Como produtor, Teo Azevedo ajudou a lançar dezenas de artistas

Filho de sanfoneiro, o mineiro Téo Azevedo fez de tudo para sobreviver antes de conquistar o público com suas canções

por Luiz Ribeiro 17/11/2013 00:13

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Solon Queiroz/Especial para o EM
Na casa do amigo Sinval da Gameleira, em Alto Belo, Téo Azevedo puxa a viola para acompanhar o sanfoneiro (foto: Solon Queiroz/Especial para o EM)

Mesmo reconhecido hoje em todo o país como embaixador da cultura popular, a trajetória de Téo Azevedo não foi fácil. A história de dificuldades e superações do cantor e compositor despertou interesse em dois pesquisadores – o jornalista e folclorista Carlos Felipe, de Belo Horizonte, e a escritora Amelina Chaves, de Montes Claros –, que estão preparando biografias de Téo, que deverão ser lançadas no ano que vem.

Aos 8 anos, o violeiro perdeu o pai, Teófilo de Azevedo, o Tiofo, que também era cantador e sanfoneiro. Frente às dificuldades pelas quais passava a família, o patriarca decidiu ir em busca de uma vida melhor em São Paulo, mas na viagem de trem contraiu tifo e morreu. A família retornou ao Norte de Minas e passou a morar em Montes Claros, onde, aos 9 anos, Téo Azevedo engraxava sapatos e recitava versos improvisados para os clientes nas ruas. Chamou a atenção de um camelô pernambucano, que o levou a várias feiras do Nordeste para atrair a clientela.

Aos 14 anos, conheceu um caminhoneiro chamado Jeová, com quem decidiu viajar para tentar a sorte em Belo Horizonte. “Viajei amarrado em cima de uma carga de algodão”, recorda. Na capital, Téo Azevedo foi lutador de boxe e serviu ao Exército (12º Regimento de Infantaria). Mas queria mesmo ser artista: cantava repentes e vendia livretos de cordel nas feiras livres da cidade. Tratado com desconfiança pela polícia, foi preso várias vezes. “Apareciam uns caras nas minhas apresentações que batiam carteira e a polícia achava que eu era cúmplice deles”, conta.

Foi em Belo Horizonte, no início da década de 1960, que fez sua primeira gravação, no Estúdio Discobel. Foram tirados 30 exemplares do disco que registrava a música Deus te salve casa santa (Cálix bento). Cinco foram entregues às rádios AM da cidade e os restantes vendidos. Chegou a gravar 300 músicas em acetato, muito difundido na época, o que facilitava a aparição de novos artistas que não tinham espaço nas grandes gravadoras.

Em 1968, foi considerado o melhor compositor mineiro do ano pelo colunista Gérson Evangelista, do jornal O Debate. Mesmo passando dificuldades, Téo conseguiu lançar seu primeiro LP, Brasil terra da gente, em1969. Na mesma ocasião, o compositor percebeu que o melhor caminho era seguir rumo a São Paulo, para onde se mudou. “O começo em São Paulo foi muito difícil. Ficava em frente ao Bar Brahma, na esquina de São João e Ipiranga. Era lá que iam os outros artistas e eu precisava mostrar minhas músicas para eles, para chegar às editoras e às gravadoras”, conta.

Téo Azevedo acabou conquistando Sampa, onde, além de produtor musical, tornou-se um divulgador da cultura popular, impulsionando as carreiras de outras artistas e apresentando programas de rádio. Foram sete anos na Rádio Atual e três anos na Rádio Record. Aproximou-se de artistas de renome, como Luiz Gonzaga. O Rei do Baião gravou a música Maria Cangaceira, de autoria de Téo Azevedo, dedicada a Maria Bonita, mulher de Lampião. Em 1983, os dois se apresentaram juntos no show A peleja de Gonzagão. Vem daí o desejo de homenagear o mestre, que resultou no disco indicado ao Grammy Latino deste ano.

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