Cantor e compositor Djavan lança em CD e DVD a versão ao vivo de 'Rua dos amores'

Músico prepara retrospectiva de 40 anos de carreira e caixa com todos os seus discos

por Mariana Peixoto 03/04/2014 06:00

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Marcos Hermes/Divulgação
(foto: Marcos Hermes/Divulgação)
Prática recorrente da indústria fonográfica brasileira, a produção de um CD e DVD com o registro de uma turnê costuma garantir a sobrevida de um álbum, gerando nova série de apresentações. Lançado há um ano e meio, 'Rua dos amores', de Djavan, ganha agora sua versão ao vivo, com show gravado em novembro, em São Paulo. A intenção inicial do alagoano era encerrar a fase, já que está começando a compor o material de seu próximo álbum. “Tinha intenção de fazer isso para o final da turnê, que é como faço com a maioria dos meus trabalhos. Mas apareceram novos shows, então ainda vou tocar em mais algumas capitais”, afirma. Somente até a Copa, obviamente.


Com 16 faixas na versão em CD e 24 na do DVD, 'Rua dos amores' mostra não só o repertório do disco de 2012 ('Pecado', 'Já não somos dois', 'Vive', além da canção-título, entre outras), como também clássicos “djavanianos”. 'Flor de lis', 'Samurai', 'Sina' e 'Oceano' aparecem aqui em novos arranjos. “O roteiro de um show é uma das coisas mais difíceis de uma turnê. O que se quer é uma interação grande com a plateia, da primeira à última música. Mas todo show tem certa barriga, aquele momento de mais introspecção. O ideal é reunir o que sei que as pessoas querem ouvir, não repetir necessariamente músicas da última turnê e introduzir as novas, pois a fila anda. Com os clássicos, sempre costumo rearranjá-los, pois tenho que renová-los, mas sem descaracterizá-los”, continua Djavan.

Três deles – 'Oceano', 'Flor de lis' e 'Sina' – estão em todos os shows de Djavan dos últimos 15 anos, o próprio calcula. 'Samurai', por outro lado, há tempos estava fora do repertório. O que chama a atenção neste trabalho – a direção do DVD é de Hugo Prata – é também a banda, que Djavan voltou a reunir após anos. Entre os instrumentistas destacam-se Torcuato Mariano (guitarra e violão), Carlos Bala (bateria) e Paulo Calasans (teclados e piano). “Para gravar um show ao vivo é preciso que a gente se motive por alguma razão. A motivação principal foi o fato de ter voltado a trabalhar com essa banda depois de 12 anos”, continua ele.

Acompanhando o show do DVD  há o documentário 'Um olhar íntimo', que registra os bastidores da turnê, com depoimentos de músicos e técnicos que vêm acompanhando Djavan nos shows de 'Rua dos amores'. “Priorizo estar presente em todos os momentos da carreira, que é possível existir como é porque criei gravadora, editora, estúdio. Esse making of mostra como estou envolvido com tudo e ainda as pessoas que estão comigo.”

FUTURO
Ainda que esteja em meio a 'Rua dos amores', Djavan mira o futuro. 'Maledeto', faixa-bônus que encerra o CD, é inédita e foi gravada em estúdio. “Quando estou em turnê, a introspecção, que preciso para debruçar sobre ‘novas crianças’, não acontece de maneira natural. Mesmo assim, consegui fazer 'Maledeto' agora”, acrescenta ele, que assim que terminar a turnê definitivamente vai intensificar o processo produtivo. A intenção é entrar em estúdio em novembro, para gravar o álbum até junho de 2015. “Minha vida é cíclica. Levo um ano em turnê e outro compondo e produzindo o CD.”

Mas, antes disso, Djavan faz retrospectiva de quase 40 anos de carreira – seu primeiro LP, 'A voz, o violão e a arte de Djavan', é de 1976. Lança, em setembro, caixa com todos os seus discos, depois de remasterizados, em parceria da Luanda (selo de Djavan) com a Sony Music, além de um extra com raridades que o próprio cantor e compositor nem se lembrava de ter gravado.

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