Projeto mescla a sonoridade moura à tradição dos cantadores nordestinos

Liderada pelo baixista do Mundo Livre S/A, banda pernambucana aposta no improviso para romber clichês da música nordestina

por Ângela Faria 23/04/2014 08:53

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Hélder Tavares/divulgação
Ivan do Espírito Santo, Walter Areia, Cássio Cunha e Júlio César rompem clichês associados à música nordestina (foto: Hélder Tavares/divulgação)
De Pernambuco para o mundo, Walter Areia (contrabaixo), Ivan do Espírito Santo (sax), Júlio César (acordeom) e Cássio Cunha (bateria) apostam na força da improvisação, ancorada em projeto instrumental voltado para as infinitas combinações da sonoridade moura do sertão com a riqueza da tradição oriental e o legado ancestral do cantador nordestino.

O DVD Areia e Grupo de Música Aberta registra o show apresentado no Teatro Joaquim Cardozo, no Recife, exibido no Canal Brasil no início do ano. As seis faixas – Maracatu de baque etéreo, Do início ao fim de tudo, Teus pés, A joia do universo, Ciranda de três e Hora de ir – expressam o compromisso do quarteto com o prazer de executar seu ofício sem se pautar por imposições de mercado e da vibe do momento. Os pernambucanos também não se deixam aprisionar por certa sonoridade “clichê” esperada de artistas nordestinos, automaticamente associados a forró, xote, baião ou manguebeat.

A ordem é inventar, com liberdade e respeito ao tema-base. Trata-se de uma “jam session organizada”, nas palavras de Walter Areia. Leia-se: música contemporânea com apreço “à harmonia bitonal, modal, e ao ostinato”. O contrabaixista explica que ele e os companheiros se dedicam a algo diferente do jazz. “Fazemos aquela coisa da influência moura, da música nordestina e de seu cantador: tem o mote, ele improvisa e volta para o mote para concluir o improviso”, resume Areia nos extras do DVD. “Essa proposta traz liberdade para a gente se expressar artisticamente”, reforça o baterista Cássio Cunha.



Surpresa

O acordeom de Júlio César, professor do Conservatório Pernambucano de Música, surpreende quem espera ouvir algo no “padrão forró”: aquela sanfona não deixa de remeter à sonoridade de sua terra e a Luiz Gonzaga, mas dialoga com a linguagem erudita, fiel ao compromisso de oferecer música – realmente – aberta. O saxofonista Ivan do Espírito Santo lembra: na década de 1980, ele e Areia tocavam jazz e sofreram a influência de Chick Corea, Jaco Pastorius e do Weather Report.

Baixista da banda Mundo Livre S/A, Walter Areia estudou teoria musical no conservatório, considera-se músico de rua e diz que sua escola foi a noite. Fundador da Orquestra Santa Massa ao lado do DJ Dolores, ele já trabalhou com Naná Vasconcelos, Arto Lindsay e Benjamin Taubkin. Antes do atual quarteto, desenvolveu projetos instrumentais como os grupos Terno de Areia e Ecology Trio, além de participar de trilhas sonoras de filmes pernambucanos de destaque, como Amarelo manga, Árido movie e Baixio das Bestas.

O baterista Cássio Cunha toca também com Alceu Valença e o saxofonista Ivan do Espírito Santo é ligado à Orquestra Contemporânea de Olinda. Professor de acordeom, Júlio César é vinculado ao grupo Som da Madeira.



“Filho” único

Walter Areia explica que o DVD é “único”, pois a cada show há improvisos diferentes para os temas de Música aberta... Ele é encontrado na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br), mas quem quiser conferir o trabalho dos pernambucanos pode acessar o áudio de performances do grupo no Soundcloud (www.soundcloud.com/musicareia/tracks).

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