Maestro Roberto Tibiriçá conversa com o público mineiro no Espaço 104

Regente já esteve à frente de algumas das principais orquestras do país. Tibiriçá é conhecido como um dos maiores defensores da democratização da música clássica

por Eduardo Tristão Girão 30/04/2014 09:31

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Paulo Larceda/Divulgação
"Preocupa-se com a qualidade artística, o que é certo, mas é preciso pensar no público" Roberto Tibiriçá, maestro (foto: Paulo Larceda/Divulgação)
Roberto Tibiriçá atuou como maestro de várias orquestras sinfônicas do país, como a Brasileira (OSB), a do Estado de São Paulo (Osesp), a Petrobras Sinfônica e a de Minas Gerais (OSMG). Defensor da democratização da música clássica, criou projeto do gênero em sua temporada mineira, colocando no mesmo palco músicos que regia e astros da MPB. Dono de opiniões um tanto polêmicas, ele participa na noite desta quarta-feira de bate-papo com o público pelo projeto 'Retratos de artista', no Espaço 104, em Belo Horizonte, com entrada franca.


“Montar um concerto é uma arte”, afirma o maestro. “É que nem dar remédio para criança, tem que pôr um docinho junto. Uma sinfonia pesada de Bruch ou Mahler tem que ter antes uma peça que o público reconheça.” E continua: “No Brasil, não podemos nos dar ao luxo de não fazer isso. Preocupa-se com a qualidade artística, o que é certo, mas é preciso pensar no público. Já vi gente saindo no meio de concerto, e não era porque a orquestra tocava mal. Mas não se pode dar açúcar toda hora. É preciso saber dosá-lo e essa é a arte”.


Na avaliação de Tibiriçá, música boa não pode ser distinguida por gênero ou época e a definição do que é clássico é diferente da habitual. “A música popular brasileira, por exemplo, é muito rica, cheia de clássicos, e dá para fazer muitos arranjos com eles. A música quando é boa pode ser samba, tango. A Filarmônica de Berlim toca 'Tico-tico no fubá' com o Daniel Baremboim, que é o cara mais poderoso do mundo na música erudita. Isso é clássico. Quem vai dizer que Queen com Freddie Mercury não é classico?”, provoca.

Neném Quando esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais – cargo que deixou no fim do ano passado –, Tibiriçá criou o projeto Sinfônica Pop, pelo qual vieram a Belo Horizonte para concertos em conjunto artistas como Nana Caymmi, João Bosco e Zizi Possi. “É claro que tem hora para tudo”, ressalta. “No caso dos concertos no Parque Municipal, é preciso levar o que o povo gosta. Também é possível convidar um artista como o Egberto Gismonti, que é um gênio.”


O “maestro careta”, como gosta de dizer, é um dos maiores adversários da popularização do repertório clássico. A disciplina e a hierarquia continuam sendo vitais para o funcionamento de uma orquestra, estabelece, mas a figura do maestro carrancudo e fechado a novas ideias continua, em nada ajuda a renovar o público dos concertos. “O mundo mudou, a época é de globalização total. Hoje, o neném já nasce com o celular na mão. Nosso maior papel é o de formação de plateia”, afirma.

 

 

Retratos de artista: Molduras do pensamento
Conversa com o maestro Roberto Tibiriçá. Quarta, às 19h30, no Espaço 104 (Praça da Estação, 104, Centro). Entrada franca, mediante ordem de chegada (o local abre às 18h). Informações: (31) 3037-8691 e (31) 9979-3372 ou nos sites  www.retratosdeartista.blogspot.com.br e www.facebook.com/retratosdeartista

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