Disco 'Violão, voz e Zé Keti' relembra sambista carioca

Cantor Augusto Martins e violinista Marcel Powell se uniram para reunir clássicos em álbum

por Ailton Magioli 17/12/2013 09:10

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Ana Clara Barros/Divulgação
(foto: Ana Clara Barros/Divulgação)
Carioquice e brasilidade são características marcantes da obra de José Flores de Jesus, o Zé Keti (1921–1999), que, mesmo presente no coração do povo, segundo o cantor carioca Augusto Martins, anda desprestigiado no cenário da MPB. Para tentar reverter tal quadro, ele convidou o violonista Marcel Powell para acompanhá-lo na gravação de 'Violão, voz e Zé Keti'.

“Zé Keti não tocava instrumento nenhum, compunha de ouvido. Tal liberdade acabou contribuindo para ele fazer um samba diferente, cujas propostas continuam modernas até hoje”, avalia Augusto que, ainda em início de carreira, teve o privilégio de dividir palco com o sambista em uma boate. “Daí a vontade de resgatar nossa comunicação, historicamente”, completa, ao justificar a escolha da obra do sambista para seu novo CD, depois de também dedicar um ao alagoano Djavan.

Garimpando

Com um timbre de voz potente e elegante, Augusto Martins parece ter encontrado no violonista Marcel Powell a companhia ideal para gravar o disco. Afinal, apesar de recorrer ao desgastado formato de voz & violão, ele resultou em algo original diante da força do repertório, da interpretação e do próprio instrumento em si, que Marcel herdou do pai, Baden Powell.

Ao ressaltar a força contemporânea na obra do sambista, conhecido principalmente por obras como Diz que fui por aí e Opinião, Augusto Martins diz que composições como Tamborim (“Cavei muito buraco na avenida/Pra ajudar no progresso do metrô...”, dizem os versos) poderiam estar no repertório do rapper Marcelo D2, tamanha é a atualidade da canção, carregada de protesto político e ironia.

 “A opção pelo minimalismo foi exatamente para destacar tais características da obra de Zé Keti”, continua Augusto Martins, que, para coroar de êxito o projeto, ainda foi buscar o violão percussivo de Marcel Power para acompanhá-lo. Apesar do acesso à filha do sambista, Augusto Martins lembra que não encontrou nada inédito de Zé Keti para gravar.

O repertório do CD vai de Diz que fui por aí a A voz do morro, passando por Tamborim, Nega Dina, Opinião, A flor do lodo, Leviana, Madrugada (A noite é minha), uma versão instrumental de Acender as velas, Máscara negra (“Tanto riso, oh quanto alegria/Mais de mil palhaços no salão... “, quem não se lembra da inspirada letra?), Malvadeza durão, Amor passageiro e A voz do morro.

PAIXÃO

“Na verdade, não tive muito contato com a obra de Zé Keti. Ela passou a existir para mim principalmente a partir deste disco, embora eu a respeitasse como cultura. Acho até que não tinha tocado 'Opinião' e 'Diz que fui por aí', que eu sempre conheci como cultura. De qualquer forma, passo a ter mais intimidade com ela a partir de então. Porém, antes de gravar o disco teve uma noite que um amigo meu cantou Madrugada. Na época, nem sonhava em conhecer o Augusto Martins. Falei, ‘poxa, que música bonita’. Quando Augusto me trouxe a proposta, quis colocar Madrugada no repertório, o que acabou acontecendo. Aí comecei realmente a me apaixonar pela obra menos óbvia do Zé Keti. Gostei muito também de 'Amor passageiro', que, a exemplo de 'Madrugada', é mais triste. Hoje, posso dizer que sou um apaixonado pela música dele.”
MARCEL POWELL, violonista.

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