Lula Lira, filha de Chico Science, trilha seu próprio caminho

Aos 23 anos, artista se lança em dois projetos musicais diferentes: a banda Afrobombas e o infantil Coisinha

por Camila Souza 11/12/2013 13:40

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Facebook / Reprodução
(foto: Facebook / Reprodução)
"Eu não sou Chico Science de saias", já havia cravado Louise Taynã, a Lula, filha única de uma das figuras centrais do movimento manguebeat. A declaração dada durante a divulgação do projeto Afrobombas, liderado pelo vocalista da Nação Zumbi, Jorge Du Peixe, ainda ecoa. “Musicalmente, ele (o pai) ainda não me influenciou”, avisa. Mas já dá sinais de reconhecimento. “Ouvir as músicas dele me dá uma força extra para acreditar mais em mim.”

 

Afinada e de voz doce, Lula Lira pouco lembra a explosão de Science. No primeiro single do grupo, 'De sal e Sol eu sou', a delicadeza da herdeira do manguebeat é um contraponto gostoso com o vocal grave de Du Peixe, que também é sogro da moça (ela namora o percussionista Ramon, filho de Jorge). Hoje com 23 anos, ela descobriu a vocação para a música aos 12, quando deu os primeiros passos em uma banda de forró estilizado. Já em São Paulo, onde vive há mais de quatro anos, descobriu o que queria - no momento, tocar o Afrobombas e integrar o Coisinha, projeto infantil encabeçado por China. O assédio por causa do parentesco é a parte chata. “Mas acho normal a curiosidade das pessoas em relação ao meu pai".

Entrevista >> Lula Lira
“Ouvir as músicas dele me dá uma
força extra para acreditar mais em mim”

Você deu seus primeiros passos na música em uma banda de forró estilizado. Como foi esse início?
Foi uma experiência divertida, eu tinha 12 anos, era uma menininha curiosa. Considero meu início na música agora. Estou com 23 anos e mais certa do que eu quero para minha vida profissional.

Como se deu essa mudança de estilo musical?
A gente vai crescendo e as ideias vão maturando. Naquela época, eu não tinha noção de que tava “fazendo um som” assim ou assado. Eu gostava de cantar e isso já me bastava, me deixava feliz.

Antes de montar o Afrobombas, você já tinha uma relação musical com Du Peixe? Costumava fazer um som com ele?
Sempre trocamos ideias musicais em casa, costumamos mostrar nossas composições um pro outro e de vez em quando rolam uns experimentos. Tem até uma música do repertório do Afrobombas que surgiu dessa forma, que se chama Sem nome.

A vontade de montar o grupo partiu de quem? Você sentiu a responsabilidade de assumir os vocais de uma banda com músicos tão experientes?
De Jorge, a ideia toda é dele. Se senti responsabilidade? Demais! Não são só músicos experientes, mas também supercompetentes e de altíssima qualidade. Metade eu já conhecia, a outra metade conheci pouco antes dos primeiros ensaios. Claro que você se sente responsável quando o que você faz tem importância na sua vida, isso vale para qualquer profissão.

Você costuma escrever. Como é seu processo de composição?
Eu não costumo entrar em nenhum processo para compor, na verdade. Quando dá na telha, eu vou lá no meu caderninho e rabisco umas ideias. Elas aparecem muitas vezes do nada, quando eu menos espero uma frase legal me vem à cabeça e já trato de anotar. Outras vezes sou tomada pelo humor do dia e acaba saindo algo dali também. Gosto de observar as pessoas, ouvir bem as histórias que elas contam, tudo isso me inspira.

Você mantém outros projetos?
Sim. Em junho desse ano recebi o feliz convite de China para cantar com os meninos do Mombojó e Missionário José em um projeto infantil chamado Coisinha. Tem sido maravilhoso. Fizemos alguns shows em São Paulo e espero que logo mais a gente possa apresentá-lo no Recife.

Os shows de estreia do Afrobombas em São Paulo surpreenderam de alguma forma?
O primeiro show no Sesc Pompéia me surpreendeu pela quantidade de gente que foi nos assistir. Tudo que as pessoas conheciam do nosso som eram dois vídeos com montagens dos ensaios e uma música (De sal e Sol eu sou) que tínhamos disponibilizado pra download na página da banda no Facebook. E já tinha quem arriscasse cantar os versos do refrão. Daí em diante todos os outros me deixaram surpresa de alguma forma, fico super emocionada quando vejo o público cantando.

Quais suas principais referências musicais? Você é ligada à cena musical do Recife?
Minha referência musical é a música. Tudo que eu ouvir e gostar, mais cedo ou mais tarde, vai me servir como referência para futuras criações. Sou completamente apaixonada pela música que vem do Recife, ver músicos que realmente correm atrás do que acreditam, que amam o que fazem, me dá muito orgulho.

Quando o Afrobombas iniciou, o assédio era imenso em cima de você por se tratar da herdeira de Chico Science. Incomodou de alguma forma?
Um pouco. A forma como o projeto foi inicialmente divulgado em algumas matérias publicadas mais parecia que a banda era minha e eu era o foco principal do projeto. Nada a ver. Mas acho normal a curiosidade das pessoas em relação ao meu pai.

De que forma o som do seu pai influenciou musicalmente?
Musicalmente ele ainda não me influenciou, mas ouvir as músicas dele me dá uma força extra pra acreditar mais em mim e nas coisas que eu quero fazer.

Pretende morar no Recife?
Às vezes parece que nunca deixei Recife, todo fim de ano volto pra cá e passo uma boa temporada perto da família e dos amigos. Tenho sim, vontade de voltar a morar aqui, mas a vontade vai diminuindo quando vejo os constantes maus-tratos que a cidade vem recebendo de seus governantes. Estão matando a cidade da forma mais cruel, é triste demais.

Coisinha
A convite do cantor China, a filha de Chico Sciente e os músicos do Mombojó iniciaram o projeto musical Coisinha, voltado para a criançada. No repertório, canções que fizeram parte da infância dos artistas, como composições de Vinicius de Moraes, Toquinho, Trem da Alegria, Trio Esperança e Balão Mágico.

Ouça a faixa 'De sal e sol', do Afrobombas:


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