Aline Calixto finca raízes criativas em Belo Horizonte e prepara álbum de inéditas gravado ao vivo

Cantora se dedica ainda mais ao ritmo de raiz e garante: ''o que alimenta o que faço é o samba''

por Ailton Magioli 16/03/2014 10:30

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Youtube/Reprodução
Carioca criada em Minas, Aline Calixto não abre mão de compositores locais em seu novo álbum (foto: Youtube/Reprodução)
Depois do clipe, o baile, o bloco e, no meio do ano, o disco. Em ritmo intenso de trabalho desde a festa de aniversário, em dezembro, quando gravou o clipe com a inédita 'Eu sou assim', que já puxa o novo trabalho nas redes sociais, Aline Calixto se dedica à escolha de repertório do CD que irá gravar, ao vivo, a partir de julho, e para o qual já conta com inéditas de Fabinho do Terreiro, Sereno (Fundo de Quintal), Arlindo Cruz e Serginho Beagá, autor da primeira faixa revelada aos fãs.

"Estou ouvindo muita coisa”, diz Aline, sem ocultar que direciona seu trabalho cada vez mais para o samba. “É complexo porque, por mais que eu goste de outros gêneros, que abordei no segundo disco, o que alimenta o que faço é o samba. É uma opção minha. É o gênero de que mais gosto. Sinto-me bem com ele, boa parte das próprias músicas que componho é samba, terreiro no qual piso bem e me sinto acolhida”, explica a carioca de Botafogo, criada em Minas Gerais.

Na casa simples e acolhedora do Bairro Glória, Região Noroeste de Belo Horizonte, onde está morando com os pais, Aline Calixto recebeu os convidados para a festa de aniversário em 29 de dezembro, que comemora, religiosamente, uma semana antes, para evitar o estresse de fim de ano. Para a surpresa de todos, que não sabiam da filmagem, ela protagonizou a animada roda de samba para gravar o clipe de 'Eu sou assim', do amigo Serginho Beagá, que postou no YouTube.

A direção do clipe coube à iniciante na área, Olga Santos, que teria feito tudo sob orientação da própria artista. “É alegria, é festa. As pessoas não sabem que estão sendo filmadas para um clipe. A princípio, é apenas o registro particular e pessoal da festa, cuja filmagem para o clipe apenas os músicos sabiam”, revela Aline.

Entre os convidados de fora estavam o cantor-compositor carioca Edu Krieger e o paulistano Evandro Fioti, irmão e produtor do rapper Emicida, além de Fabinho do Terreiro, Serginho Beagá e dona Lúcia, esta da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte. Depois, a cantora passou a cuidar do Baile da Calixto, que realiza há alguns carnavais em Belo Horizonte e cidades do interior de Minas. Na capital, este ano foi no dia de lançamento do Bloco da Calixto, com espaço reservado na história da folia belo-horizontina. Já no ensaio oficial da agremiação, em 16 de fevereiro, na Praça JK, Aline conseguiu reunir cerca de 6 mil pessoas, sem qualquer tipo de investimento pessoal ou apoio oficial.

No sábado de carnaval, a cantora botou o bloco na rua, partindo da Rua Viçosa, no São Pedro, em direção à Savassi. Nem a chuva torrencial conseguiu dispersar os foliões. A estimativa foi de cerca de 10 mil pessoas. Além da banda, liderada pelo violonista Thiago Delegado, ela convocou mais 13 ritmistas para a festa.

“Optei por fazer um bloco com ensaios e com músicos mesmo”, afirma Aline Calixto, que no bloco vai além do próprio repertório. Sob o tema África de todos os deuses, ela foi de Olodum (Faraó, Divindade do Egito) a Rodrigo Santiago (Rainha das águas), passando por Zeca Pagodinho (Pra são Jorge). De deusa egípcia a cantora comandou os foliões, contribuindo para reafirmar a retomada do carnaval de rua de BH.

Mineira de coração
A exemplo de bandas como Skank, Pato Fu e Jota Quest, além da própria Fernanda Takai, Aline Calixto resolveu fazer de Belo Horizonte o seu QG artístico. “Hoje, podemos fazer isto, os meios facilitam”, justifica a cantora, que, mensalmente, vai ao eixo Rio-São Paulo para cuidar de interesses artísticos. “Motivos para viver no Rio, por exemplo, eu até tenho”, avalia, lembrando que o atual namorado é daquela cidade. Profissionalmente, no entanto, Aline consegue realizar-se aqui em termos de estúdios para gravações e ensaios. “Vou, mas estou sempre de volta para Minas Gerais, que é a minha terra, dos meus pais e amigos”, conclui a artista, filha de mãe mineira e pai carioca.

Desde que viu Aline Calixto cantando na TV pela primeira vez, Serginho Beagá, de 55 anos, diz ter ficado impressionado. “O Brasil precisa tanto de cantoras assim. Esta menina é graciosa”, disse o compositor à família. Apresentado a ela algum tempo depois, o sambista teve o privilégio de ver Aline gravar Blá-blá-blá no segundo disco. Agora, a composição dele puxa o novo trabalho com Eu sou assim, composta especialmente para a cantora.

“Fiz o samba pensando na pessoa solta que Aline é. Ela é do samba mesmo”, elogia Serginho, admitindo que ela canta de corpo e alma. “Eu sou do samba/ Eu sou assim/ Viola, cavaco, pandeiro/ E um coração”, resumem os versos do samba, que já faz sucesso nas redes sociais. Preparando-se para lançar o CD inédito Vida nova, Serginho Beagá tornou-se referência do samba feito na capital, onde a nova geração vem se juntando a ele para promover a renovação do gênero.

 

Confira o vídeo de 'Eu sou assim', gravado por Aline Calixto em BH:

 

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