Orquestra Imperial lança o primeiro DVD

Trabalho foi gravado ao vivo no Teatro Rival, no Rio de Janeiro

por Ailton Magioli 18/03/2014 06:00

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Caroline Bittencourt/Divulgação
(foto: Caroline Bittencourt/Divulgação)
A ausência de regência formal em um grupo de 20 músicos chama a atenção, de imediato, no lançamento do primeiro DVD da Orquestra Imperial. Afinal, como arregimentar cada artista com seu naipe sem que o conjunto saia prejudicado? “Desde o início, o Berna Cepas assumiu um pouco a missão de nos organizar”, revela o guitarrista Rodrigo Bartolo, lembrando que, apesar da criação coletiva bem dinâmica, o grupo necessita de tal presença – mas não exatamente de um maestro.

Gravado no teatro carioca Rival há cerca de sete anos, apenas agora o novo trabalho vem à tona nos formatos DVD (o show completo, com 20 faixas) e CD (reduzido para 11). O repertório autoral é o grande destaque de Orquestra Imperial ao vivo, revelando a reunião, nem sempre provável, de vários compositores, entre os quais Nelson Jacobina (1953-2012), morto precocemente aos 58 anos.

“O show do DVD veio logo na cola do primeiro disco ('Carnaval só ano que vem, de 2007'). Estávamos experimentando coisas novas e nos orientando mais pelo autoral”, explica Rodrigo Bartolo. A demora do lançamento – como tudo do grupo – deve-se à reunião de muita gente em torno do trabalho coletivo. “Isso faz com que todos os acontecimentos tenham certa lentidão. É uma navegação de transatlântico: maneja-se lentamente, vendo o horizonte”, compara o guitarrista. No lançamento do primeiro disco foi assim. Em 2012, a orquestra lançou o CD 'Fazendo as pazes com o swing'. “O DVD tem esse aspecto de retrospectiva”, admite, lembrando que em 2012 a Orquestra Imperial completou a primeira década de atividade.

Falta Nelson Jacobina, que integrou o grupo desde sua criação, em 2002, foi importantíssimo para a formação. “Ainda sentimos a falta dele, que teve papel central na orquestra graças ao gosto musical e às harmonias”, declara Rodrigo Bartolo, ressaltando o conhecimento e a trajetória do músico, parceiro de Jorge Mautner. “Devemos muito a ele elementos do nosso repertório”, diz o guitarrista, lembrando a cabeça aberta de Jacobina, que gostava de misturar o antigo e o novo. “Temos esta característica: há muitas bandas ali dentro”, afirma, referindo-se aos trabalhos paralelos da maioria dos integrantes.

O próprio Bartolo, além de parceiro de Rubinho Jacobina desde 1990, trabalha com a cantora Nina Becker, que gravou músicas dele, e mantém projeto eletroacústico com o percussionista Leo Monteiro. “Ali dentro, todos esses elementos convivem e se apreciam”, explica o guitarrista, ressaltando que a orquestra é um momento de encontro e compartilhamento artístico.

A agenda da Orquestra Imperial passa por alteração depois da temporada no Bola Preta carioca, além de eventos pré-carnavalescos e bailes a fantasia. O guitarrista lembra que, há uma década, bailes haviam sumido da noite no Rio de Janeiro. “De repente, eles se tornaram algo extremamente forte, no clima da celebração”, revela. Bartolo se mostra surpreso com a juventude do público: fãs de 16 a 18 anos convivem pacificamente com os saudosistas, sem choque de gerações.

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