Cantora e compositora Margareth Menezes festeja 25 anos de palco

Pioneira do samba-reggae, ela não cedeu ao axé music

por Ailton Magioli 04/03/2014 06:00

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Diego Mascarenhas/Divulgação
(foto: Diego Mascarenhas/Divulgação)
'Margareth Menezes – Voz talismã ao vivo' marca a estreia da cantora baiana na gravadora Coqueiro Verde. Parceria da produtora Estrela do Mar com o Canal Brasil, o disco exibe o reconhecido talento da artista. O novo trabalho, que chega ao público nos formatos CD e DVD, comemora os 25 anos de carreira de Maga, apelido carinhoso dado pelos fãs.


A militância fez de Margareth uma das personalidades mais marcantes do movimento negro soteropolitano. Não por acaso, ela escolheu 'Cordeiro de Nanã' (Mateus Aleluia e Dadinho) para abrir o show, exibido no Canal Brasil e com reprise marcada para domingo. Esse clássico do grupo Os Tincoãs, uma espécie de oração, antecede a entrada de Maga no palco do Teatro Castro Alves, em Salvador.

A apresentação ocorreu em julho. Cinco meses antes, Margareth havia cantado na Concha Acústica, anexo do famoso teatro baiano. O DVD reúne os dois shows e um documentário, em que ela é saudada por Gilberto Gil, Elba Ramalho, Daniela Mercury e Paula Lima.

As bodas de prata de Margareth com o palco são celebradas em grande estilo. Fiel às raízes africanas e ao movimento que projetou a música de Salvador, a cantora convidou representantes dos blocos Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Malê Debalê, Muzenza e Filhos de Gandhy para a festa, honrando o que há de melhor em sua terra. Não por acaso, foi lá que nasceu o samba reggae, do qual ela se tornou uma das estrelas.

Longe do modelo de carreira adotado por algumas conterrâneas – mais conhecidas por pular e dançar do que cantar –, Margareth Menezes é adepta da boa música. Isso pode ser comprovado no repertório selecionado para o show, no qual foi incluída a inédita 'Bonapá', presente de Carlinhos Brown à amiga no carnaval de 2012.

Maga apresenta um desfile de pérolas da MPB: 'Fé cega, faca amolada', de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos; 'Alegre menina', de Dorival Caymmi e Jorge Amado; 'Escrito nas estrelas', de Arnaldo Doreman Black e Carlos Rennó; 'Negra melodia', de Jards Macalé e Waly Salomão; e 'Toda menina baiana', do amigo Gilberto Gil.

Afropop e atitude

Compositora respeitada, Margareth Menezes reservou espaço em 'Voz talismã' para seu trabalho autoral: gravou Preciso e Lambadinha da Ribeira. O repertório tem também canções de 'Lenine' (Olho de farol); Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte (parceiros dela em 'Passe em casa'); Antônio Vieira ('Acará'); e Tonho Matéria ('Cume da memória').

Em um dos melhores momentos do show, o pot-pourri 'Emboladas' traz 'Coco do M' (Jacinto Silva e Zé do Brejo), no qual Margareth exibe sua veia de pesquisadora paralelamente à de intérprete ligada às raízes brasileiras. No show na Concha Acústica foram incluídos sambas-reggae com os quais ela fez sucesso: 'Faraó (Divindade do Egito)', de Luciano Gomes, e 'Elegibô (Uma história de Ifá)', de Rey e Ythamar Tropicalia.

A banda de Maga reúne Thiago Nogueira (bateria), Gutto Messias, Osmar Purificação e Jonielson Costa (percussão), Danilo Costa (teclado), Théo Silva (guitarra), Adilmar Borges (baixo), Luciano Silva (sax e teclados), Tita Alves, Aline Menezes e Mariana Silva (vocais).

Teatro Margareth Menezes tem 51 anos. Música e teatro estão no DNA da artista, que cantou na noite e trabalhou em peças de Gogol e de Ziraldo na década de 1980. Com o primeiro show solo, 'Banho de luz' (1985), ela ganhou o Troféu Caymmi de melhor intérprete. Poucos anos depois, fez sucesso com o samba-reggae 'Faraó', que a projetou nacionalmente. O primeiro disco, Margareth Menezes, foi lançado em 1988.

Estrela do samba-reggae, a cantora foi muito além do mainstream baiano, sobretudo do axé que consagrou suas conterrâneas. Maga mesclou batidas eletrônicas, a percussão de sua terra e a sonoridade pop. Chamou a atenção de David Byrne: o líder dos 'Talking Heads' abriu-lhe as portas para turnês no exterior.

Na contramão da “ditadura do axé”, apesar de ser considerada uma das pioneiras do gênero, Margareth chegou a ficar oito anos sem gravar. Ela prefere classificar sua música como “afropop brasileiro”. Um de seus hits é 'Passe em casa', sucesso dos Tribalistas – parceria dela com Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown.

Neste carnaval, o bloco de Margareth – Cordão Cultural AfroPop – homenageia o centenário de nascimento de Dorival Caymmi e os grupos afro de Salvador.

 

VOZ TALISMÃ AO VIVO
Com Margareth Menezes. Gravado em Salvador, o show será exibido domingo, às 14h30, no Canal Brasil
• CD (Coqueiro Verde), com
17 faixas. R$ 19 (preço médio)
• DVD (Coqueiro Verde), com
31 faixas. R$ 27 (preço médio)

 

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