Vanessa da Mata fala sobre a influência de Tom Jobim em novo disco

'Segue o Som' é o quinto álbum autoral da carreira

por Agência Estado 23/04/2014 09:53

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Nívea/Divulgação
(foto: Nívea/Divulgação)
No ano passado, Vanessa da Mata disputou o primeiro lugar de vendas no iTunes com Anitta. Era o cancioneiro de Tom Jobim versus Show das Poderosas. "Uma coisa maravilhosa!", exclama a cantora, que, paradoxalmente, constatou, em seus shows pelo país que não são poucos os que desconhecem ser Tom o autor de alguns dos maiores clássicos nacionais.

"Popular é o que chega até o povo. O Tom, quando fez trilha de novela, era popular. Se a Osesp toca no Ibirapuera num domingo, vão 80 mil pessoas. Essa teoria do que é popular é extremamente preconceituosa. Adorei ver o Tom como um dos mais vendidos, ao lado de padres, funk, pagode e axé. Infelizmente ele estava num pedestal."

Passado o momento intérprete, ela retoma a faceta cantautora das próprias histórias. Produzido pelos amigos e companheiros nos 12 anos de estrada Liminha e Kassin, Segue o Som, o novo CD, é o quinto autoral da carreira. Lançamento da Sony (o show será no Circo Voador na sexta-feira, 25), tem 14 faixas, sendo um remix e uma regravação - do clássico de 40 anos atrás Sunshine On My Shoulders, cuja melancolia é adoçada pela voz de Vanessa. As demais são de sua autoria.

Parte das gravações já estava pronta no fim de 2012, quando chegou o convite da Nivea para interpretar as canções de Tom (e parceiros). Ela voltou ao CD este ano com o ímpeto de mudar quase tudo. Saíram cinco músicas, ela compôs outras cinco, mexeu em algumas letras.

"Não sei dizer claramente como o Tom me influenciou. Quis fazer algo completamente diferente: intensificar o diálogo da melodia com a letra, mexer na sonoridade, incluir mais ruídos... Esse é o preço de um disco que demora muito: muda música e arranjo porque você mudou."

As letras falam do mundo de hoje, das relações amorosas, de romance e desilusão em tempos de "fast-fode", de desejos para o presente e do reconhecimento de que "a vida tem asas", não se pode segurar.

"Para mim, é o meu melhor disco. Primeiro porque é o mais novo, está fresco, feliz, solar do início ao fim. Estou muito mais segura, não tenho medo de fazer música de um dia para o outro", conta.

Ela chegou a duvidar da qualidade da fornada ao entregá-la inicialmente a Kassin. "Estava muito dentro da ideia de fazer um disco de intérprete, tinha cantado Luiz Gonzaga, estava fascinada. Pensava em gravar Gonzaga, Vinicius... Foi quando veio Tom e eu parei tudo. Com ele, satisfiz essa minha vontade e voltei para o meu mundinho, o que é menos confortável. Com Tom não era o meu universo, era o dele, que eu fazia meu."

Antes de Tom, Vanessa já sabia o caminho das paradas: frequentaram as listas das mais tocadas Não me Deixe Só, do primeiro CD, de 2003; Ai, Ai, Ai, do segundo, de 2004; Boa sorte/Good Luck (com Ben Harper), do terceiro, de 2007. "Surgiram um monte de festas com nossa música em arranjos originais. É a ideia de que também se pode dançar a música brasileira."

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