Retrospectiva 2013: BH entra no mapa dos shows internacionais

Capital mineira foi palco de belos espetáculos, como os de Paul McCartney, Elton John e Black Sabbath. No Rio e São Paulo, Bruce Springsteen arrasou

por Mariana Peixoto 25/12/2013 00:13

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Eugênio Gurgel/Esp. EM/D.A Press
Paul McCartney levou 53 mil pessoas ao Mineirão na abertura mundial da turnê Out there! (foto: Eugênio Gurgel/Esp. EM/D.A Press)
Por que não Belo Horizonte? A partir de 2010, quando Paul McCartney passou a vir ano após ano ao Brasil, a pergunta passou a ser feita com muita regularidade. Com a reinauguração do Mineirão, era mais uma questão de quando, já que o onde estava definido. Um clima de euforia tomou a cidade com o anúncio, apenas dois meses antes do 4 de maio. Mais beatlemaníaca das capitais brasileiras, BH respondeu à altura, esgotando os 53 mil ingressos colocados à venda em poucas horas. Uma certa incredulidade pairava no ar, pois seria no nosso quintal a estreia mundial do show do maior artista pop vivo.
Out there! trouxe uma seleção de inéditas, material que nem mesmo os Beatles haviam levado para os palcos: All together now, Your mother should know, Being for the benefit of Mr. Kite!, Lovely Rita. Costurando essas canções, Paul utilizou a mesma fórmula que vem apresentando desde 1989, quando voltou a fazer turnês: além dos Beatles, que dominam o repertório, tocou músicas do Wings e de sua carreira solo. A cada nova canção, Paul fazia um agrado para a plateia, que, domada, recebeu de bandeja os clássicos Yesterday, Hey Jude, Live and let die, Let it be.

Foi também aqui que ele falou uai, levou para o palco as garotas que protagonizaram a campanha “Paul, vem falar uai” e até assinou no corpo de uma delas. Em Goiânia, bailou com os gafanhotos, que, sem pedir licença, se juntaram a ele no Serra Dourada. Em Fortaleza, abençoou um casal de noivos no Castelão. Depois de Paul McCartney, tudo ficou mais fácil, pois a cidade, os produtores e, principalmente, o público viram que é possível.

Ney Matogrosso
Marcia Hack/Divulgação
(foto: Marcia Hack/Divulgação)
Desde a pré-estreia de Atento aos sinais em Juiz de Fora, em março, Ney Matogrosso (foto) antecipara que, dificilmente, seu novo show seria superado. Mais tecnológico dos espetáculos do cantor, o show é impactante à medida que o repertório, inédito em sua maioria, arrebata a plateia, que, num crescendo, vai ao delírio quando o cantor, provocante, desce do palco para se oferecer, lânguido. Com direito a naipe de metais e sob a direção musical de Sacha Amback, o cantor vai do discurso politizado de Arnaldo Antunes e Lenine (Rua da passagem) à sensualidade de Criolo (Freguês da meia-noite), passando pelo pop-rock da nova geração, Dan Nakagawa (Todo mundo o tempo todo) e Vitor Pirralho (Tupi fusão), além de resgatar Paulinho da Viola (Roendo as unhas) e Itamar Assumpção (Noite torta e Isso não vai ficar assim). (Ailton Magioli).

Black Sabbath
Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
O guitarrista está se recuperando de câncer; o vocalista apresenta sequelas de anos de abuso de álcool e drogas; desde o final da década de 1970, a banda, com sua formação clássica, só se reuniu eventualmente. Contrariando as expectativas, a turnê Reunion, que trouxe o Black Sabbath (foto) ao Brasil com três quartos de sua formação inicial (Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler) mostrou que em cima do palco nada importa. Na Esplanada do Mineirão, onde o Sabbath (agora com Tommy Clufetos, um monstro das baquetas, com rapidez e força impressionantes) encerrou a turnê brasileira, em outubro, uma legião de camisas pretas ficou hipnotizada pelas sirenes anunciando War pigs; acompanhou, em coro, Iron man; mandou ver no mosh de Paranoid. Era a história do rock sendo contada ao vivo, pelos verdadeiros mestres.

Elton John

Rodrigo Clemente/EM/D.A Press
(foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)
Aos 66 anos, Elton John (foto) já fez de tudo na música. Começou tocando R&B, passou pela psicodelia, abraçou o glam rock, virou baladeiro. Independentemente de estilos, o cantor e compositor britânico é um dos grandes melodistas da música pop. Fez em março dupla estreia em Belo Horizonte. Foi sua primeira vez na cidade e também o primeiro show do novo Mineirão. Uma comportada plateia de 40 mil pessoas assistiu, de perto, a um passeio em 40 horas de história, já que a turnê que o trouxe ao Brasil comemorou quatro décadas de Rocket man. Mesmo canções que, desgastadas pela execução massiva ao longo das décadas, se tornaram quase banais – Your song, que fechou a apresentação, é uma delas – ganharam emoção extra. Ver Elton John ao vivo faz toda a diferença.

Blur
T4F/Divulgação
(foto: T4F/Divulgação)
Com dois festivais gigantes dividindo as atenções – Lollapalooza no primeiro semestre e Rock in Rio no segundo – o “pequeno” Planeta Terra, em novembro, saiu vencedor. Com várias boas atrações, teve dois destaques: o norte-americano Beck, que soube, com habilidade, passear pelo rock, hip-hop, blues e eletrônico com suas próprias canções (Lost cause, Loser, Modern guilt) e de outros (encantou com uma versão personalíssima de Billie Jean, de Michael Jackson, e ainda citou Luiz Gonzaga, Caetano e Gil) e a britânica Blur (foto), que fechou o evento com um repertório redondo e recheado de hits, provando que seu britpop soube resistir ao tempo. Shows no horário, infraestrutura correta (bares e banheiros), o Planeta Terra, pela primeira vez no Campo de Marte, em São Paulo, comprovou que tamanho, definitivamente, não é documento.

Bruce Springsteen
AFP PHOTO/YASUYOSHI CHIBA
(foto: AFP PHOTO/YASUYOSHI CHIBA )
O melhor show do maior show do mundo. Vinte e cinco anos depois de sua então única apresentação no Brasil, Bruce Springsteen (foto) retornou ao país em setembro, de forma arrebatadora. Em São Paulo, para um público de não mais que 6 mil pessoas (uma exceção na carreira do herói, que arrasta multidões na casa dos cinco dígitos), tocou por três horas e 20 minutos para uma plateia extasiada. Com a E-Street Band entoou os clássicos (Born to run, Thunder road, Dancing in the dark), se jogou no público, foi testemunha de um pedido de casamento insólito, fez muito marmanjo ir às lágrimas. Surpreendeu ainda ao abrir o show, num português bem passável, com Sociedade alternativa, do velho Raul. Dias mais tarde, repetiu o feito no melhor show do Rock in Rio, onde surpreendeu mais uma vez ao tocar, na íntegra, o mítico Born in the USA (1984).

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