Guerra-Peixe e Sergei Rachmaninoff têm suas obras interpretadas em concerto

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) e o Coral Lírico de Minas Gerais se apresentam no Palácio das Artes

por Ailton Magioli 21/03/2014 06:00

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Hugo Cordeiro/Nitro/Divulgação
(foto: Hugo Cordeiro/Nitro/Divulgação)
Inédita em Belo Horizonte e executada até então (no máximo) quatro vezes, a Sinfonia nº 2 Brasília, de César Guerra-Peixe (1914-1993), é a grande atração do concerto que será realizado nesta sexta-feira no Grande Teatro do Palácio das Artes. Em cena, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) e o Coral Lírico de Minas Gerais, que, sob a regência de Marcelo Ramos e Lincoln Andrade, respectivamente, vão interpretar a obra-prima do compositor, cujo centenário de nascimento vem sendo comemorado nacionalmente.


A solista convidada será a pianista russa-alemã Kristina Miller-Koeckert, que abrirá a noite interpretando o Concerto nº 2 em dó menor para piano e orquestra, o segundo e mais conhecido dos quatro escritos pelo russo Sergei Rachmaninoff. Composta em 1901, a obra segue o estilo clássico-romântico em três movimentos, com uma seção lenta em meio a dois extremos de caráter mais animado.

Com solos de piano da convidada Kristina Miller-Koeckert, que está em turnê pelo Brasil, a peça coloca em evidência toda a complexidade e maestria do trabalho de Rachmaninoff, um dos grandes expoentes do estilo romântico na música clássica europeia e um dos pianistas mais influentes do século 20.

“Como há muito não tocamos com piano solo, aproveitamos para retomar esse repertório que ficou fora da nossa cartela por algum tempo”, afirma o maestro titular da OSMG, Marcelo Ramos, que reassumiu o posto há um ano, depois de cinco nos Estados Unidos, onde cursou mestrado e doutorado em música. Para Ramos, ambas as peças que serão executadas na noite representam a síntese de autores que buscam, por meio da música, traduzir seus respectivos países.

No caso de Guerra-Peixe, por exemplo, ele inseriu no último movimento da sinfonia trecho do discurso de inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960. “A partitura sugere que seja feito por um narrador ou usando o áudio do próprio Juscelino Kubitscheck, ao qual tivemos acesso via YouTube”, revela o maestro, salientando que essa será a primeira execução pública da obra na cidade.

O diferencial, destaca Marcelo Ramos, está na participação do coro, aqui representado pelo Coral Lírico de Minas Gerais, sob a regência de Lincoln Andrade. “Cantamos em três dos quatro movimentos da peça: no primeiro, segundo e no quarto e último”, relata o maestro, que chama atenção para dois aspectos. “No segundo movimento, o coro contribui com abordagem do politonalismo, quando cantamos em duas tonalidades, simultaneamente. Trata-se, na verdade, de característica daquele momento na música brasileira, do fim dos anos 1950 e início dos 1960”, relata o maestro.

O segundo ponto destacado pelo regente é a questão do nacionalismo, já que Guerra-Peixe é considerado um dos mais puros que o Brasil teve, além de Heitor Villa-Lobos e outros. “No quarto movimento, por exemplo, ele usa cantigas de roda em um hibridismo que mistura o popular e o erudito de forma muito própria, transformando isso quase que numa terceira via. Nisso, Guerra-Peixe é um craque”, lembra Lincoln Andrade, chamando atenção para o fato de tal detalhe ser algo muito rápido, com duração de quatro minutos em um total de 30 minutos da obra.

OSMG, CORAL LÍRICO DE MG E KRISTINA MILLER-KOECKERT
Nesta sexta-feira, às 20h30. Grande Teatro do Palácio das Artes. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Classificação: 10 anos. Informações: (31) 3236-7400.

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