Déa Trancoso traz turnê de comemoração de seus 50 anos a BH

Cantora e compositora trocou a capital pelo interior e busca nova perspectiva para a vida e música

por Eduardo Tristão Girão 11/04/2014 08:55

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Marcelo Oliveira/divulgação
Em São Gonçalo do Rio das Pedras, Déa Trancoso reaprende a conviver com os bichos e com a arte (foto: Marcelo Oliveira/divulgação )
 
Déa Trancoso acorda, toma banho frio, arruma a casa, faz comida para a família e aproveita as horas livres para tocar violão. Se ela morasse em Belo Horizonte, a hora de dormir já estaria próxima, mas como trocou recentemente a capital por São Gonçalo do Rio das Pedras, distrito do Serro, na Região Central do estado, sobra tempo para pôr em dia todos aqueles discos que a cidade grande não a deixava ouvir. “Não estou tirando o time de campo”, avisa a cantora, que completou 50 anos em março.

Com quatro discos lançados – o último foi o belo Flor do Jequi (com o violonista Paulo Bellinati) –, a artista se diz “felizmente desiludida”: “Estou dando um passo atrás, diminuindo de tamanho. Enxergo meus desejos e digo a eles que não vou realizá-los. Isso não é reclamação, mas uma conclusão feliz. Apenas quero fazer outras coisas além da música”.

A mudança para o interior com o marido, o fotógrafo Marcelo Oliveira, foi motivada também pela necessidade de dar ao filho, Francisco, de 12 anos, uma nova experiência de vida. Déa tem canções inéditas para lançar, mas isso deixou de ser prioridade. “É complicado arranjar dinheiro. Não paramos de desejar coisas e para botar tudo isso em prática, haja plataforma. Se as condições chegarem de forma leve, será lindo. Do contrário, prefiro dar aulas ou voltar a estudar”, observa.

Certa de que a música lhe foi muito generosa e de que fez absolutamente tudo o que quis ao longo de sua carreira, Déa optou por uma casa no meio do mato, distante do Centro de São Gonçalo, mas ao lado de uma cachoeira. E está feliz.

“Vivi um idílio com a música depois de sair do Vale do Jequitinhonha. Agora estamos aprendendo a conviver com os bichos, a água, que não é bombeada todos os dias, e com os picos de energia. Reaprendi a fazer as coisas”, conta.

Percussão

Prova de que a cantora não abandonará o ofício é o projeto Déa Trancoso 50 anos, aprovado pelo Programa Música Minas e com o qual ela tem realizado uma série de shows inéditos ao lado do percussionista Carlinhos Ferreira. A turnê começou no mês passado, em Diamantina, passou por São Gonçalo do Rio das Pedras, Araçuaí, Rubim e Almenara (onde ela nasceu) e chega hoje a Belo Horizonte. Às 21h, a dupla vai tocar no Laboratório Percuciência, no Bairro Floresta.

Apenas com voz e percussão, os dois passearão por repertório que inclui Curiano na encruza (tradicional; adaptação da própria Déa), Cara de índio (Djavan), Cio da terra (Chico Buarque e Milton Nascimento), Cego com cego (Tom Zé e Zé Miguel Wisnik) e canções escritas por ela, como Cósmica e Ogum de frente. Predominam os temas de domínio público com intervenção de Déa e de terceiros, a exemplo de Saudação aos orixás, Mandei caiar o meu sobrado e Eu sou bem pequenininho.

Nos passos de Tagore

Déa Trancoso prefere não antecipar o título, mas revela que já tem pronto um livro só de “pequenos poemas”, sua primeira empreitada na área. O volume reunirá 70 poesias escritas desde os 18 anos. A inspiração principal veio do escritor indiano Rabindranath Tagore, importante representante da cultura indiana e primeiro não europeu a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1913.

DÉA TRANCOSO
Laboratório Percuciência, Rua Baturité, 13, Floresta, (31) 9733-7725. Hoje, às 21h. Com Carlinhos Ferreira. R$ 10. Capacidade: 130 pessoas.

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