Grupo de músicos cria rap batuqueiro

Lúcio Maia, DJ PG e MC Rodrigo Brandão unem referências para criar o trio Zulumbi

por Eduardo Tristão Girão 30/03/2014 06:00

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Camila Miranda/Divulgação
Com canções inéditas e mistura de ritmos, o Zulumbi quer injetar hip-hop na identidade brasileira (foto: Camila Miranda/Divulgação)


Os ingredientes são tão promissores que seria difícil a receita dar errado: manguebeat, hip-hop e uma dose generosa de groove. Essa é a aposta do Zulumbi, projeto de Lúcio Maia (guitarrista da Nação Zumbi), DJ PG (Elo Da Corrente) e MC Rodrigo Brandão (Gorila Urbano) que acaba de dar origem a disco lançado pela Radar Records. Todas as 10 faixas contam a assinatura de pelo menos um dos três, sendo que a maioria tem as credenciais do trio.


“Trata-se da chegada de uma espaçonave chamada Zulumbi. São músicas inéditas, com cores e sabores variados, mais um time grande de convidados ilustres que veio pra somar nesse encontro entre três parceiros de longa data. Injetar no hip-hop certa identidade brasileira, voltada para as sonoridades de terreiro, é a estrada que a gente se viu trilhando desde o começo. Uma vez percebida a direção que a vida colocou, seguimos a jornada com sagacidade e sorriso na cara. O resultado é essa dose de psicodelia solar que agora se faz presente no planeta, via caixas de som e fones de ouvido”, resume Brandão.


As gravações foram feitas em São Paulo, com produção a cargo do trio e de Daniel Bozzio – já a mixagem foi feita por Scotty Hard, que já havia trabalhado com a Nação Zumbi no álbum Futura (2005). Entre os músicos que marcaram presença no estúdio, estão Dengue (baixista do Nação), Marcelo Cabral (baixo e teclado), Juçara Marçal (voz), Gustavo Da Lua (percussão) e Yaraj Bravo (voz). O encarte informa que cada faixa tem uma inspiração, como “a fúria de Muhammad Ali” e “os ventos da mudança”.

Apesar dos variados perfis de músicos que participaram da gravação, o Zulumbi soube costurar com talento cada uma dessas contribuições. “Isso foi fácil, porque não foi caso pensado. A gente ouvia um tema, um beat ou uma rima e percebia que aquela faixa pedia um trompete, um vibrafone ou um vocal feminino. A partir daí, era ver quem seria a pessoa a trazer essa coloração. É uma característica do hip-hop, historicamente, englobar outros estilos musicais e masterizar essas influências diversas dentro de um universo malaco e urbano”, diz.


Das pistas


Brandão, a propósito, gosta de rotular o trabalho como “música afrobrasileira contemporânea” ou “rap batuqueiro”. As referências trazidas para o trabalho são tantas, continua, que citar todas seria impossível, mas ele arrisca: “Nas, Beastie Boys, Clara Nunes, Nina Simone, Gil Scott-Heron, Parliament/Funkadelic, Lee "Scratch" Perry, De La Soul, Tim Maia, Baden Powell, Howlin' Wolf, Cartola, Portishead, Massive Attack, Jimi Hendrix, Iggy & The Stooges, Erykah Badu, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Nelson Cavaquinho, Charlie Parker, Clementina de Jesus e por aí afora”.


Como se não bastasse a experiência de cada um dos integrantes, o Zulumbi conta também com um padrinho, o DJ norte-amerciano Afrika Bambaataa, que batizou o trio. A relação entre eles, entretanto, vai além disso. “Ele já participou de álbuns da Nação Zumbi e do Mamelo Sound System, grupo do qual fiz parte na década passada. Sem falar que qualquer artista relacionado ao rap, ao pancadão e a tudo quanto é tipo de música voltada para as pistas de dança deve muito a esse xamã com nome de continente”, elogia.

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