Com dois discos no forno, Toninho Horta mergulha em novos projetos e pretende fundar instituto cultural

Biografia, songbook e compilações de tributos também estão na lista de próximas novidades do artista

por Eduardo Tristão Girão 21/04/2014 12:01

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Leandro Couri/EM/D.A Press-5/7/13
O músico Toninho Horta ainda achou tempo entre seus compromissos para tocar com os amigos no Status Café Cultura e Arte, nesta segunda-feira, 21 (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press-5/7/13 )
Absolutamente afogado em projetos – como de costume –, o guitarrista belo-horizontino Toninho Horta está com a agenda repleta de lançamentos e novidades até o fim do ano. Seu objetivo principal é tirar do papel o Instituto Maestro João Horta (homenagem ao avô), que terá atuação nos campos de pesquisa e formação musical – precisa também arranjar verba para viabilizá-lo. Até então esgotada, sua biografia Harmonia compartilhada está prestes a ser relançada, bem como seu songbook. De concreto, dois novos discos, 'From Napoli to Belo Horizonte' e 'Minas-Tokyo'.

“Não criei esse instituto para resolver problemas com meus projetos, mas para tudo o que for bom, produtivo e gratificante. Estou aberto a propostas. Não quero depender prioritariamente de leis de incentivo ou empresas daqui e penso até em captar verba internacional, já que tenho contatos em vários países. Gostaria que tivesse aulas, teatro, espaço para acervo e pesquisa e com possibilidade de receber visitantes”, imagina o músico. Semana que vem ele parte para o Rio de Janeiro, onde visitará institutos como o Villa-Lobos e o Antônio Carlos Jobim para ver de perto como funcionam.

Todo o acervo que reuniu até o momento para escrever o ainda inédito 'Livrão da Música Brasileira' (pensado como referência para pesquisa sobre o tema) será doado para o instituto, e agora existe a alternativa de que os recursos para finalizá-lo venham de patrocínio direto em vez de lei de incentivo.

 

Paralelamente, o guitarrista dá retoques finais em seu songbook, que reunirá 120 partituras de composições suas, divididas por época e detalhadas de cifras e melodias. “Não sou de ficar fazendo música para mandar para cantor, por isso meu repertório não é tão extenso”, observa.

Pelo mundo

'From Napoli to Belo Horizonte', o primeiro dos novos discos, foi gravado na Itália com o também guitarrista Antonio Onorato. O repertório mescla composições dos dois e de autores dos dois países, como 'Amo-te muito' (João Chaves), 'O marenariello' (Ottaviano e Gambardella), 'Ilha terceira' (Toninho Horta) e a faixa-título (Antonio Onorato). “As músicas napolitanas são muito inspiradas, com melodias bem bonitas e, geralmente, tonalidades que mudam no decorrer da canção. As letras são densas, e canta-se com muito sentimento. A interpretação é dramática, o que é muito diferente da música mineira”, compara Toninho.

A colaboração com italianos não para nisso. Está no forno o disco que Toninho gravou na capital mineira com o cantor Stefano Silvestre. “Será um álbum só com canções napolitanas escritas no último século. O Stefano vivia nos meus shows sempre que estava na Itália e um dia me deu uma caixa de DVDs com gravações que fez das minhas apresentações. Fiquei emocionado. Nesse trabalho, fiz outra harmonização para a música de lá e mudei as levadas, deixando mais do nosso jeito”, adianta Toninho. Os dois foram acompanhados por uma banda de músicos mineiros.

Já 'Minas-Tokyo', que já está pronto, reúne temas próprios e de terceiros (como 'Giant steps', de John Coltrane). A gravação tem inclusive uma versão em japonês de 'Beijo partido', na voz da cantora Nobi. O Japão é um dos países que o artista mais visitou – foram 26 vezes –, ao lado de Estados Unidos (onde ele chegou a morar) e Itália. “A França gosta de música mais exótica, enquanto Holanda e Alemanha preferem jazz contemporâneo. Na última vez que parei para contar, enumerei mais de 70 músicas que músicos de outros países fizeram em minha homenagem”, afirma.

No forno Por falar nisso, o artista também promete disco para homenagear países e músicos estrangeiros que conheceu ao longo da carreira, já batizado de 'Homenagens'. Além dele, ainda lançará 'Mais que bons amigos' (com a cantora Alaíde Costa) e 'Belo Horizonte' (disco duplo com a Orquestra Fantasma, incluindo faixas inéditas). Por fim, não há previsão de lançamento por aqui do disco que gravou com os alemães da WDR Big Band pelo selo norte-americano Zoho, gravado ao vivo, com 11 músicas do mineiro arranjadas por Michael Abene e participação do saxofonista Ronny Cuber.

DE NOITE
Toninho Horta inicia mais um projeto musical na noite desta segunda-feira, 21, na Status Café Cultura e Arte (Rua Pernambuco, 1.150, Savassi). Batizado Noite dos músicos, reunirá no palco a cantora Gracinha Horta, o baixista Ezequiel Lima e o tecladista Marcelo Drumond. O guitarrista fará participação especial e provavelmente abrirá espaço para canjas ao fim da apresentação. Informações: (31) 3261-6045.

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