Araticum reúne referências das músicas argentina, venezuelana e andina no CD 'Tarde'

Samba, maracatu, baião e Uakti se mesclam à sonoridade 'hermana'

por Eduardo Tristão Girão 03/11/2013 10:03

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F. Pepe Guimaraes/Divulgacao - Grupo Araticum
Faixas autorais ganharam destaque no disco de estreia do grupo paulista Araticum, criado em 2011 (foto: F. Pepe Guimaraes/Divulgacao - Grupo Araticum)
O início das atividades do Araticum é dos mais curiosos. Convidados pelo Sesc de Bertioga, no litoral paulista, seus integrantes receberam a tarefa de montar um espetáculo de música árabe. Depois de se dedicar a essa pesquisa, o grupo paulistano recebeu outra missão, desta vez tendo como tema a música latina. A partir dessa segunda influência (e bebendo na fonte do instrumental brasileiro), os músicos construíram o repertório autoral de Tarde, seu recém-lançado disco de estreia.

“Naquela época, começamos a mostrar músicas uns para os outros e percebemos que éramos todos compositores. Aí, começamos a trazer mais composições e a fazer arranjos”, conta o acordeonista e pianista Ricardo Pesce. Ele criou o Araticum com Ricardo Barros (violão de sete cordas, guitarra, guitarra portuguesa e calimba; ele é filho do cantor e compositor Theo de Barros), Angelo Ursini (flautas, saxofones e clarinete), Vinicius Pereira (baixo acústico) e Bruno Duarte (bateria e percussão).

O quinteto junta elementos andinos, venezuelanos e argentinos (principalmente) à linguagem da música instrumental brasileira, temperada com algo de samba, gafieira, maracatu e baião. As faixas autorais ganharam arranjos assinados, em sua maioria, pelos respectivos autores. A produção é do próprio grupo, criado em 2011, que começou a ensaiar no ano passado e gravou o primeiro CD em abril, em São Paulo.

Ouça 'Tarde', do Quinteto Araticum:


Enquanto A saga do ouro tem influências do baião e maracatu, com harmonia mais rebuscada, Sons do vento é marcada pelo merengue venezuelano, incluindo vibrafone, que, segundo Ricardo, representa o gosto do Araticum pela sonoridade do mineiro Uakti. Outras referências são a produção argentina atual (Gotita), frevo (Festa da Lia e Frevoso), música andina (Hino) e samba (Coice na barriga).

ILHADO
“O brasileiro está um pouco ilhado. São muitos Brasis dentro do Brasil, ainda ouvimos muita música dos Estados Unidos e da Europa. O argentino conhece a música chilena, o chileno ouve a peruana, o peruano conhece a venezuelana e eles conhecem a nossa música. Talvez a gente conheça pouco o que eles fazem por conta do idioma ou pelo fato de a música brasileira ser muito rica”, analisa Pesce.

Todos os integrantes se dedicam a projetos paralelos. O acordeonista mantém com o baixista do Araticum e o violonista argentino Juan Pablo Ferrero um trio chamado Jogando Tango. Com shows marcados na capital paulista e em Campinas, o Araticum ainda não se apresentou fora do estado. No momento, os músicos se dedicam a novas composições e planejam gravar o segundo álbum.

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