Shows de Demi Lovato e Avril Lavigne movimentam entorno do Chevrolet Hall

Estrelas se apresentam na quinta-feira e sábado em BH. Fãs acampam na porta do ginásio desde março

por Mariana Peixoto 27/04/2014 08:00

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Steve Marcus/Reuters
Divas do pop, Avril e Demi agitam o feriado com shows em Belo Horizonte (foto: Steve Marcus/Reuters)

A música pop sabe construir seus ídolos. O ideal é que despontem jovens, para que tornem-se a preferência da vez de um público sempre ávido por novidades. No espaço de dois dias, Belo Horizonte vai receber duas cantoras que explicitam diferentes matizes do chamado showbusiness, Demi Lovato e Avril Lavigne, quinta e sábado, respectivamente. Para os incautos que veem a movimentação em frente ao Chevrolet Hall, espaço de shows onde ambas se apresentarão, são a mesma coisa. Mas não.


A primeira é cria do Disney Channel, o mesmo de Britney, Christina, Jonas Brothers e afins. A segunda é filha do rock domesticado, que surge justamente como uma alternativa “rebelde” à geração Disney. Demi está no auge da popularidade. Avril já chegou lá e agora colhe os frutos com mais calma. Ainda que oito anos separem as duas – Demi completa 22 anos em agosto, Avril torna-se balzaquiana em setembro –, começaram a carreira na mesma época.

Só que o ano de 2002 foi bem diferente para cada uma. Demi conseguiu ser contratada, aos 9, para o elenco da série infantil Barney e seus amigos. O lado cantora só veio a despontar mais tarde. Já Avril, sempre com o apoio da família, descobriu a música na infância, primeiramente na igreja. Conseguiu um contrato de peso já para o álbum de estreia, Let go, que estourou com o single Complicated. Versos como “Por que você tem que deixar as coisas tão complicadas?/ Veja o jeito que você age, parece outra pessoa” falavam direto ao coração confuso de todo e qualquer adolescente.

A música chegou para Demi através do cinema, mais precisamente de produções do Disney Channel. Vieram o primeiro, o segundo e somente no terceiro, Unbroken (2011), com a produção de Timbaland e uma imagem bem distante da adolescente certinha da TV, ela chegou lá. Problemas pessoais – disfunções alimentares e internações – foram levados para sua música. Novamente, falou direto para seu público.

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
Fãs de Avril Lavigne dormem há dois dias na fila para garantir lugar cativo no show (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Já Avril, consolidada – e milionária, graças aos 35 milhões de álbuns vendidos ao redor do globo –, fez crescer sua influência. Criou sua própria marca de roupas, Abbey Dawn, e a The Avril Lavigne Foudation, que ajuda crianças e adolescentes portadores de doenças. Casou, descasou, casou de novo e virou dona do próprio nariz. Começou até mesmo a produzir. Seu disco mais recente, Avril Lavigne (2013), “realmente soa como meu”, afirmou em entrevista ao Estado de Minas. “Experimentei um pouco de produção, como em Hello Kitty, que tem muita coisa de eletrônica, o que é novo para mim. Além do mais, não falo mais somente sobre relacionamentos, como nos primeiros discos, mas da própria vida.”

Demi e Avril também têm histórias com o Brasil. Avril afirmou que o que mais se lembra do país é da recepção calorosa. “Quando anunciei essa turnê no Twitter, fiz uma enquete em cada cidade a que vou para que os fãs dissessem as músicas que mais queriam. Teve um deles que não parou de me twittar, algo fora do comum. E da última vez que estive aí, a cada hotel que ficava havia um grupo de fãs que não parava de cantar minhas músicas, nem mesmo durante a noite.” Mesmo assim, ela não causa o mesmo impacto de antes. Ainda há ingressos para os shows que apresenta no país a partir de terça-feira.

