Artistas belo-horizontinos e portugueses integram projeto musical e lançam o EP

'Paredes no horizonte' tem faixas autorais e releitura de canção de Caetano Veloso

por Eduardo Tristão Girão 07/03/2014 06:00

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Fotos: Thomas Christofoletti/Divulgação
Os músicos André Xina, Francesco Valente e João Ricardo Pires, integrantes do Xafu (foto: Fotos: Thomas Christofoletti/Divulgação)
As férteis conexões lusófonas são o universo ao qual se dedicam os músicos integrantes do projeto Xafu, que reúne belo-horizontinos e lusitanos fazendo música das mais interessantes da cena alternativa da capital mineira. Grooves servem de base para temas próprios e colagem de samples, numa fusão entre elementos eletrônicos, ritmos tradicionais e vozes. E assim costuraram Brasil, África e Portugal no recém lançado EP 'Paredes no horizonte'.

“Nosso objetivo é revelar a mistura que está dentro de nós. É um objetivo inconsciente e o som toma esse caminho se trabalhamos com músicas nossas ou com samples. Também pegamos músicas de outras origens, embora o que prevaleça seja a lusofonia mesmo”, explica o português André Xina, responsável pelas programações eletrônicas. Idealizador do Xafu ao lado do baterista e percussionista mineiro Juninho Ibituruna, ele veio morar em Belo Horizonte em dezembro.

Nascido em Lisboa, ele conheceu Ibituruna na capital portuguesa, mais precisamente na casa que deu nome ao projeto, situada no Bairro da Alfama e ponto de encontro de músicos que não param de passar por ali, muitos deles mineiros. O ano era 2011 e foi nesse ambiente que a dupla começou a ensaiar a benfeita mistura de música eletrônica e popular ou, como definem em sua página no Facebook, “onde o drum’n’bass, o ragga e o trip hop se entrelaçam com o fado, a morna, a música afro-brasileira, a poesia e a música experimental”.

Gravado entre Belo Horizonte e Lisboa, o disco reuniu, além de Xina e Ibituruna, os músicos portugueses João Pires (violão), Suzana Travassos (voz), Francesco Valente (baixo) e Marco Pombinho (piano), e os brasileiros Vinicius Ribeiro (baixo) e Luiz Gabriel Lopes (guitarra). Tendo se apresentado em algumas cidades brasileiras e portuguesas, além de Espanha e Itália, o grupo não tem formação fixa ou definitiva.

Vozes

A variedade de perfis entre os músicos participantes, sem dúvida ajuda a enriquecer o caldo. O EP começa com a faixa-título: a introdução com cordas de aço que poderiam ser tanto brasileiras como portuguesas cria o clima para a voz de Susana Travassos, primeiro com belos vocalises, depois citando poema. Na sequência, batida brasileira vira groove para letra sobre Brasil e Portugal interpretada na estética do rap.

Outros dois destaques do EP são 'It’s a long way', de Caetano Veloso, extraída do reverenciado disco 'Transa', e 'Fé', que João Pires escreveu e gravou em seu álbum 'Caminhar'. A primeira conta com introdução mântrica e a voz do baiano manipulada sobre batida mutante. Já a segunda, que em seu registro original é uma pérola (com letra de Hélder Quiroga), teve mantida de forma semelhante a parte musical, mas alongada para permitir experimentações: baixo e bateria iniciam um groove manso, mas que termina com batida rápida.

Vem aí

O projeto Xafu já tem músicas para o próximo trabalho, mas Xina ainda não sabe precisar se será outro EP ou um disco cheio. Provavelmente, seus integrantes farão releitura de Sodade, sucesso na voz da cabo-verdiana Cesária Évora, e estreitarão os laços com rappers de Belo Horizonte. “Já fui a vários duelos de MCs e tenho respeito por eles.Já temos alguns nomes em mente para convidar”, adianta o português.

Ouça as faixas de 'Paredes no horizonte':


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