André Mehmari lança dois discos que vão muito além das classificações

por Ailton Magioli 10/11/2013 06:00

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Gal Oppido/Divulgação
André Mehmari está lançando dois discos, nos quais passeia pelo repertório erudito e popular (foto: Gal Oppido/Divulgação)
“O negócio é não pensar em mercado, mas na música”, afirma o pianista, arranjador e compositor André Mehmari, lembrando que há momentos, como o atual, em que sente necessidade de compartilhar sua música. Confirmando esse caminho, ele está lançando simultaneamente Angelus e André Mehmari e Mário Laginha ao vivo no Auditório Ibirapuera.

Produtos de natureza distintas, que portanto não competem entre si, os dois discos, segundo o próprio pianista, são resultado do “ímpeto prolífico” que ele tem, além da facilidade em produzir, por ser o próprio produtor de sua criação. “Se antes os meios eram exclusividade das gravadoras, hoje eles estão em nossas mãos”, comemora André Mehmari, salientando que no mundo digital os meios de produção musical foram democratizados. “É um privilégio para a gente”, comemora o artista fluminense, cuja carreira deslanchou via São Paulo.

Em Angelus, o pianista registra, pela primeira vez, desde a sua produção mais antiga até a mais recente na área de música de câmara, para variados grupos do gênero. O Quinteto Angelus (Para piano e cordas), por exemplo, foi composto por Mehmari para o quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e conta com a participação dos músicos do Ensemble São Paulo, que também comparecem em outras peças de autoria do pianista.

Nuages gris (Nuvens cinzas), de Franz Liszt, é a única composição que não leva a assinatura do pianista, que também é autor de A vida das moscas (documentário in música para cinco clarinetas), Cheio de dedos, Pequena suíte popular brasileira e Lullaby (para cinco clarinetas), Cantiga e divertimento, também de autoria dele, é a faixa-bônus do CD, que reúne Mehmari ao piano e Sebastião Interlandi Jr. à flauta. Segundo o pianista e compositor, ele recebe encomendas de peças do gênero com uma certa constância. “Estou sempre produzindo, quase sempre a pedido de músicos”, garante.

Diálogo musical
Já o disco André Mehmari e Mário Laginha ao vivo no Auditório Ibirapuera é resultado da admiração mútua entre os pianistas brasileiro e português, respectivamente. “Sou fã antigo da música dele”, revela Mehmari, lembrando que há cerca de dois anos Mário Laginha esteve pessoalmente em sua casa, em São Paulo, quando teve oportunidade de perceber que haveria afinidade musical entre os dois.

A convite do Ibirapuera, que promove o projeto Casa de Bamba, ele decidiu convidar o companheiro de instrumento português para o registro ao vivo do encontro, realizado no próprio auditório, em julho do ano passado. O disco é resultado do registro fiel do primeiro encontro de André Mehmari e Mário Laginha, cujo grande mérito, segundo o pianista brasileiro, é o permanente diálogo musical, permeado por referências trazidas por cada pianista.

Para o português, enquanto para alguns músicos o compartilhamento musical se dá dentro da máxima de que jazz é jazz, música clássica é música clássica e popular é popular, para ele e André Mehmari “as paredes estão completamente jogadas no chão”. “Nós deixamos que essa contaminação aconteça”, acrescenta Mário Laginha, admitindo que, apesar de terem critérios que passam pelo gosto pessoal de cada, ambos se deixam contaminar pelas várias influências. No disco, Mehmari e Laginha mesclam composições próprias com improvisos livres ou sobre estruturas predefinidas. Enquanto Mário Laginha, por exemplo, escreveu Jogo com Mehmari e Um chorinho feliz, André Mehmari escreveu Um fadinho feliz para eles tocarem juntos.

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