Chico Lobo grava disco de temas instrumentais com trio formado com Paulo Sérgio Santos e Márcio Malard

Mais conhecido pela ligação com a música de raiz, violeiro surpreende com novo trabalho

por Eduardo Tristão Girão 25/03/2014 06:00

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Mário de Aratanha/Divulgação
(foto: Mário de Aratanha/Divulgação)
Chico Lobo é referência central da viola mineira, mas até então nunca gravara um disco instrumental. O artista confessa que tinha resistência à ideia, pois só aceitaria fazer algo que julgasse realmente novo – vale lembrar que nunca se experimentou tanto com essas 10 cordas como hoje. Pois a oportunidade que lhe apareceu não foi qualquer uma: a partir dos toques de viola registrados por Sérgio Lima Netto em seu estúdio em Araras (RJ), acrescentar o clarinete de Paulo Sérgio Santos e o violoncelo de Márcio Malard. Assim surgiu o recém-lançado '3 Brasis'.


“Eu e Paulo Sérgio Santos participamos juntos de alguns shows e ele participou da música 'Canto a cântaros', do meu CD 'Caipira do mundo'. Já o Márcio Malard não o conhecia pessoalmente, mas é amigo do Sérgio e sempre gravou muito lá no estúdio dele. O bacana é que, logo em seguida do início das gravações, eu e Márcio nos encontramos duas vezes no palco, uma aqui em BH e outra no Rio de Janeiro. Hoje, a amizade, parceria e respeito profissional nos unem”, conta Lobo, que é mineiro de São João del-Rei.

Das 15 faixas, 14 são do violeiro. A maioria das composições foi gravada por ele; 'Serra de Araras', 'Toque de feira' e 'Lua de sertão' são as únicas inéditas. “Foi um processo supernatural, pois tudo começou com as gravações de alguns toques meus e por eu ser compositor. Mostrei a eles alguns pessoalmente. Outros foram por e-mail ou nasceram neste processo. Quando tudo já estava quase pronto, sentimos falta de um tema que representasse nós três. Aí veio a ideia do 'Trenzinho do caipira', de Villa Lobos”, lembra.

O resultado ficou, de fato, singular. Os três instrumentos representam diferentes texturas e linguagens, habilidosamente costurados em arranjos escritos coletivamente. “Juntar a viola a dois instrumentos que vêm de orquestra foi uma aventura maravilhosa. Três instrumentos que podem ser solistas e de acompanhamento. A viola num timbre agudo, o violoncelo grave e a clarineta passeando pelos timbres. É impressionante essa riqueza”, analisa Lobo. Numa das faixas, 'Travessia do Sussuarão', o trio contou com a luxuosa contribuição de Jaime Alem, que assinou o arranjo.

O violeiro diz que sempre foi cobrado para gravar um álbum instrumental. Também por esse motivo – a perigosa expectativa – , a presença de nomes fortes como Malard e Santos foi importante. Apesar de já consolidado na cena violeira (são nada menos que 31 anos de carreira), o artista está mais habituado ao universo da canção. Entretanto, a consistência de sua obra, analisada separadamente, fica clara em composições como 'Vazante', 'Desafio de calango', 'Ibérica', 'Reinado' e 'Sapateio no lundu'. E reafirma seu talento como instrumentista.

Novas experimentações com a viola, a exemplo da que ele fez com violoncelo e clarinete, são bem-vindas, acredita: “É uma bela forma de fazer despertar as pessoas para a riqueza desse instrumento. Ele é muito mais do que algo do caipira, do folclore. A viola é da alma do brasileiro e é importante nunca se desconectar das origens. Assim, acho que se consegue trazer inovação para o instrumento, mas sempre com o olhar atento no respeito às raízes. Inovação só pela inovação não é a minha praia”, conclui.


SEM PARAR
Chico Lobo, Paulo Sérgio Santos e Márcio Malard deverão levar 3 Brasis para os palcos. “Devemos fazer São Paulo e Rio de Janeiro. Em BH, o concerto será dia 29 de maio”, adianta o violeiro. A propósito, o trabalho foi pré-selecionado ao Prêmio da Música Brasileira. Sobre gravar outros disco juntos, o músico ainda não sabe dizer se é possível: “São três artistas extremamente ativos”. No momento, Lobo prepara lançamento do DVD De Minas ao Alentejo em Portugal e desenvolve projeto de ensino de violas nas escolas rurais por meio do instituto que leva seu nome. E já quer gravar disco solo inédito.

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