Jovem baterista Felipe Continentino chama a atenção pela técnica e aposta no repertório autoral

Talento da cena mineira contemporânea toca no Sesc Palladium nesta quarta-feira

por Eduardo Tristão Girão 18/03/2014 06:00

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Nas apresentações do Prêmio BDMG Instrumental, que anualmente reúnem dezenas de músicos de alto nível em Belo Horizonte, Felipe Continentino, de 23 anos, sempre se destaca ao ocupar o mesmo velho banquinho da bateria. O sofisticado domínio técnico e a sensibilidade para alternar momentos de vigor e delicadeza o colocam como um dos jovens talentos que renovam a cena local. O público terá ótima oportunidade de assisti-lo em ação amanhã à noite, no Teatro de Bolso Júlio Mackenzie do Sesc Palladium.

Acompanhado por quatro feras – Pablo Passini (guitarra), Breno Mendonça (saxofone), Marcus Abjaud (piano) e Frederico Heliodoro (baixo) –, o baterista vai se concentrar no repertório de seu disco de estreia, lançado em 2012. Entretanto, as faixas ganharam novos arranjos. “O mais importante do show é a maturidade e a intimidade que temos com minhas músicas”, explica. À exceção do pianista, que entrou para o grupo (batizado de Móvel) no ano passado, a formação é a mesma do álbum.

As sete músicas foram criadas por Felipe no violão. “Há pouco tempo, comprei um piano digital e está sendo muito bom voltar a estudá-lo, novas ideias estão surgindo. No fim do ano passado, aluguei um espaço para dar aulas de bateria, ensaiar e, principalmente, estudar. Estou notando que as ideias também estão vindo também pela bateria. Isso nunca ocorreu antes”, diz. Aliás, por esse motivo tem sobrado pouco tempo para compor. Outro disco, só em 2015.

Missão Rotular as próprias músicas é tarefa das mais difíceis para qualquer compositor e Continentino não foge à regra. “Sempre acho complicado fazer isso. Na maioria das vezes, é uma síntese de várias influências que tenho, que vão da música dos anos 1980, jazz norte-americano, folk de Joni Mitchell e James Taylor, à música mineira do Clube da Esquina e até de algumas bandas atuais, como Bon Iver e Radiohead. Gosto da ideia de simplificar tudo e chamar de música instrumental contemporânea”, afirma.

Ultimamente, Felipe tem ouvido instrumentistas que não são bateristas, a exemplo dos saxofonistas David Binney e Rudresh Mahanthappa, dos pianistas Craig Taborn e Jacob Sacks e de medalhões de outrora, como Ornette Coleman, John Coltrane, Miles Davis e Eric Dolphy.

“Para falar de bateristas, a lista é bem grande. Adoro toda a história e a evolução do jazz, assim como os bateristas principais de cada geração. Posso citar Elvin Jones, Tony Williams e Brian Blade, além de Ari Hoenig e Dan Weiss, com os quais tive o prazer de ter aulas”, conta.

Nascido na capital mineira, Continentino foi criado em Cataguases, na Zona da Mata. Começou os estudos de bateria com Robert “Nelinho”, continuou com Afonso Vieira e ainda dedicou dois anos ao piano, com Maria Aída Barroso. Veio para BH em 2009 e, no ano seguinte, foi um dos vencedores do Prêmio BDMG Jovem Instrumentista.

Na capital, Felipe estudou com André “Limão” Queiroz. No momento, cursa música popular na Universidade Federal de Minas Gerais. O baterista já tocou com Chico Amaral, Cléber Alves, Enéias Xavier, Magno Alexandre, Celso Moreira, Fred Heliodoro, Thiago Nunnes e Matheus Barbosa.

FELIPE CONTINENTINO
Show do baterista com o Grupo Móvel. Nesta quarta-feira, às 19h30. Teatro de Bolso Júlio Mackenzie do Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Ingresso: R$ 10 ou 1kg de alimento não perecível. Informações: (31) 3270-8100.


Falta espaço

Felipe Continentino diz que casas noturnas abertas à música instrumental estão em extinção em BH. “Estou fazendo mais shows em teatro do que em bar. Não que isso seja ruim, mas a cultura de tocar em bar apropriado para o instrumental ajuda o nosso desenvolvimento como músico e também a consolidar as composições e interpretações. Tudo fica mais produtivo”. O baterista faz um apelo: “Precisamos de mais casas noturnas para tocar”.

Ouça o disco 'Felipe Continentino':



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