se apropria dela”, diz o norte-americano Cory Pesaturo. Tendo a violinista Mari Black (outra entusiasta do ecletismo) no palco, promete ir do clássico à música brasileira, passando pelo jazz, é claro.

Já para o italiano Renzo Ruggieri, que tocará peças autorais e temas famosos de seu país com banda de mineiros, seu jeito de tocar pode ser descrito como jazz italiano – ou livre improvisação. “Sigo dois caminhos. Em um me aprofundo em células melódicas que uso para improvisar, procurando tensão musical em dinâmica, contrastes, técnicas. No outro vou para o palco ou estúdio e simplesmente toco. Não sei o que é, mas toco”, explica.

Fole e eletrônica

Para a edição do ano que vem, adianta Célio Balona, já está sendo cotada a vinda do acordeonista francês Richard Galliano, expoente mundial do instrumento. Além disso, o diretor artístico do FIA quer também trazer atrações que trabalhem com acordeom e música eletrônica, a exemplo do que fazem os grupos Gotan Project e Bajofondo.

PROGRAMAÇÃO

» Dia 8
20h30 – Adelson Viana (Ceará)
22h – Renzo Ruggieri (Itália), com participação de Fernando Merlino (piano), Milton Ramos (baixo) e Ramon Braga (bateria)

» Dia 9
20h30 – Léo Magalhães (Minas Gerais)
21h30 – Cory Pesaturo (Estados Unidos), com participação especial de Mari Black (violino)
22h30 – Daniel Mille (França), com participação especial de Yamandu Costa (violão) e Nicolas Krassik (violino)

» Dia 10
20h30 – Quinteto Persch (Rio Grande do Sul)
22h30 – Dino Saluzzi Quinteto (Argentina)

» Dia 11
10h – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Toninho Ferragutti (São Paulo) tocam Sivuca

2º Festival Internacional de AcordeoM
De 8 a 11 de maio. Os shows serão no Grande Teatro do Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420, Centro), às 20h30, e, no dia 11, domingo, no Parque Municipal (Av. Afonso Pena, s/nº, Centro), às 10h. Ingressos (por dia): R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Informações: (31) 3270-8100.

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