Carioca Marcelo Caldi homenageia Gonzagão nesta sexta-feira, em BH

Acordeom irá reprisar tempo em que o pernambucano tocava diversos gêneros além do baião e do forró

por Eduardo Tristão Girão 08/11/2013 09:00

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Paulo Rodrigues/divulgação
(foto: Paulo Rodrigues/divulgação)
Um dos destaques do acordeom brasileiro, o carioca Marcelo Caldi traz a BH o show de seu projeto 'Tem sanfona no choro', que joga luz sobre o repertório instrumental escrito por Luiz Gonzaga nos anos 1940, época em que o pernambucano se dedicava a gêneros além do baião e do forró. Inédito na cidade, o espetáculo já rendeu disco, livro e apresentações com formações diferentes, incluindo uma orquestra sinfônica.

“Percebi que a expressão do sanfoneiro Luiz Gonzaga já existia muito antes de ele começar a cantar e a compor as canções imortalizadas a partir de 1947. No apanhado geral, são mais de 40 músicas gravadas, todas autorais, entre valsas, mazurcas, choros, polcas, xamegos e outros ritmos que ele dominava no fole. Comecei no ano passado e achei que seria o momento ideal de lançar novo olhar sobre o grande mestre da música nordestina”, conta Caldi.

No show de BH, Marcelo terá a companhia de Fábio Luna (bateria e flauta), que toca com ele há cerca de 10 anos, e de Rogério Caetano (violão de sete cordas). No repertório, um apanhado de três dos principais sanfoneiros nordestinos – Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca –, além de composições autorais. “Há algumas ousadias de um carioca que se mete a fazer repente e a misturar Piazzolla com Gonzagão, mas não quero estragar a surpresa”, brinca.

O que mais atrai Caldi é o jeito simples com que o pernambucano compôs melodias, sempre acessíveis e evidenciando a linguagem nordestina. “Ele foi o primeiro a fazer isso no Sudeste brasileiro e a encantar o mundo. O que veio depois foi reinvenção em cima do que Gonzaga criou”, observa. Para os sanfoneiros atuantes na cena instrumental, o autor de 'Asa branca' representa um ponto de partida.

Nos anos 1940, os regionais de choro estavam am alta nas rádios. Gonzagão conquistou reconhecimento ao tocar com o violonista Canhoto e com Jacob do Bandolim, por exemplo. “Os baluartes da música instrumental conviveram com ele. Foi Dino Sete Cordas quem o apelidou de Lua”, lembra o acordeonista. Dominguinhos aprendeu muito com o mestre e, a partir dessa experiência, compôs não só forrós, mas valsas e choros virtuosos, além de elaborar essa linguagem de forma reverente, ressalta o carioca.

Possibilidades
Para Caldi, há muito a ser explorado. “Existem poucos livros de técnica ou partituras musicais sobre a sanfona no Brasil. Um livro com 22 partituras, como o meu, supre um pouco a carência. Tenho material para fazer muitos outros”, informa. O acordeonista tem se surpreendido com o resultado das misturas (forró com orquestras e com Chico César, cordas e rock). “Muita gente faz coisas novas, como o cantor que mistura rap com repente e um grupo coreano que reinventa 'Asa branca'. A arte é infinita”, conclui.

TEM SANFONA NO CHORO
Show de Marcelo Caldi Trio. Sexta-feira, às 20h. Praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia. Informações: (31) 3222-5271. Entrada franca.

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