Compositor Túlio Araújo grava álbum influenciado em músicas do Leste Europeu

Músico finaliza gravação de East, álbum influenciado pela música do Leste europeu e regiões orientais. Grupo liderado pelo pandeirista tem linguagem jazzística sofisticada

por Eduardo Tristão Girão 29/12/2013 00:13

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Flávio Charchar/Divulgação
(foto: Flávio Charchar/Divulgação)
Poderá ser um passo maior que a perna, mas o pandeirista mineiro Túlio Araújo sentiu que era hora de dá-lo. Figura conhecida na noite de Belo Horizonte, o artista vem consolidando seu nome nos últimos anos como talento da nova geração, bebendo na fonte da música brasileira para desenvolver a própria linguagem. Manguêra (2012), seu primeiro disco, foi mais um bom trabalho instrumental como tantos daquele mesmo ano; com East, em fase final de gravação e previsto para ser lançado em abril, ele quer ganhar o mundo com sonoridade mais sofisticada.

O título do álbum já informa onde ele foi buscar inspiração. “Estudando a fundo o pandeiro, descobri paixão pela sua raiz, que é árabe. A forma como países do Leste europeu e regiões orientais fazem suas melodias e harmonias sempre me intrigou. No ano passado assisti a apresentação do trio de jazz do grande pianista judeu Shai Maestro. Foi um choque, pois tudo que eu ouvira e sentira lá, por mais complexo que tenha soado, me pareceu familiar. Mais tarde, descobri que por estudar tantas horas, isso me trouxe nova linguagem, mais ‘east’”, conta Araújo.

A partir daí, ele chegou a outros nomes, como o baixista israelense Avishai Cohen e o pianista armênio Tigran Hamasyan. Assimilando tudo isso, partiu para a produção do disco tendo ao lado o guitarrista Felipe Vilas Boas e o pianista Deangelo Silva na direção musical e arranjos. Em estúdio, somaram-se ao time o baixista Eneias Xavier, os saxofonistas Cleber Alves e Breno Mendonca, o trompetista Wagner Souza e o clarinetista Sergio Danilo. Uma das faixas contou com as participações de quarteto de cordas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e da cantora paulistana Dani Gurgel.

O pandeirista assina três músicas: Viena (com Deangelo), Saara e Luciane. Felipe foi quem mais contribuiu com composições, responsável por cinco das nove faixas do disco. Se em Manguêra quase todos os arranjos foram criados durante as gravações, em East Araújo fez questão de tempo maior para conceber o “acabamento” de cada música. “Cada um de nós pôde criar seus próprios arranjos dentro do arranjo, apresentá-los, consertá-los, aprimorá-los”, explica. Essa é, para o pandeirista, a diferença básica entre seus dois discos, já que a essência continua sendo inserir o instrumentos em linguagem jazzística.

A exemplo do que outros bons pandeiristas vêm fazendo, Araújo segura a parte rítmica dispensando a presença de um baterista, figura comum na maioria das formações jazzísticas. Não repetir o que fazem craques como Marcos Suzano e Scott Feiner é um desafio. “Procuro sempre aplicar o que aprendo à minha forma de fazer música. O fato de estar lançando um novo álbum, completamente diferente do primeiro, já mostra que estou em busca dessa identidade minha. E não dá para analisar só o pandeiro, pois a gente está sempre acompanhando ou liderando um grupo”, analisa.

Públicos
Essa guinada na sonoridade pode ser explicada também pelo desejo do artista de levar seu trabalho para outros públicos – inclusive fora do Brasil. “Este ano toquei em Nova York pelo Savassi Festival e pude ver e ouvir o que eles gostam por lá. Existe uma demanda muito grande por novos sons e um brasileiro como eu, que começou tocando forró, até hoje mestres como Jackson do Pandeiro e está ‘pirando’ num som oriental, será sempre bem-vindo, acredito, onde quer que vá. Quero mais é rodar o mundo, ver coisas que nunca vi, ouvir sons que nunca ouvi, conhecer pessoas que nunca conheci”, diz.

O investimento na sofisticação de sua identidade musical, entretanto, não deverá afastá-lo dos palcos da noite na capital mineira. Para Araújo, as apresentações semanais são a melhor forma de se manter “quente” no instrumento. “Gosto de ter sempre uma vitirine, um lugar onde estou regularmente para mostrar meu som. Dizemos que é um ‘ensaio pago’, mas é mais que isso. É onde podemos experimentar, testar, brincar e manter o espirito do jazz vivo.” Para o público que vem acompanhando seu crescimento, ele garante que a diversão vai continuar.

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