Veteranos do rock interpretam Beatles em show no Palácio das Artes

Projeto Banco do Brasil Covers ainda terá shows de Maria Gadú e Zeca Baleiro, neste fim de semana

por Mariana Peixoto 11/04/2014 08:41

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Ricardo Nunes/Divulgação
Leoni, Dado Villa-Lobos, Toni Platão, João Barone e Liminha formam banda de beatlemaníacos assumidos (foto: Ricardo Nunes/Divulgação)
É cover? É, está no próprio nome do projeto, Banco do Brasil Covers. Mas também não é, já que o cover demanda uma certa fidelidade ao registro original. E ainda que parte do repertório dos Beatles, Cazuza e Zé Ramalho seja defendida à maneira dos mestres, os intérpretes convidados tiveram total liberdade para criar suas próprias versões. Dois anos depois o projeto retorna a Belo Horizonte. Desta sexta a domingo, no Palácio das Artes, um grupo grande de músicos leva para o palco o repertório preferido de seus ídolos, a exemplo do que fizeram Maria Bethânia, Sandy e Lulu Santos (Chico Buarque, Michael Jackson e Roberto e Erasmo, respectivamente).

Para a abertura, com os Beatles, foi criado um grupo só de veteranos do rock nacional, capitaneados pelo produtor Liminha. Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni e Toni Platão formam a banda-base, que nesta noite contará com três vocalistas, em participações especiais: André Frateschi, Marjorie Estiano e Paulo Miklos. Amanhã, será a vez de Maria Gadú subir ao palco defendendo o repertório de Cazuza. E no domingo, encerrando a série de shows, Zeca Baleiro vai interpretar Zé Ramalho. Dirigido por Monique Gardenberg, o projeto, que estreou ano passado, está iniciando em BH sua etapa de 2014. Daqui os três shows serão reprisados em São Paulo, Curitiba e Salvador.

Fora de sua zona de conforto, os convidados estão fazendo em cena coisas inéditas na carreira. Em 30 anos de Paralamas, Barone nunca cantou no trio. Pois agora o baterista, que é beatlemaníaco, encarna Ringo Starr e interpreta 'Octopus’s garden' em cena. Zeca Baleiro foi ainda mais ousado. Tirou a roupa para vídeo em que faz as vezes do 'Garoto de aluguel', a antológica canção em que Zé Ramalho refaz o período em que recebeu dinheiro por sexo (o paraibano já assumiu que não chegou a ser michê propriamente, mas que “amigas” deram-lhe dinheiro). Já Maria Gadú debruçou-se sobre duas dezenas – 'O tempo não para', 'Posando de star' e 'O nosso amor a gente inventa' – das 234 músicas compostas por Cazuza em releituras bastante pessoais (algumas controversas, diga-se de passagem).

Como ocorreu com a temporada de abertura do projeto, primeiramente foram escolhidos os homenageados, para depois seus intérpretes. Para os Beatles, foram chamados músicos do rock 80 (à exceção de Liminha, de uma geração anterior). “Foi a banda mais influente dentro do cenário do rock e do pop, porque mostrou as possibilidades de letra, melodia e harmonia. O rock, na época em que os Beatles surgiram, era o de três acordes baseado no blues, de Chuck Berry. A partir deles houve uma outra estética”, comenta Liminha.

O repertório do show traz 20 e poucas músicas, que não seguem ordem cronológica. Durante 27 ensaios, foi feita uma varredura nas canções dos Beatles – a banda tocou ao menos uma centena delas para a seleção. Ainda que Toni Platão seja o principal vocalista, Liminha colocou todos os músicos para tocar. Somente ele ficou de fora (“baixista que canta só mesmo o Paul McCartney e o Sting, é muito difícil”). Para dar conta de tantas músicas, há vários medleys. De acordo com Liminha, que prefere não entregar todo o repertório para não estragar as surpresas, há coisas bem fora do lugar-comum.

Toni Platão canta metade das canções do show. “Sofri muito, porque fui a única pessoa que o Liminha não deixou alterar o tom original. Foi um dos maiores desafios, pois nos Beatles é tudo muito alto e minha escola (como cantor) é diferente da deles. Estou mais para Elvis”, diz ele, que abriu mão da única canção que já cantou (em seus próprios shows) dos Fab Four. 'Come together' foi entregue para Marjorie Estiano.

Dos três shows, o de Zeca Baleiro é o que tem uma relação mais pessoal com o homenageado. Juntos, Zé e Zeca têm parcerias como 'O rei do rock' (gravada por Ramalho no álbum 'Parceria dos viajantes') e 'Repente cruel', ambas no repertório do show. A segunda nunca foi registrada em nenhum disco, coisa que Baleiro pretende fazer num futuro próximo. “Conheci o Zé assim que saiu seu primeiro disco. Primeiro o ouvi no rádio, depois adquiri o álbum, fiquei chapado com aquele som e virei fã. O início da carreira dele foi arrasador e coincidiu com o momento em que eu começava a aprender violão e a me interessar mais por música”, conta Baleiro. Ele considera que a mistura musical de Ramalho –“ algo de medieval e mouro, com letras que têm um quê de cordel, rock e psicodelia” – fazem dele um artista único.

A primeira edição do BB Covers rendeu um álbum em que Lulu Santos reinterpreta Roberto e Erasmo. Zeca Baleiro conta que a apresentação que vai encerrar o projeto, em Salvador, no final de maio, será gravada. No entanto, ainda não há nada previsão de lançamento do registro ao vivo.


Três acordes

» Sabem tudo
Em banda cheia de estrelas do rock, quem foi professor foram dois músicos desconhecidos. Para definir os arranjos e o repertório dos Beatles, Liminha contou com a ajuda dos guitarristas Emerson Camardella e Gustavo Ribeiro, que ganharam o apelido de Faísca e Fumaça. “Conheço Beatles muito bem, mas esses caras sabem exatamente tudo. Acabaram entrando para a banda”, diz Liminha.

» Outra palavra
Na abertura do show, Maria Gadú mudou um dos versos mais contundentes de O tempo não para – “Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro”. No lugar de “bicha” cantou “sapatão” em apresentações anteriores do BB Covers. Além disso, ela interpreta a música não cantando, mas recita os versos de Arnaldo Brandão e Cazuza, sob o som de um violoncelo.

» Sem roupa
Garoto de aluguel é interpretada por Zeca Baleiro com arranjo diferente do original. E num vídeo, o ator refaz a narrativa escrita por Zé Ramalho. “Confesso não tenho muito pudor com minha própria nudez, mas ficar completamente pelado na frente de uma câmera fria é uma experiência assustadora. Não sou ator, mas a Monique Gardenberg propôs a loucura e eu, mais louco ainda, topei”, afirma Baleiro.

BB COVERS
Hoje e amanhã, 21h; domingo, 20h, no Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Hoje, Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni, Toni Platão e Liminha tocam The Beatles. Participação de André Frateschi, Marjorie Estiano e Paulo Miklos. Amanhã, Maria Gadú canta Cazuza. Domingo, Zeca Baleiro canta Zé Ramalho. Ingressos: plateia 1, R$ 100 e R$ 50 (meia); plateia 2, R$ 80 e R$ 40 (meia); balcão, R$ 40 e R$ 20 (meia).

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