Maria Rita lança Coração a batucar

Álbum dá sequência ao trabalho dedicado ao samba e traz clássicos do gênero, além de composições inéditas de Joyce e Rodrigo Maranhão

por Ailton Magioli 30/03/2014 06:00

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Vicente de Paulo/Divulgação
Maria Rita foi convencida por Arlindo Cruz de que é do ramo e perdeu o medo de enfrentar os bambas (foto: Vicente de Paulo/Divulgação)

Não há um dia sequer em que os fãs de Maria Rita deixem de interagir com ela nas redes sociais para falar da saudade do show Samba meu. “Foi uma coisa de louco. Como aquilo mexeu com as pessoas”, recorda, emocionada, a filha de Elis Regina e César Camargo Mariano, que, sete anos depois da gravação do disco que deu origem ao espetáculo – que desaguou na vitoriosa turnê de mais de três anos – está de volta ao gênero musical mais genuinamente brasileiro em Coração a batucar.


A resistência ao rótulo de sambista, segundo ela, durou até o dia da bronca do amigo Arlindo Cruz. “É sambista sim. Mais do que muitos que estão por aí”, teria dito à cantora o compositor carioca que, depois de assinar seis das 14 faixas daquele disco, comparece agora em três das 13 do novo trabalho de Maria Rita. Com o show de lançamento já praticamente pronto, ela anuncia a pré-estreia para 12 de abril (Lorena/SP), seguida da estreia no dia 26 de abril, na Fundição Progresso, no Rio.


Gravado praticamente ao vivo, em uma verdadeira roda de samba montada pela artista dentro do estúdio, Coração a batucar veio à tona na cabeça de Maria Rita quando ela foi convidada pela produção do festival Rock in Rio a montar show exclusivo para o palco Sunset, em 2013, e resolveu dar vazão à paixão por Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha. “Ali, o bicho pegou. Veio a reação da plateia”, recorda. Além disso, há a já citada repercussão de Samba meu nas redes sociais, além do fato de o CD ter rendido a ela discos de platina nos Estados Unidos, América Latina, Portugal, Israel e Reino Unido, simultaneamente, e o Grammy Latino de melhor álbum de samba.


Verdade que a relação da filha de Elis Regina com o samba é, digamos, intra-uterina, como ela mesmo classifica. Mainha me ensinou, de Arlindo Cruz, Xande dos Pilares e Gilson Bernini, por exemplo, diz qualquer coisa a respeito. Mas a vivência de Maria Rita na área vai além. Não por acaso, Marcelinho Moreira escreveu, em parceria com Fred Camacho e Leandro Fab, Meu samba, sim senhor, com a qual ela abre o novo disco. “Mais uma vez/ Aqui estou/ Não vou negar/ Eu vou representar com todo meu amor/ Cantando por aí/ Levando a alegria pro meu povo”, dizem os versos do samba.


Antes disso, a cantora cativou fãs na abertura da novela Insensato coração, interpretando Coração em desalinho, de Zeca Pagodinho. Entre outras experiências com o gênero, vale lembrar ainda que Maria Rita foi madrinha de bateria da Escola de Samba Vai Vai, de São Paulo. Puxado por Rumo ao infinito, dos mesmos Marcelinho Moreira e Fred Camacho, Coração a batucar foi gravado em clima ao vivo, segundo a cantora, salvo complementos de percussão, tais como pandeiro e tantã.
Isolada em uma sala por questões técnicas, Maria Rita cantava enquanto a maioria dos músicos tocava em uma segunda sala e os percussionistas Marcelinho Moreira e André Siqueira ocupavam uma terceira. Liderada pelo marido da cantora, Davi Moraes (guitarra), a banda que a acompanhou em estúdio e vai para o palco conta ainda com Alberto Continentino (baixo), Rannieri de Oliveira (piano) e Wallace Santos (bateria). Os arranjos são de Jota Moraes. Qualquer sonoridade jazzística no samba de Maria Rita, portanto, está devidamente explicada.

Produção de casal

 

Desafios diante do novo trabalho? Vários, segundo a cantora, a começar do fato de o samba ter formato singular. “A extensão dos autores é diferente”, explica Maria Rita, que também diz ter vivido um grande desafio ao resolver produzir o novo disco sozinha. “Eu e o Davi (Moraes)”, faz questão de incluir o marido, salientando o fato de ela ter tido controle absoluto sobre o trabalho. “O frio na barriga passou com Samba meu”, reconhece, incluindo ainda entre os desafios do novo trabalho o fato de cantar Vai, meu samba, de Noca da Portela e Sergio Fonseca, que em sua opinião já nasceu clássica.


“Imagina um samba de 30 anos que nunca havia sido gravado”, comemora. Outra surpresa é No mistério do samba, que Joyce Moreno escreveu especialmente para ela gravar. Rodrigo Maranhão (Fogo no paiol), que ganhou um Grammy Latino de melhor canção graças a Caminho das águas, gravada por ela anteriormente, também está presente na nova etapa. “Ele tem poesia na melodia, nos arranjos, em tudo que faz”, elogia.


Do novo samba paulista ela recebeu No meio do salão, de Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, do Quinteto Branco e Preto, que dá uma divertida resposta feminina à célebre discussão do casal em Sem compromisso, de Geraldo Pereira. “Se o bicho pegar desta vez/ Vai sobrar pra você”, anunciam os versos como que encarando o suposto machismo do meio. “Que meio não é machista?”, conclui Maria Rita, que se diz muito bem tratada pelos sambistas.

 

 

 

 

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