Carlos Careqa lança 'Palavrão - Música infantil para adultos'

"As crianças adultas cresceram. Elas gostam de falar bobagem sem culpa, sem medo", detalha o compositor

por Kiko Ferreira 06/03/2014 07:00

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Edson Kumasaka/divulgação
(foto: Edson Kumasaka/divulgação)
Vivemos um tempo em que faz falta o trabalho absurdo, debochado, desbocado. Falta um Frank Zappa, um Rogério Skylab mais incisivo, um cronista de jornal para desafiar o bom gosto reinante. Não por acaso, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) acaba de lançar campanha bem-humorada contra o fiscal da moral e dos bons costumes políticos que não entende ironias, ignorando que, às vezes, um charuto é só um charuto.

'Palavrão – Música infantil para adultos', novo trabalho do cantor e compositor Carlos Careqa, caminha na direção oposta do bom-mocismo e da pureza das canções infantis que povoam prateleiras politicamente corretas. Mesmo que ele tenha, na versão final, abandonado a ironia de chamar o CD de 'Palavrão cantado', fica claro: a perspectiva da visão de criança do artista e de seus colegas Mário Manga e Márcio Nigro é a daquele fedelho que vive num mundo em que a informação está ao alcance.

“Temos que viver conforme o nosso tempo. Estamos no século 21 e ainda tratamos nossas crianças adultas como se estivéssemos no século 19. As crianças adultas cresceram. Elas gostam de falar bobagem sem culpa, sem medo. Acessam a internet, assistem à televisão abertamente e, certamente, sabem sobre tudo. Porém, fingimos que não vemos”, observa Carlos Careqa.

Muitas vezes com abordagens classificadas por seres mais civilizados como grosseria, Careqa arrepia com 'Por que é que a vovó tá fria', sobre a criança em dúvida se a avó estaria morta, com catalepsia ou narcolepsia. O reggae 'Exame de fezes' trata dos preparativos da mãe para colher o material do filho e enviá-lo para o laboratório. 'Rap do peido' prova que a escatologia infantil está na base da proposta. O clima prossegue em 'Hora do banho', 'Eu e Reginaldo' e 'O menino e a menina' (tratando da descoberta da sexualidade), enquanto 'O diamante azul do voo' ousa tratar, de maneira pouco ortodoxa, os chamados medicamentos para disfunção erétil.

'Onde é que fica' cuida de perguntas constrangedoras que causam silêncio e rubor na sala. 'Soca o pilão' (Funk macrô) revive a tradição dos legumes de duplo sentido, com a “defesa” da dieta vegetariana e saudável em batida bem gravada. 'O tio Augusto', sobre um parente bêbado, lembra os grupos Premê e Língua de Trapo. Meleca é de uma delicadeza contagiante, com direito a violinos e cellos adornando as secreções da letra. Com Bruna Caram fazendo a voz da mestra, A tia da escola trata do amor platônico do aluno pela professora.

Autofelácio ganha título mais do que explícito, óbvio. Assim como costumam ser as falas das crianças de todos os tempos sobre suas secreções. Mesmo as já adultas.

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