Com o CD 'Lucky numbers', Dave Stewart reafirma seu talento para mesclar sonoridades

Rock, gospel, eletrofunk e blues marcam o repertório, interpretado por um batalhão de convidados

por Arthur G. Couto Duarte 07/03/2014 06:00

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Mike Coppola/Getty/divulgação
(foto: Mike Coppola/Getty/divulgação)
Meu nome é trabalho. Por força de seu próprio mérito, Dave Stewart pode resumir as múltiplas criações, atividades, projetos e associações que têm mantido seu nome em evidência por mais de quatro décadas no concorrido cenário da música pop. Desde 1980, quando irrompeu como cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista da dupla tecno-pop Eurythmics, ele sempre chamou a atenção por seu modus operandi quase maníaco.


Dínamo em forma humana, Stewart é detentor de um currículo sônico tão vasto e diversificado que chega a assustar. Algo evidenciado por tudo aquilo que abraçou desde a dissolução do Eurythmics, em 1990. A partir do Spiritual Cowboys – septeto rocker de tintas gospel-psicodélicas e singularizado por uma possante sessão rítmica mantida por dois bateristas –, Stewart revezou-se junto aos grupos Vegas (ao lado de Terry Hall, ex-vocalista dos saudosos Specials e Fun Boy Three), Platinum Weird (banda ficcional à la Spinal Tap que dividiu com a não menos talentosa Kara DioGuardi), Shakespear’s Sister (duo feminino que só surgiu depois que Stewart, então casado com a ex-bananarama Siobham Fahey, sugeriu à esposa formar uma nova banda com Marcella Detroit)e Super Heavy (megaprojeto dividido com Mick Jagger, Damian Marley, Joss Stone e A. R. Rahman).

Como se isso fosse pouco, Dave Stewart compôs para dezenas de artistas, produziu gravacões para Jon Bon Jovi, Alisha’s Attic, Bob Geldof, Tom Petty, Brian Ferry, Ringo Starr, No Doubt e Stevie Nicks, entre outros. Nas "horas vagas", carregou pedras registrando alguns álbuns solo, projetos especiais em prol das lutas sociais encabeçadas por Nelson Mandela e pelo Greenpeace, além de compor trilhas para filmes, especiais de TV e teatro – não sem antes dar vazão a um sonho antigo: a modesta, mas ousada, Anxious Records.

DISCO Aos 62 anos, Dave Stewart continua exibindo pique de adolescente. Prova disso é o recém-lançado CD Lucky numbers (Sony Music), cujo imenso rol de convidados e participações especiais vem sugerir que tamanha sanha por colaborações musicais talvez seja produto de alguma insólita ordem genética.

Diverso em estilos e linhas melódicas, mas com predileção por aquela sonoridade mais crua que os críticos ingleses adoram chamar de "americana", o oitavo álbum de estúdio do artista tem mesmo algo de especial.

Vide a melancólica balada rural 'Nashville snow', em que ele divide o microfone com Karen Elson, a ex-esposa do badalado Jack White. Outras presenças de relevo incluem a violinista Ann Marie Calhoun (seu solo recorta impagáveis personificações de John Lennon e Elvis que Stewart inseriu na mescla de gospel e doo-wop presente em 'Why can’t we be friends'); a dublê de atriz e cantora Holly Quin Rah (para além de sua beleza negra realmente estonteante, ela imprime pressão aos vocais do eletrofunk que batizou o disco); a estrela neocountry Martina McBride (cuja voz eleva aos céus o ganchudo roots-rock 'Every single night') e Vanesa Amorosi (novo ícone da cena australiana, a exótica ruivinha vem emprestar timbre bluesy à algo deprê 'Drugs taught me a lesson').

Em suma, outro tiro na mosca disparado pelo incansável Dave Stewart.

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