Renegado escolhe BH para lançar DVD

Músico do Alto Vera Cruz vai aproveitar o Dia das Mães para apresentar o primeiro trabalho do gênero da carreira

por Eduardo Tristão Girão 14/04/2014 08:34

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Bárbara Dutra/Divulgação
"O Alto Vera Cruz fica entusiasmado por se ver retratado de outra forma na mídia. As pessoas dão força, vão aos shows" (foto: Bárbara Dutra/Divulgação)
Renegado já não sabe mais onde mora. O rapper continua se sentindo “em casa” no Alto Vera Cruz, Região Leste de Belo Horizonte, onde nasceu, mas tem ficado cada vez mais tempo entre São Paulo e Rio de Janeiro. Para se ter ideia, atualmente, ele tem se dedicado a ampliar seu leque de parceiros (o carioca Edu Krieger entre eles) e a série de exibições de seu primeiro DVD, '#suaveaovivo', para gente do show business. Gravado ao vivo na capital mineira, ano passado, o trabalho terá show de lançamento aqui, mês que vem, no Teatro Bradesco – a pré-venda na internet do DVD começa dia 29.

“Estou vivendo momento de indecisão na vida. Desde o último disco, tenho ficado bastante em São Paulo, mas com a produção desse DVD, feita pelo Liminha e Kassin, fiquei mais no Rio de Janeiro, que é uma cidade apaixonante, a mais linda do mundo. Mesmo assim, só me sinto em casa quando estou no Alto. Não sei onde vou morar, mas acho que ainda não é hora de decidir isso. Sou novo, não sou casado, não tenho filho”, desabafa o artista, que completa 31 anos mês que vem.

Ele considera estar num bom momento, compondo bastante e, principalmente, aprendendo a fazer isso de forma diferente. “Estou começando a compor com mais gente, sendo que sempre fui mais solitário nisso. Meu maior parceiro tem sido Gustavo Maguá. Temos umas oito a 10 músicas. Fiz uma nova este ano com Edu Krieger, 'Sem tradução', que é um samba meio bossa. Tenho música também com o Gabriel Moura, parceiro de Seu Jorge. Isso tudo é fruto das minhas andanças”, conta.

Nenhuma dessas entrou no repertório do DVD, mas outra foi colocada lá para sinalizar essa nova tendência na escrita musical de Renegado: 'Estamos no jogo', composta por Guilherme Arantes, para ele, um “ser humano sensacional”. Essa é uma das três inéditas, ao lado de 'Nice to meet you' e 'Na palma da mão' (ambas escritas por ele), esta última gravada previamente por Bebel Gilberto. Aliás, as conexões com Liminha e Kassin aconteceram por conta da sua participação na gravação do DVD da cantora, em 2012. Com os dois produtores, veio Gringo Cardia, que assinou a direção artística de '#suaveaovivo'.

Ciclo
Das 20 faixas que compõem o novo trabalho, quase todas são assinadas por ele, já que decidiu incluir três releituras, 'Não vou ficar' (Tim Maia), 'Jorge Maravilha' (Chico Buarque) e 'Saudosa maloca' (Adoniran Barbosa). No mais, faz mistura de canções dos dois álbuns que já lançou, 'Do Oiapoque a Nova York' (2008) e 'Minha tribo é o mundo' (2011), a exemplo de 'Meu canto', 'A coisa é séria', 'Mil grau', 'Zica' e 'Suave'. Entre os convidados especiais, estão o grupo Meninas de Sinhá (que é do Alto Vera Cruz) e os cantores Rogério Flausino (Jota Quest) e Aline Calixto.

O show que deu origem ao DVD foi gravado em 2 de junho do ano passado, no Parque Muncipal de BH, diante de aproximadamente 5 mil pessoas. A realização desse projeto tem dupla importância para Renegado: “O lugar representa muito para mim, pois meu avô trabalhava como bombeiro hidráulico com um tio e meu pai logo em frente, próximo ao Viaduto Santa Tereza. As poucas lembranças do meu pai, que morreu há três anos, trago de lá. O parque era um lugar onde estávamos em família, nos divertindo. Fora isso, público e compradores de show entenderão o que ele é, pois o disco não mostra o lado showman”.

A banda que o acompanhou é a mesma desde o álbum 'Minha tribo é o mundo', formada por Rodrigo Carioca (bateria), Aloízio Horta (baixo), Egler Bruno (guitarra), Robson Batata (percussão), Christiano Caldas (teclado), Leonardo Brasilino (trombone), Juventino Dias (trompete) e DJ Spider. “Fico feliz com os caminhos e a repercussão do meu trabalho. Fecho um ciclo com esse DVD. Do Oiapoque foi um disco de alguém que queria conhecer o mundo. No trabalho seguinte, rodei o mundo e escrevi as músicas depois”, avalia.

Sonho
O artista passou pela Espanha, Inglaterra, Holanda, França, Austrália, Cuba, Estados Unidos e Venezuela – sem falar nas várias viagens que fez para divulgar seu trabalho pelo Brasil. “Sonhar pouco e sonhar alto custa o mesmo tanto. Sou filho de empregada doméstica, as possibilidades eram zero. Sonhei, acreditei e estou aprendendo a sonhar cada dia mais alto”, afirma. Como está mirando longe, ele tem trabalhado de 12 a 14 horas por dia – estuda inglês (“ainda limparei os vícios do espanhol e, depois, talvez aprenda francês ou alemão”), se envolve na produção e treina violão, principal instrumento que usa para compor. “Sinto falta de jogar bola, de tomar uma cerveja, mas vale muito a pena”, confessa, para dizer: “Não tenho medo de ganhar dinheiro. A vida está mais próspera, mas não estou rico. Dei entrada num apartamento para minha mãe”.

Do pop ao nderground
O próximo disco de inéditas ainda não tem nome e deverá ser lançado só ano que vem. Entretanto, já há algumas bases definidas. “Estou voltando a escrever antes para depois encaixar na música, como no rap tradicional. Tenho procurado variar as formas de composição”, conta Renegado. O repertório ainda não foi fechado, mas será um disco diferente dos seus anteriores, adianta: “Quero achar um meio termo entre o pop e o underground. Vai ter rap também. Quem gosta de rap se sentirá contemplado e quem gosta das misturas que faço se sentirá privilegiado”. Para o artista, as misturas entre o rap e diversos gêneros musicais são o futuro da cena. “Não tem para onde correr. O rap só cresce como está crescendo porque está flertando diretamente com a música brasileira. Ele só vai ganhar o coração do povo quando se ligar à música brasileira. Senão, vai todo mundo ficar batendo cabeça. O rap brasileiro tem ficado mais sofisticado por conta disso, mantendo a tradição e buscando evolução”, analisa. Nessa linha, ele gosta de Rael, Criolo, Marcelo D2
e Edi Rock.

Agenda
O show de lançamento do DVD em BH, em 10 de maio, celebrará o Dia das Mães. Regina, mãe de Renegado, participará da música 'Bênção'. A apresentação homenageará dona Valdete, líder do grupo Meninas de Sinhá, também do Alto Vera Cruz, que morreu em janeiro. Em 9 de maio, ele se apresenta no Itaú Cultural, em São Paulo, e no dia 20, no Solar de Botafogo, no Rio.

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