Separado de Metal, MC Cego lança carreira solo

Autointitulado criador do movimento brega-funk, o MC lança disco e ver hits fazendo sucesso pelo país

por Diário de Pernambuco 29/04/2014 09:35

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Debora Rosa/Esp EM/D.A Press
(foto: Debora Rosa/Esp EM/D.A Press)
O dinheiro empurrou Hugo Sena, o MC Cego, para o brega em 2009. E ele caiu faturando. Agora, o ex-parceiro de Metal se lança em carreira solo com o álbum 'Vai se acostumando' e se firma como dos principais nomes do brega-funk, movimento que funde estilos, surgido na periferia. Mas, até aqui, a energia criativa do rapaz era posta nos "raps de realidade", feitos sob a batida do funk. Falar das mazelas sociais, contudo, não pagava as contas, e a vida de vendedor de milho na feira de Casa Amarela não lhe apetecia mais. Foi quando compôs 'Melô do amigo safado', um “feat” (parceria) com a Banda Lapada.

A junção foi decisiva. “O brega era muito lento. Decidi jogar um tambor de funk e acelerar”, diz Cego, 24, autointitulado criador do brega-funk. A autoria, aqui e ali, é contestada, mas registros no YouTube reforçam o pioneirismo no gênero. Cego, que largou a escola na sétima série do ensino fundamental, mostra senso de humor afiado, sacana e cercado de tensão sexual, copiado e bastante criticado por setores conservadores da indústria cultural.

A primeira composição a estourar nacionalmente foi a polêmica 'Posição da rã', com a banda Aviões do Forró, em 2011. “Me ofereceram R$ 20 mil. Aceitei na hora”, lembra. A canção atraiu os olhos da mídia, o que gerou uma onda de preconceito. O termo “novinha” e as incitações sexuais nas letras levaram a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) a investigá-lo, a pedido do Ministério Público, sob suspeita de apologia à pedofilia. Nada ficou provado e as idas e vindas à delegacia são vistas, hoje, com bons olhos. “Me ajudou a aparecer”, acredita.

Seguiram daí as estouradas 'Tá querendo o quê, novinha?', na voz do Forró Pegado, e Topando tudo, hit com Wesley Safadão - que também canta o novo single, Subidinha. As faixas foram “detectadas” por olheiros, figuras cuja missão é caçar tesouros para as bandas de forró. Tudo graças à internet e aos mais de dez clipes captados por Jozart e pela Pro Rec, produtores especializadas no segmento. O canal que as hospedou, Thiago Gravações, com mais de 11,7 milhões de visualizações, concentra e dá gás às produções do gênero local.

Teresa Maia/D.P./D. A. Press
A "posição da rã" dos bailes virou música na parceria de Metal e Cego, agora desfeita. (foto: Teresa Maia/D.P./D. A. Press)
E, às custas da rede, a indústria do brega cresce. Cego, também. Com o surgimento das casas noturnas endereçadas ao estilo, a agenda de shows ficou disputada. São mais de 25 apresentações por mês, cada uma ao custo de R$ 3 mil. Os lucros podem ser maiores, como quando a cantor abriu mão do cachê para ganhar em cima da bilheteria em um show na Paraíba. Diz ter faturado R$ 50 mil em uma noite. Dinheiro para custear equipe de 13 pessoas, entre balé, DJ, seguranças e produção, além de bancar as mais de 10 mil cópias de CD distribuídas a cada 15 dias nas carroças de CDs piratas.

O cantor - embora adepto da ostentação absorvida do funk paulista - leva vida simples. Não lembra nem de longe a figura de joias exuberantes e roupas de marca dos palcos. Vive em prédio popular, em Cajueiro, na Zona Norte do Recife, ao lado da mulher e da filha, e esconde a marra característica em cena. Escreve músicas como quem fala e, revela, tem vocação para brilhar. “Nunca fui atrás de sucesso. Sempre estive na cabeça dele”.

Vida de cego

Separação

Depois de idas e vindas, Cego optou por desfazer a dupla com Metal, parceiro desde 2009. O rompimento foi no início deste ano. Cego alegou divergências profissionais.

Eu gosto de cantar…

Maior inspiração na hora de compor, as noites de shows renderam letras como a Posição da rã, “uma dança louca” feita no meio da multidão. A temática recorrente é o sexo. Eita carai, novo single, foi criada ao vivo, em uma festa.

Se vira nos 30

Não há ensaios. Cego só vai ao estúdio para gravar. E os shows duram, em média, 1h20. O repertório vai conforme o MC decide e informa ao DJ. As músicas novas são experimentadas na hora e contam com os ajustes do público.

Cheio de estilo

A indumentária de Cego é uma atração à parte. Vaidoso, comprou um colar imenso em formato de mapa do Brasil no Rio de Janeiro e o relógio, nos Estados Unidos. O guarda-roupa é formado por peças Calvin Klein. Já os óculos escuros, compra no centro da cidade.

entrevista >> MC Cego

“Todo mundo abraçou o brega”

Debora Rosa/Esp EM/D.A Press
(foto: Debora Rosa/Esp EM/D.A Press)
O movimento brega-funk está enfraquecido?

Não acho. O que acontece é que o sertanejo está muito forte, mas não chega até onde estamos. E, quando as coisas parecem frias por aqui, no interior do estado, estamos forte. Aí vem uma banda de forró, grava uma música nossa e joga a gente para cima de novo.

Você acredita ser o principal nome do gênero no estado hoje?

Sou o principal criador, com certeza. Tem muita música minha na boca dos outros (de direito autoral, Cego fatura R$ 3 mil por mês). E estou entre os melhores. Comecei a levar a sério cedo e isso fez toda a diferença.

Você ainda sofre preconceito por cantar brega-funk?

Agora, mais não. Todo mundo já abraçou e se rendeu. Os bailes estão cheios de playboy e patricinha. A gente não precisa mais ir até eles. São eles que vêm até nós. Mas, no começo, foi difícil. Tentei não me impressionar com tanta negatividade. Sabia exatamente o que eu queria.

Sente falta de cantar funk e escrever “raps de realidade”?

Na verdade, não. Sempre gostei muito de contar histórias, como a de um moleque que se envolveu na faculdade do crime, mas se converteu religiosamente. As minhas músicas chegaram a ser usadas dentro de igrejas evangélicas na época. Mas não dava dinheiro. O brega dá.

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