Neguinho da Beija-Flor faz balanço da carreira em primeiro disco para a Som Livre

O repertório tem apenas uma faixa inédita, mas ele mexeu na letra do sucesso 'O campeão'

por Ailton Magioli 29/10/2013 08:00

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Márcia Rodrigues/ Divulgação
Neguinho critica a falta de diversidade melódica nos sambas-enredo (foto: Márcia Rodrigues/ Divulgação)
“Se há um compositor que acertou na mosca, este é Nelson Sargento. Afinal, como ele cantou e continua cantando, o samba agoniza mas não morre”, defende Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beja-Flor, que estreia na Som Livre com o lançamento de 'A história do sorriso negro'. Com uma única música inédita – 'Obrigado, Jesus', que compôs com o parceiro Marquinho FM para comemorar a cura de um câncer de intestino diagnosticado em 2008 –, a coletânea de 14 faixas reúne clássicos do samba de raiz e o maior sucesso do cantor e compositor, 'O campeão ('Meu time'/'Domingo eu vou ao Maracanã'), que ganhou nova versão do autor, para não ficar reduzida ao universo carioca do futebol.

“O samba nunca sai de moda. Já tivemos lambada, forró... ’’,  lista Neguinho, admitindo que o gênero jamais perde a majestade, mesmo que o mercado vá moldando-o aos novos tempos. O samba-enredo, do qual é um dos maiores puxadores, por exemplo, ganhou novo andamento, além de outras mudanças, segundo admite. “Na minha época ele era limitado à ala de compositores da escola. Hoje elas abriram geral. Há até condomínios, grupos de quatro, cinco compositores que fazem sambas e espalham pelas escolas”, critica, sob o argumento de que o gênero perde a identidade. “Você vai ver e é a mesma linha melódica em várias escolas”, acrescenta.

Intérprete oficial da escola de samba de Nilópolis (RJ) desde 1976, Neguinho também integra a ala de compositores da Beija-Flor, para a qual levou também o filho Luiz Antônio Marcondes Júnior, há 14 anos. É de Luiz Antônio 'O astro iluminhado', samba com o qual a agremiação vai homenagear José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o famoso diretor de TV, mais conhecido por Boni. “O samba é muito bom”, afirma Neguinho, elogiando o trabalho do herdeiro musical. Pai orgulhoso de mais três filhos – Paulo César Santos, Ângela e a caçula Luiza Flor –, Neguinho vê PC, que é baterista, também se interessar pelo mundo do samba.

Mercado caótico

Sucessos de Bezerra da Silva ('Malandro é malandro e mané é mané'), Mário Lago ('Sorriso negro') e Serginho Meriti ('Angela') estão no disco, que marca uma nova etapa na carreira de Neguinho, depois de criar o próprio selo (NB Records) e passar por várias multinacionais (Top Tape, CBS/Dony e PolyGram/Universal), além da Indie Records.

 “O mercado fonográfico está mudando para pior, principalmente para as gravadoras”, constata, salientando que se as empresas não criarem um sistema que possibilite o fim da pirataria não haverá salvação para o setor. “A decadência começou com a fita cassete. Depois de acabar com o LP e o cassete veio o CD e aí arrebentou com tudo”, continua o artista, para quem a criação musical, no entanto, resiste às crises. “Eu, por exemplo, depois de 'Obrigado, Jesus', vou lançar agora, via internet, o samba exaltação 'A soberana', da parceria com Samir Trindade, em homenagem à Beija-Flor.”

Na opinião de Neguinho, a situação está boa exatamente para artistas que estão se promovendo via internet. “Veja o caso de Luan Santana”, exemplifica, citando o jovem cantor sertanejo universitário. No novo disco, ele também aproveita para homenagear a escola do coração com 'A deusa da passarela', que é um tema do “esquenta bateria” antes dos desfiles, e o samba-enredo Sonhar com rei dá leão, com o qual ele ganhou o primeiro título na Beija-Flor, em 1976.

Os já consagrados pot-pourris também estão presentes em 'A história do sorriso negro', como as faixas que juntam 'Bem melhor que você'/''Gamação danada', ou ainda '1.800 colinas'/'Meu drama' ('Senhora tentação')/'Acreditar', 'Problema social'/'Menino pé no chão' e 'Malandro também chora'/'Malandro chorão'. Composta originalmente em 1979, O campeão ('Meu time'/'Domingo eu vou ao Maracanã') ganhou nova letra para atingir outras torcidas. “Era uma música reduzida ao Rio e ao estádio do Maracanã. Além disso, os jogos hoje já não ocorrem só aos domingos, como antigamente. Há um ano resolvi fazer a nova letra”, justifica a mudança. Aos 37 anos de carreira e 36 discos lançados, Neguinho da Beija-Flor sabe o que faz.

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