Já Demi esgotou algumas das oito apresentações que faz no país, entre elas a de Belo Horizonte. Em seis horas, os 5 mil ingressos para a noite desta quinta-feira acabaram (e a venda ocorreu em 21 de novembro, mais de cinco meses da data do show). Na estreia da turnê Neon lights, terça-feira, em São Paulo, a boa moça contou sua história de superação em canções como Warrior, conversou com o público, cantou de baladas a músicas mais roqueiras. Fez o que se espera dela, algo que Avril já vivenciou. No fim das contas, Demi e Avril, de lavras distintas, causam barulho semelhante tanto para quem as segue como para quem olha de longe, apenas curioso, com a comoção que provocam.

Beto Novaes/EM
As amigas Nicole Cerutti, Jéssica Laia e Érica Vasconcelos fazem de tudo para conseguir um bom lugar no show de Demi Lovato (foto: Beto Novaes/EM )

AS CAMPISTAS DO ASFALTO

Alheia ao tráfego da Avenida Nossa Senhora do Carmo e ao ir e vir de curiosos, Érica Vasconcelos, de 16 anos, devora as aventuras de Hazel, a protagonista do best-seller teen A culpa é das estrelas, de John Green. Hazel sofre de câncer, mas consegue se reinventar, inclusive cria a identidade de Augustus Waters, graças a um grupo de apoio. Histórias de superação atingem em cheio a estudante do 2º ano do ensino médio. “Ficar aqui é uma inspiração. Ela sofreu muito, foi abandonada pelo pai aos 4 anos, se automutilou. Conseguir passar por tantos problemas me dá muita força”, diz Érica.

“Ela” é Demi Lovato, a razão pela qual Érica vai perder quatro dias de aula neste mês. Chegou à porta do Chevrolet Hall no dia 14, ou seja, duas semanas antes do show. E já havia um grupo dominando a área. A turma de Érica – oito jovens – ocupa a segunda de uma dezena de barracas “acampadas” no asfalto, ao lado da entrada da casa de shows. Organizado, o grupo se divide para que ninguém fique sobrecarregado. A Érica couberam quatro turnos da temporada, das 10h às 16h. Somente os maiores de idade passam a noite, também em esquema de revezamento. Érica não vê a hora do show desta quinta-feira. Será o primeiro de sua vida.

O grupo que acampa para ver Demi Lovato – os fãs de Avril, dizem, só vão aparecer depois de quinta-feira – vem crescendo pouco a pouco, dia após dia. Cada barraca corresponde a um grupo, com média de 10 jovens. Uma ou duas pessoas de cada barraca ficam por vez. Ou seja, dependendo da escala, não se perde aula. A estudante de educação física Nicole Cerutti, de 20 anos, estuda à noite. Então, reserva os dias para ficar na espera. “Ontem, na faculdade, uma menina me disse que é um povo idiota que fica acampado no Chevrolet. Não disse nada para ela, mas acho que ninguém tem nada a ver com isso, pois não deixei de fazer as minhas coisas.”

“Não tem casa? “Vai trabalhar!” Cadê a mãe de vocês?” são algumas das coisas que Jéssica Laia, de 19 anos, tem ouvido nos últimos dias. A resposta ela tem na ponta da língua: “Minha mãe está trabalhando e sabe que estou aqui”, que chegou na sexta-feira, dia 19, para o “acampamento”. A intenção é conseguir o melhor lugar no show de Lovato, mesma razão de Nicole. “Da última vez que ela veio, não consegui ver o show de perto e foi a maior decepção da minha vida.” Rola muito disse-me-disse, inclusive de que a primeira barraca, que está no local desde o fim de março – ela estava vazia quando o EM esteve lá –, tem um integrante que não conseguiu ingresso. Para este campista do asfalto, resta pedir para que Demi Lovato olhe por ele. O que é um ingresso depois de tanta provação?

DEMI LOVATO
Show quinta-feira, às 21h, no Chevrolet Hall, Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi, 4003-5588. Ingressos esgotados.

AVRIL LAVIGNE

Show sábado, às 21h30, no Chevrolet Hall. Ingressos: R$ 250 e R$ 125 (meia).

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