João Bosco faz duas apresentações neste fim de semana, em BH

Músico se une à Orquestra Sinfônica de Minas Gerais para performances no Cine Theatro Brasil Vallourec

por Walter Sebastião 20/12/2013 11:30

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Joana Mendonca/Divulgação
(foto: Joana Mendonca/Divulgação)
A parceria entre orquestras e autores populares vem prestando serviço inestimável à música brasileira: aponta criadores e obras que merecem especial apreço. Um exemplo: o concerto que reúne João Bosco e a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, amanhã e domingo, às 20h, no Cine Theatro Brasil Vallourec. Somando música, canto e poemas (de diversos parceiros), João Bosco criou clássicos como 'Papel machê', uma entre muitas canções antológicas que todos conhecem.
















O concerto deste fim de semana em BH tem repertório especial: composições do artista como Consário, 'Medo de amar', 'Água mãe água'. Canções com letras de Vinícius de Moraes, referência ao centenário de nascimento do poeta, que foi “parceiro, amigo e mentor”, observa João Bosco. E peças que dialogam com o folclore como 'Melodia sentimental', de Villa-Lobos, ou 'Tico-tico' no fubá. A regência é do maestro Marcelo Ramos. João Bosco não vai tocar violão: “Fico mais livre, solto, para cantar”, conta.

João Bosco Muco nasceu em Ponte Nova (MG), em 1946. Começou a tocar violão aos 12 anos, influenciado por ambiente familiar de muitos músicos. Estudou engenharia civil em Ouro Preto e, sem deixar de lado os estudos, dedicou-se à carreira musical, influenciado pelo jazz, pela bossa nova e pelo Tropicalismo. A primeira gravação foi em compacto, bônus do jornal O Pasquim, que tinha de um lado faixa de Tom Jobim e, de outro, a do mineiro. Dezenas de canções na voz de vários autores fazem dele um dos mais importantes compositores vivos. Os 40 anos de carreira foram celebrados com CD e DVD.

Quatro perguntas para...João Bosco

Como são os espetáculos que você tem feito com orquestras?
Gosto muito da música formal que ouvi desde criança, do modo como são distribuídos os instrumentos em fileiras, dos arranjos. É uma visão da música diferente da ótica popular, que pode dar a ela situações que você não percebeu. Um duo de fagotes pode se tornar duas aves em meio à floresta. Não é qualquer formação musical que consegue isso.

Fale um pouco sobre o seu canto...
Minha voz está a serviço da música; canto atendendo exigências da canção. É sempre uma experiência explorando notas musicais por meio das cordas vocais. O canto brasileiro é generoso, tem muitos intérpretes inquietos, que estão sempre explorando esse caminho, o que nos deixa encantados. O canto, como mostra o folclore, atrai, é o canto da sereia. Na música é assim também.

Quarenta anos dedicados à música. Isso é pouco ou muito?
É um momento do caminho, nem muito nem pouco. Música não tem fim. O que é interessante não é você chegar a um lugar, mas estar andando para um lugar. Fala-se do passado como algo definitivo. Não acredito. O artista está sempre negociando, dialogando com o tempo. Se o fizer de forma criativa, independentemente de ele estar atrás, na frente ou ao lado, trabalha a seu favor. Quando faço releituras, o que considero também um modo de criar, fico me perguntando em que tempo a canção está. Nunca sei se eu trouxe a música para hoje ou se fui lá atrás conversar com ela.

Como você vê as reformas de antigos teatros no país?
Vejo teatros sendo reformados no Brasil todo, o que traz a sensação de que novas ideias estão sendo postas em prática. O país está começando a mudar e se preocupando em cuidar de certos espaços. Sinto que é sempre mais do que uma obra, mas preservação de uma memória, que o lugar, a cidade, tem uma história para contar. Para nós artistas, palco é algo sagrado, é onde construímos nossa arte, nossas fantasias, nossos dias. Então, é lugar de reverência.

João Bosco e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
Apresentação sábado e domingo, às 20h.
Cine Theatro Brasil Vallourec, Praça Sete, Centro. (31) 3201-5211. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 60 e R$ 30.

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